domingo, 29 de dezembro de 2013

o nojo é um sentimento horroroso. quando ele é raro, ele é bem colocado.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

antes de mim está

não li aquele livro do Jung que meus pais falaram pra que eu não lesse.
não porque meus pais disseram, simplesmente porque não entrei.
um amigo uma vez me disse que tinha lido um poema meu e tinha tomado uma pedrada no ouvido. é assim mesmo.
se eu não tomo uma pedrada na cabeça que me arranca o coração
eu não leio, não. as pessoas também publicam demais.
conheci muitos masturbadores proletários.
são a maioria
raro, raríssimos, sabem gozar juntinho.

*

asteriscos são os olhos dos cavalos cintilando

*

"SINTO-ME DISPERSO
ANTERIOR A FRONTEIRAS
HUMILDEMENTE VOS PEÇO
QUE ME PERDOEIS".

(cda, quem mais cintila tanto assim?)

*

uma tarde aberta é quase
um poema
uma temporada sem metereologia
uma tarde aberta é quase
um poema por ser escrito
temporada pede auxílio
completamente fora dos princípios
mas se, no fundo, tudo
é órbita e ritmo, eu
que vejo mal na névoa
por isso intuo um precipício.
esses versos sebosos.

quero cinco anos de distância
em cinco anos de distância
eu me esqueceria
me esqueceria antes, provavelmente
às vezes parece que me especializo na vida
a deixar as coisas para trás
crio enigmas para os gatos
desde criança sou mestra
em deixá-los curiosos e despertos
com algo que - dado meu curto sentido de aventura -
coisas que quase nunca ou praticamente não acontecem.
quem me leva pela mão?
reconhece que sou uma porta
de saída para o que não se repete.
antes de mim está

*




sábado, 21 de dezembro de 2013

agora pouco senti o sangue de um poema novo correndo em mim e quando me sentei para escrever meu corpo finalmente havia se acalmado da falta de calor, e quente que estava, se esqueceu do poema que começava 
começava com uma criança brincando entre a luz e a sombra, 
essa criança era eu. com meus objetos mágicos, a palavra
agora sinto só uma dispersão no ventre e tanta vontade de dormir e só acordar na bahia.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

experiências fortes, talvez demais
estou me recompondo, nutrindo ainda
uma espécie de grande confiança por dentro
e cinco centímetros acima da minha pele uma capa grande
talvez uma saburra de desconfiança
participação da proteção

sábado, 14 de dezembro de 2013

irtoi

vou fazer uma lista dos 15 livros da minha vida no dia de hoje

1. four quartets, t.s. eliot
2. elegias, hölderlin
3. a teus pés, ana cristina cesar
4. vertumno, brodsky
5. do desejo, hilda hilst
6. claro enigma, drummond
7. memórias póstumas de brás cubas, machado
8. laços de família, clarice
9. los hijos del limo, octavio paz 
10. o guardador de rebanhos, alberto caeiro
11. hamlet, shakespeare
12. poemacto, herberto helder
13. é isto um homem, primo levi
14. os tarahumaras, artaud
15. 
16.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

*

estavámos e era de noite
minha amiga mostrou-me a lua
eu mostrei-lhe os altos ramos
e os cães ladravam
em todos os quintais.
radial como a nossa rede
de compartilhamento atual
era o latido dos cães.

mais radical, talvez
miram os dentes
mas, como nós,
estão sós dentro
de seus muros
defendendo somente
o que conhecem.
solitário percurso é o buraco
escavado como ruptura
bote encantado
salvação do limite
quando aparece o dizer
que arrebenta aquilo
que encerra a coisa
a coisa toma conta de tudo
vira um mote
e todo mote é um percurso
aditivo dos motivos
esse dizer tudo
e você acompanhando
alguma semântica
que eu consigo manter
mesmo sem estar
com nada a dizer.

primeiro pensei: minha amizade
percorre todos os muros e arrebenta.
quem entendeu o buraco do começo
como o mal, foi a tua moral.





hoje

Antigos acreditavam que quando um cometa atravessa visível no céu populações inteiras, a colheita, o sumo das frutas se altera. Se a passagem de um cometa já foi parte de um sistema de adivinhação, penso no cometa como um fogo de predileção, aquilo que a gente repara na distração e sente que vê-lo é um dom, do acaso, da sorte. Dom de estarmos atentos, ao fulgor e ao delicado. É tão simples um cometa, ele atravessa todo especial, e é assim que é o primeiro disco do Flavio Tris. Suas músicas atravessam o nosso céu, vindas de passados universos, indo para onde? Confio no que canta o cantor: “minha meta que era só coração”. Arranque-se do céu o que o cometa decalca: que tudo se reinicia, caloroso. E se transmite entre nós, os vivos.

