Ir para o conteúdo

Alexei Rikov

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Alexei Rykov)
Aleksei Rykov
Image
2.º Presidente do Conselho do Comissariado do Povo da União Soviética
Período2 de fevereiro de 1924
a 19 de dezembro de 1930
Antecessor(a)Vladimir Lenin
Sucessor(a)Viatcheslav Molotov
Presidente do Conselho do Comissariado do Povo da RSFS da Rússia
Período2 de fevereiro de 1924
a 18 de maio de 1929
Antecessor(a)Vladimir Lenin
Sucessor(a)Sergey Syrtsov
Presidente do Conselho de Trabalho e Defesa
Período19 de janeiro de 1923
a 19 de dezembro de 1930
Antecessor(a)Lev Kamenev
Sucessor(a)Viatcheslav Molotov
Dados pessoais
Nome completoAlexei Ivanovich Rykov
Алексе́й Ива́нович Ры́ков
Nascimento25 de fevereiro de 1881
Saratov, Rússia
Morte15 de março de 1938 (57 anos)
Moscou, União Soviética
NacionalidadeRusso (1881–1938)
Soviético (1922–38)
PartidoPartido Comunista da União Soviética - bolchevique (1925–38)
AssinaturaAssinatura de Alexei Rikov

Alexei Ivanovich Rykov (em russo: Алексей Иванович Рыков, transl. Alexei Ivanovich Rikov; Saratov, 25 de fevereiro de 1881Moscou, 15 de março de 1938) foi um revolucionário bolchevique, político e estadista soviético, mais proeminente como primeiro-ministro da Rússia e da União Soviética de 1924 a 1929 e de 1924 a 1930, respectivamente. Foi um dos acusados ​​nos julgamentos de fachada de Josef Stalin durante o Grande Expurgo.

Ingressou no Partido Operário Social-Democrata Russo em 1898. Juntou-se aos bolcheviques liderados por Vladimir Lenin, em 1903, após a divisão do partido em relação à facção menchevique. Meses antes da Revolução de Outubro de 1917, tornou-se membro dos sovietes de Petrogrado e Moscou e foi eleito para o Comitê Central do Partido Bolchevique durante o VI Congresso do Partido. Um moderado, Rikov frequentemente entrava em conflito político com Lenin e os bolcheviques mais radicais, mas provou ser influente quando a Revolução de Outubro finalmente derrubou o Governo Provisório Russo. A partir de outubro (novembro pelo calendário novo), desempenhou diversas funções no novo governo, começando como Comissário do Povo para Assuntos Internos na primeira lista do Conselho de Comissários do Povo (Sovnarkom), presidido por Lenin.

Durante a Guerra Civil Russa (1918-1923), supervisionou a implementação da política econômica do "comunismo de guerra" e ajudou a coordenar a distribuição de alimentos para o Exército Vermelho e a Marinha Vermelha. Após Lenin ter ficado incapacitado em decorrência de seu terceiro derrame, em março de 1923, Rikov e Lev Kamenev foram eleitos pelo Sovnarkom para servirem como vice-primeiros-ministros da União Soviética. Com a morte de Lenin em janeiro de 1924, foi escolhido, no mês seguinte, pelo Conselho de Comissários do Povo como primeiro-ministro tanto da República Socialista Federativa Soviética da Rússia quanto da União Soviética. Em dezembro de 1930, foi destituído do Politburo. De 1931 a 1937, serviu como Comissário do Povo para as Comunicações no conselho que anteriormente presidia.[1] Em fevereiro de 1937, durante uma reunião do Comitê Central, foi preso juntamente com Nikolai Bukharin. Em março de 1938, ambos foram considerados culpados de traição e executados.

Origens e ativismo político

[editar | editar código]

Rykov nasceu em Saratov, numa família camponesa de etnia russa de Kukarka, em 1881.[2][3][4] Depois de se formar no ginásio, ingressou no Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) em 1898 e na Universidade de Cazã em 1900, da qual foi expulso por sua atividade política, o que também levou à sua prisão.[4] Juntou-se à facção dos bolcheviques após a cisão ocorrida no II Congresso do POSDR em 1903, já demonstrando apoio às posições do líder bolchevique Vladimir Lenin.[4] Preso novamente no mesmo ano, após sua libertação, viajou para o exterior e visitou Lenin em seu exílio na Suíça.[5]

Ao retornar ao país, Rykov trabalhou como revolucionário profissional em diversas cidades do Império Russo, tornando-se o principal representante do movimento bolchevique e ingressando no Comitê Central do partido em 1905.[5] Participou ativamente da Revolução Russa de 1905 e chefiou o comitê do partido em Moscou após uma revolta na cidade em dezembro.[5] Foi eleito para o Comitê Central[6] no III Congresso do POSDR (boicotado pelos mencheviques) em Londres, em abril de 1905, e no IV Congresso do POSDR (o Congresso da Unificação), realizado em Copenhague, em 1906. No V Congresso, tornou-se membro suplente do Comitê Central.

