Montanha


Montanha ou monte (do latim montanea, de mons, montis) é uma forma de relevo. Uma sequência de montanhas denomina-se cordilheira. Uma montanha tem imponência e altitude superiores a uma colina, embora não exista uma altitude específica única para essa diferenciação. O adjetivo montano[1] é usado para descrever áreas montanhosas e coisas relacionadas a elas. Assim, cada autoridade no assunto assume valores convenientes, embora a montanha seja tipicamente escarpada, de grande inclinação e com sobreposição de relevos.
Características
[editar | editar código]A superfície do planeta Terra é 24% montanhosa; 10% da população mundial vive em terreno montanhoso. A maior parte dos grandes rios nascem em montanhas. Elas se destacam por apresentar altitudes superiores às das regiões vizinhas. As montanhas mais elevadas resultam de desdobramentos, isto é, de forças internas que provocaram enormes dobras nas rochas.[2]
A cada 150 m de altitude acima numa montanha, a temperatura diminui cerca de 1 °C, e a radiação ultravioleta também se eleva com a altitude.[2]
Tanto nos continentes como nos oceanos, existem montanhas de dobramentos. São as montanhas jovens ou típicas, que se formaram no período Terciário, como os Alpes, na Europa, os Andes, na América do Sul, as Montanhas Rochosas, da América do Norte, e o Himalaia, na Ásia. As montanhas mais velhas e mais baixas também são resultados de dobramentos, mas foram muito erodidas e, consequentemente, rebaixadas ao longo do tempo.[2]
Também existem outros tipos de montanhas: as vulcânicas, originárias de vulcões, e as montanhas constituídas por blocos falhados, isto é, por áreas que sofreram dobramentos, rupturas ou falhas nas rochas, tendo uma parte se erguido em cima da outra.[2]
Definições
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Nos países anglófonos
[editar | editar código]Não há uma definição universalmente aceita de montanha. Elevação, volume, relevo, inclinação, espaçamento e continuidade têm sido quesitos usados para definir uma montanha.[3] No Oxford English Dictionary, uma montanha é definida como "uma elevação natural na superfície da Terra, ascendendo mais ou menos abruptamente da superfície ao redor e alcançando uma altitude que, em relação à elevação adjacente, é impressionante ou notável".[3]
O que faz uma forma de relevo ser chamada de montanha ou não pode depender de uso local. Mount Scott, uma elevação situada no estado de Oklahoma, no sul dos Estados Unidos, tem apenas 251 metros de sua base até seu cume. O Dictionary of Physical Geography, de Whittow,[4] declara que "algumas autoridades consideram proeminências a partir de 600 metros como montanhas, sendo que, abaixo disso, seriam referidas como morros, ou colinas".
No Reino Unido e na República da Irlanda, uma montanha é usualmente definida como qualquer pico com, no mínimo, 610 metros (2 000 pés),[5][6][7][8][9] enquanto o governo do Reino Unido, oficialmente, considera 600 metros ou mais.[10] Algumas definições, em adição, também requerem proeminência topográfica, tipicamente 100 ou 500 pés (30 ou 152 metros).[11] Numa ocasião, o órgão U.S. Board on Geographic Names definiu montanha tendo 1 000 pés (300 metros) ou mais,[12] mas abandonou essa definição na década de 1970. Qualquer relevo similar com altura menor era considerado uma colina. Entretanto, atualmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos conclui que esses termos simplesmente não têm definições técnicas nos Estados Unidos.[13]
Na ONU
[editar | editar código]A definição de "ambiente montanhoso" para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente inclui as descrições a seguir:[14]
- Elevação de no mínimo 2 500 m (8 200 ft);
- Elevação de no mínimo 1 500 m (4 900 ft), com uma inclinação maior que 2 graus;
- Elevação de no mínimo 1 000 m (3 300 ft), com uma inclinação maior que 5 graus;
- Elevação de no mínimo 300 m (980 ft), num alcance de 7 km (4,3 mi).