Sim, porque é sobretudo disso que se trata, falemos de discos e de cometas, o que importa é estar vivo, arder. E as músicas do Flavio cuidam disso a todo o momento. Se respeitam os ensinamentos dos passados, de músicos que ouvimos, dos avós que tivemos, dos amigos que não estão mais entre nós, sobretudo as músicas do Flavio Tris produzem caminhos amansados pelo sol, pelo senso de justiça, direi melhor, pela constituição de uma ética do pulsar do coração. O Flavio canta para cuidar de nós, destecer as feridas, esquentar os corpos de desejo. Galã, herói, flâmula e luz, a sua voz de brasa é também um carvão.

O disco Flavio Tris foi testado: em 150 km/h nas autoestradas, desviando de buracos nos caminhos de terra, tropeçando nos desavisados no metrô; foi ouvido em jantar com amigos, na solidão com livros, dançando de olhos fechados e de olhos abertos, em audição para compreender a construção das letras, fazendo amor, afiando lápis e flechas, bebendo vinho, percebendo só os instrumentos, fumando dos mais diversos aditivos, dando ares à distração; o disco foi testado depois de tudo, e antes de tudo também, e julgo que foi aprovado com máxima distinção, fruição e encanto. Ouça também. Tudo isso para não perder a visão do céu que é o nosso céu, pelo cometa atravessado.

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

que mistérios tem

quem não sabe devia saber, mas acho que todo mundo já sabe que hoje a clarice lispector faria 93 anos. a clarice construiu tudo que conhecemos e tudo que desconhecemos, pra além de que destruiu tudo, tudo. era um jipe e um trator, embora fosse um diamante, a clarice falava do que é podre e do que cintila: a linguagem.

só não fico enraivescida com as correntes e blablablas que são ditos em seu nome porque é perda de tempo?, atualmente, moro numa cidade que até carro turístico está assinado com nome de poeta e, ... talvez o necessário seja rir disso tudo.

às vezes me pergunto, se é isso o que é eles fariam: rir rir rir rir rir e imaginem bem, se todos os escritores mortos do mundo rirem todos ao mesmo tempo, a órbita da terra desvia uns centímetros e assim, quiçá, oxalá, etc.

nos enfins, posto um trecho do trecho "amor", do "cantos de estima", meu primeiro livro, que fala da clarice, e aqui está:

*


ontem chorei por causa de um passarinho. às vezes acontece da vida entrar pela janela uma história da Clarice. domingo. um passarinho do tamanho do meu polegar entrou entre as abas da janela e caiu no fosso em que elas se guardam. ficou preso lá dentro. às vezes suas asinhas batiam fazendo schuif schuif schuif. se eu abrisse a janela completamente o mataria esmagado. demorei a entender que ele era tão pequeno e que chorar não adiantava-nos nada. perguntava assim: o que tenho eu a ver com a vida desse passarinho que veio cair na minha janela por inexperiência? me respondia, tenho tudo a ver com ele e nada dele me diz respeito. mas é a vida, né, então fiz de tudo. bambus, varetas, lanternas, cestinhas, farelos de bolacha pra mantê-lo vivo. precisava de mão de obra especializada. hoje de manhã vieram salvá-lo. ele abriu a janela e eu peguei o passarinho na mão. apavorado. voou. estou só agora, sem o passarinho.

oração de ir pra rua

a crua alegria, a anarquia
que saía dessa caixa
salvava um país.
ou dois.

que alguém agora
fizesse o que ele fazia
com a dor e com o remorso
com o medo e o cansaço
lascava a pedra, fazia o fogo.

O FOGO.


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*

o dia em que alguém levantar as mãos
e delas caírem duas estrelas
cintilações, vertigens
vão se dissipar
como uma concha já sem caramujo
rolada para o fundo do mar
todos os caminhos desmanchando juntos.

eu
que só conheço um lado
e do outro desvio 
vou colocar a mão nos bolsos, então.
porque se algo cair das minhas mãos
não vai acontecer nada, não
além do céu, o céu se partir.