Rykov apoiou Lenin em sua luta contra Alexander Bogdanov pela liderança dos bolcheviques em 1908 e 1909, e votou pela expulsão de Bogdanov na conferência de junho de 1909 em Paris. Apesar de seus laços estreitos com Lenin desde 1904, ele era favorável à reconciliação com a facção menchevique.[2][5] Opôs-se à proposta de Lenin de formar definitivamente um partido independente em 1912. A disputa foi interrompida pela deportação de Rykov para a Sibéria; em 1910, ele foi preso pela polícia, denunciado por Roman Malinovsky, um informante da polícia secreta dentro do partido.[2] Foi deportado para Narym, no oblast de Tomsk, em 1913.[5]

Revolução e Guerra Civil Russa

[editar | editar código]

Após a Revolução de Fevereiro de 1917, Rykov retornou a Moscou vindo da Sibéria e se reintegrou aos bolcheviques.[5] Ele era membro do comitê do partido na cidade, que era mais moderado do que a liderança do escritório regional, cujos líderes pertenciam a uma geração mais jovem.[7] Ao contrário do escritório regional bolchevique, que apoiava a insurreição contra o Governo Provisório, Rykov e a liderança do comitê de Moscou eram muito mais cautelosos.[7] Ele se opôs às "Teses de Abril" de Lenin.[3]

Em seguida, ingressou no comitê executivo do soviete da cidade.[5] Quando os bolcheviques conquistaram a maioria nesse órgão, passou a integrar sua liderança coletiva (presidium).[5] Tornou-se membro do Soviete de Petrogrado e, posteriormente, do Soviete de Moscou. Como líder bolchevique em Moscou, defendeu uma postura conciliatória em relação ao novo Governo Provisório.[8] Essa posição moderada, que sustentava que o país não estava preparado para uma revolução socialista e que compartilhava com Lev Kamenev, foi derrotada pela posição leninista na conferência do partido realizada na primavera.[9]

No VI Congresso do Partido Bolchevique, realizado entre julho e agosto de 1917, foi eleito membro do Comitê Central.[10][5] Juntamente com o moderado Viktor Nogin e os radicais Nikolai Bukharin e Afanasy Lomov, foi encarregado de dirigir as atividades do partido em Moscou e região.[7][5]

No início do outono, liderou a facção a favor da participação no Pré-Parlamento, que prevaleceu sobre a facção liderada por Leon Trótski e apoiada por Lenin na clandestinidade, a qual defendia a abstenção do novo órgão.[11] No Segundo Congresso dos Sovietes, integrou a presidência coletiva.[12] Opondo-se, assim como Nogin, à insurreição armada, foi membro do Comitê Militar Revolucionário que realizou a revolta em Moscou. Este comitê foi formado tardiamente (em 25 de outubro [Calend. juliano: 7 de novembro] de 1917) e teve de superar a forte resistência daqueles que se opunham à derrubada do Governo Provisório.[13]

Carreira política

[editar | editar código]

No exercício dessa função (de 1924 a 1929),[1] colaborou com Stalin para derrotar e expulsar a Oposição de Esquerda, mas acabou sendo deposto por dirigir a Oposição de Direita,[1] com Nikolai Bukharin.

Incluído entre os réus dos Processos de Moscou, foi condenado e executado no campo de fuzilamento de Kommunarka.

Referências

  1. 1 2 3 Getty & Naumov 1999, p. 608.
  2. 1 2 3 Daniels 1997, p. 25.
  3. 1 2 Cohen 1973, p. 228.
  4. 1 2 3 Jackson & Devlin 1989, p. 501.
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Jackson & Devlin 1989, p. 502.
  6. Read 2005, p. 78.
  7. 1 2 3 Cohen 1973, p. 49.
  8. Daniels 1997, p. 29.
  9. Daniels 1997, p. 34.
  10. Daniels 1997, p. 44.
  11. Daniels 1997, p. 55.
  12. Daniels 1997, p. 191.
  13. Daniels 1997, p. 207.

Bibliografia

[editar | editar código]
Image
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Alexei Rikov