Usando essas definições, as montanhas cobrem 33% da Eurásia, 19% da América do Sul, 24% da América do Norte e 14% da África.[15] No total, 24% da superfície terrestre é montanhosa.[2]
No Brasil
[editar | editar código]A distinção entre um morro e uma montanha é historicamente imprecisa na literatura geográfica brasileira. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua terminologia geomorfológica tradicional, define morro como "elevação natural do terreno com altura de até aproximadamente 300 m" e montanha como elevação com altura acima desse limiar.[16]
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) adotou critérios semelhantes: define montanha como "uma elevação do terreno com cota em relação à base superior a trezentos metros", e morro como "elevação do terreno com cota do topo em relação à base entre cinquenta e trezentos metros, e encostas com declividade superior a trinta por cento (aproximadamente dezessete graus) na linha de maior declividade".[17]
Em 2019, o IBGE, em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) e a União da Geomorfologia Brasileira (UGB), iniciou a elaboração do Sistema Brasileiro de Classificação do Relevo (SBCR), o primeiro sistema unificado para padronizar a identificação e a representação das formas do relevo nacional. O primeiro nível taxonômico do sistema — que define as cinco grandes classes de relevo — foi formalizado com a publicação de 2022 na Revista Brasileira de Geografia, que estabeleceu como critérios para montanha: forma de relevo com continuidade espacial, amplitude altimétrica superior a 300 m em relação às áreas circunvizinhas, encostas declivosas e topos preferencialmente aguçados ou em cristas.[18] Pelo novo critério, elevações isoladas sem continuidade espacial e formas de topo plano — como chapadas e planaltos — não se enquadram na categoria.[18] Com base nessa definição, foram reconhecidas montanhas em pelo menos 14 estados brasileiros, presentes em formações como as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço.[19]
Por décadas, parte dos geólogos, geógrafos e livros didáticos de geografia sustentou que montanhas se distinguem de morros por pertencerem a zonas tectonicamente ativas, ou seja, a cordilheiras de formação recente. Segundo esse critério, o Brasil, situado no interior da placa sul-americana e distante de zonas de colisão ativas, não teria montanhas.[20] A elaboração do SBCR revisou esse entendimento, adotando critérios morfológicos em lugar dos geológicos para a classificação do primeiro nível taxonômico do relevo nacional.[18]
Terminologia
[editar | editar código]- Cume ou pico — ponto culminante de uma montanha.
- Vertente ou encosta — qualquer um dos lados de uma elevação.
- Sopé — a parte inferior ou base de uma encosta ou montanha.
- Cota altimétrica ou nível — a distância vertical, sendo medida a partir de plano de referência arbitrado até um ponto.
- Tergo ou cumeeira — uma elevação que faz a separação da escorrência de águas e se prolonga até um cume.
- Vale — uma área de baixa altitude cercada por áreas mais altas, como montanhas ou colinas.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Michaelis: montano
- 1 2 3 4 5 Panos (2002). «High Stakes» (PDF). Consultado em 17 de fevereiro de 2009. Cópia arquivada (PDF) em 3 de junho de 2012
- 1 2 Gerrard 1990.
- ↑ Whittow, John (1984). Dictionary of Physical Geography. London: Penguin. p. 352. ISBN 0-14-051094-X
- ↑ Nuttall, John & Anne (2008). England. The Mountains of England & Wales. 2 3rd ed. Milnthorpe, Cumbria: Cicerone. ISBN 1-85284-037-4
- ↑ «Survey turns hill into a mountain». BBC. Consultado em 3 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada em 2 de outubro de 2013
- ↑ «A Mountain is a Mountain – isn't it?». www.go4awalk.com. Consultado em 3 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2013
- ↑ «mountain». dictionary.reference.com. Consultado em 3 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada em 5 de fevereiro de 2013
- ↑ Wilson, Peter (2001). «Listing the Irish hills and mountains» (PDF). Coleraine: University of Ulster. Irish Geography. 34 (1): 89. doi:10.1080/00750770109555778. Cópia arquivada (PDF) em 27 de junho de 2013
- ↑ «What is a "Mountain"? Mynydd Graig Goch and all that...». Metric Views. Consultado em 3 de fevereiro de 2013. Arquivado do original em 30 de março de 2013
- ↑ Helman, Adam (2005). The Finest Peaks – Prominence and Other Mountain Measures. [S.l.]: Trafford Publishing. ISBN 978-1-4120-5995-4
- ↑ «What is the difference between "mountain", "hill", and "peak"; "lake" and "pond"; or "river" and "creek?"». US Geological Survey. US Geological Survey
- ↑ «What is the difference between lake and pond; mountain and hill; or river and creek?». USGS. Consultado em 11 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2013
- ↑ Blyth et al. 2002, p. 74.
- ↑ Blyth et al. 2002, p. 14.
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2009). Manual técnico de geomorfologia. Col: Manuais Técnicos em Geociências, 5 2 ed. Rio de Janeiro: IBGE. ISBN 978-85-240-4058-0
- ↑ Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA n.º 303, de 20 de março de 2002. Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. Diário Oficial da União, Brasília, 13 maio 2002, seção 1, p. 68. Art. 2.º.
- 1 2 3 COMITÊ EXECUTIVO NACIONAL DO SISTEMA BRASILEIRO DE CLASSIFICAÇÃO DE RELEVO. Breve estado da arte do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR): contribuições de e para a sociedade científica geomorfológica. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 67, n. 2, p. 212–227, 2022. doi:10.21579/issn.2526-0375_2022_n2_212-227
- ↑ FIORAVANTI, Carlos. Geógrafos reconhecem que o Brasil tem, sim, montanhas. Pesquisa FAPESP, São Paulo, n. 362, p. 12–19, abr. 2026. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/geografos-reconhecem-as-montanhas-do-brasil/. Acesso em: 22 jun. 2026.
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