domingo, 8 de dezembro de 2013

IV Naquela época eu acordava


a guerra é a guerra

você tem dias que acorda sentindo que está em dívida com tudo
(por mais que a vida que leve não seja mais do que cumprir com as coisas a que se propõe)
você tem dias que acorda e só tem a fome dos que não tem fome e a quem nada sacia?
você tem a fome do esquecimento?
ou a fúria da memória?
eu tenho ambas além de sintonias múltiplas
estar com a mandíbula doendo (e o canal do ouvido por consequência)
e leio num livro de capa negra (repentinamente espalharam-se livros de capas negras pela casa)
que a mandíbula determinou o tamanho da caixa craniana
em todos os vertebrados (nos quais eu me incluo)
a estrutura da coluna é mais violenta do que se pensava
e mais delicada também.
ando só ossos
         os descobrindo e reagrupando e desconfio profundamente
(superfície com destaque) que meu cérebro esteja sendo reprogramado
como uma esponja cósmica
outros poetas já disseram
que o poeta é a antena da raça
se isso for verdade
eu sou a esponja cósmica
e no fundo (e também no princípio)
há uma baba de resto de sabão
água acumulada e detritos
que passar por debaixo da água liberta
como quem desmaia o mal
           a água é mesmo o maior veículo
           por isso vou voar
           para não tocar no que é grande.
estou fadada às enormidades
alguns se assemelham
ao minúsculo, ao particular
eu coloco a força toda nos músculos
depois é domingo e eu acordo com a mandíbula doendo
e passo minutos vendo crânios de animais que não existem mais
(embora ele me interrompa para falar da segunda grande guerra e da influência disso na ucrânia hoje)
embora suas mandíbulas com dentes distintos entre si permaneçam
nos cães. que correm e saltam e comem e mordem
a minha mandíbula.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

cantar e cantar

amanhã temos entrevista com o serviço de estrangeiros e fronteiras português
sexta temos entrevista com o consulado brasileiro
sábado quando tudo isso ultrapassado já estiver
vou me sentir como quem desmoronou todas as paredes que encontrou - desviou digo, deeeeeesviou -
como quem não fez um parafuso a cada diálogo
& sobreviveu ao ranho dos colega na fila
com os nossos livros de ler na fila
"a história do anarquismo" & "o guardador de rebanhos"
fones de ouvido & vez em quando pensando
em botar fogo em tudo, inclusive
nos passaportes só pra deixar
a luz brilhar e ser muito tranquilo
antes que me obriguem a vir para a rua gritar.
em resumo, torçam pela delicadeza,
sábado ressuscitamos da longa noite
que é a papelada, a burocracia a lei do estado
(diz ele q no tempo dos romanos era pior
perante a) nação
testemunho, lavro e boto fé.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

desinvestimento

como um relógio cuco quando apita a hora - hora e meia, não sei?
a língua - que é todo um investimento - está capitalizada em um lugar nenhum.
dinheiro? que me dêem mais do que é preciso & que assim eu fique bem.
é o credo dos tempos, não disse?, e haja quem puder abnegar o deus
dizer três vezes que não necessita, ou viver entre os pauszinhos
de uma cabana ou amassar o próprio pão - respeito-os todos.
a roda dentada não para de morder entretanto não tenho paraíso
fiscal para fugir. é toda vez isso: a conta no negativo,
e mais e mais e mais. em retribuição escarro em mim
a dívida do mérito, vácuo que rege a fé em todos os supermercados,
estacionamentos, eleições de municípios, e se camufla 
em latifúndios de uma gente sem esperança, só com resultados
mortes de índios, helicópteros empilhados num hangar,
vez ou outra é só uma imensidão de queda
vez ou outra é só um hemisfério inteiro
que padece de fome, de frio, e morre.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

caty caty caty


e o que eu não sei mais

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quando foi que fiz essa colagem? a foto é de 2004, devem ter sido os últimos meses em que vivi nesse quarto. os cartões vinham de fontes diversas, misturas de postais, cortes de revistas, postais que vinham de viagens minhas com meus pais, e lembro que eu via toda oferta das lojas de museu e demorei a entender que aquelas coisas tinha funções, que elas não estavam ali só expostas como as do resto daquele edifício, que não era só a mesma coisa, só que em algumas salas o que se devia fazer era olhar e não tocar, e nos outros tipos de sala era preciso desejar, pegar, ter até o fim de comprar. certas coisas triviais não são evidentes, ainda mais se você cresce e vive meio alheia, o que é um profundo modo de estar presente. não sei se profundo, ou se aquático. enfins, os postais. 
os beatles ali em cima, o adesivo da campanha do lula, a billie holiday,  o lacan, o wilde, o che, o james dean, oxum, o bandido da luz vermelha, a marylin do cartão que minha irmã me deu junto com o primeiro sutiã que ganhei, a cruz vermelha ao canto era uma propaganda da igreja universal que eu ganhei na consolação e morri de rir, alguma iconoclastia também em maria dando palmadas no menino jesus, um pássaro sozinho voando, lirismo, umas palavras, entre elas: poemas.
vi outras fotos desse quarto e me lembrei que eu tentava estudar latim. e eu não tinha um quarto de alguém que fosse conseguir.
depois comecei a pasta seguinte de fotos e vi que foram as últimas fotos que tirei nesse quarto, provavelmente porque já o estava deixando pra trás. e confiei em poder confiar em alguém que dez anos atrás tomava esse cuidado já, de fotografar também os lugares para lembrar.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

de mal bem dizer

5.

Saberem-se errados, turvos, iludidos, desmascarados
não faz de vocês pessoas melhores ou mais reais.
A infelicidade, a tormenta, o vício, as fezes
não fazem de vocês pessoas melhores ou mais reais.
As desculpas, as explicações, quaisquer intenções
não fazem de vocês pessoas. Fazem de vocês, vocês
estarem errados, turvos, iludidos, desmascarados
infelizes, atormentados, viciados, cagões,
desculpados, explicados, intencionais,
vivos. E não sozinhos.
Mas quem não sabe de nada disso
Mas quem sabendo de tudo isso
confunde-se ao ponto de se achar
achado, melhor e vivo
está sozinho. E, bem,
nem os mortos
estão sozinhos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

miu

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segunda dentição

hoje eu estava carregando um livro de 700 páginas na chuva
eu vinha abraçada no livro que eu ganhei
com um guarda chuva aberto
uns dois quilometros
eu abraçada no livro ainda embalado
meu pulso controlando a cãibra
por conta do chapéu de chuva
daí meio quarteirão de casa
eu enfiei o pé direito num laço de um resto
de um resto de laço de fechar caixa
e aquilo deu um bambolê num pé
noutro pé aquela circularidade
presa. caí
me es pa ti fei
a perna esquerda atrevessou uns metros de água
e o livro andou uns poucos centímetros
de tão grande que ele é
depois pensei que eu podia ter quebrado um pulso
eu podia ter quebrado um poste
mas não quebrei não.
vai ser numa cárie não na bacia
quebrada que a maturidade
vai cair em mim
dessa vez.

patrícia me deu

CONTROLO PARENTAL

Não leias horácios, meu filho, lê horários:
são mais exactos. Abre as cartas marinhas
antes que seja tarde demais. Alerta, e não cantes.
Virá o dia em que eles pregarão listas
na porta outra vez e marcarão com sinais no peito
todos os que dizem não. Aprende a passar despercebido,
aprende mais do que eu aprendi: a mudar
de residência, de passaporte, de cara. Torna-te
erudito nas pequenas traições e nas escapatórias
sujas do dia a dia. As encíclicas
são boas para atear o fogo,
manifestos: embrulhar a manteiga e o sal
para aqueles que não se podem defender a si mesmos. São
precisas raiva e paciência
para soprar nos pulmões do poder
a poeira letal
finalmente moída por aqueles que aprenderam muito
e são exactos, por ti.

- Hans Magnus Enzensberger
(tradução de Américo António Lindeza Diogo)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

o que o flexível ensina para o que não se dobra

havia, no canto da sala, um sujeito que era a própria violência, barulhento e desperdiçado nos seus gestos. na sala pairava um clima que desejava que o violento se calasse, que parasse, que respeitasse, que se tocasse, e demorou demorou. então um homem se levantou e foi até ele. e enquanto os outros esperavam que chegasse a polícia, a escola, a mãe, o pai, que viesse o não, o homem chamou o violento pelo seu nome três vezes, até que ele respondeu, e o homem então lhe disse: "você deve descansar". só então eu percebi que desejava que a violência acabasse com violência. e não. o um homem sabe como são as coisas. presto minhas homenagens.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

tempo

fui procurar um poema sobre são paulo que escrevi em 1999 e é dos primeiros que tenho memória de ter escrito e ainda lembrar dele; afinal encontrei um arquivo com 25 páginas de poemas escritos antes de 2001. impressionante já me ver lá naquela voz, ler que é a mesma voz, mas eu queria o quê? que a voz fosse outra? é que a vida muda tanto, tanto. e eu me exercitava mais nas ideias dentro dos poemas do que hoje, por exemplo escrevendo poemas de estrutura formal similar, em que um defendia num o frio, no outro o calor. ou em um a noite, no outro o dia. 
mas era ainda uma ligação moral entre essas coisas. carol falou que o fellini falou que associar de imediato mal e escuro, bem e luz é uma moral. carol é um gênio, federico de capricórnio, daí já viu: grudou-lembrei.
hoje fui procurar o esboço de um poema sobre são paulo, que escrevi dois meses atrás no meu diário, mas quem disse que eu encontrei o diário? deixa que eu te diga, tive que abrir os mais ou menos 20 cadernos dos últimos 4 anos, e de todos perceber que não eram o que eu procurava. repentinamente, agora penso que será a contribuição pra gratuita número 2, a minha. e que como tudo, terá de ser construído gradualmente, assim portanto não o encontrei. mas achei o começo do poema que eu tinha escrito ontem, só que num caderno de 2 anos atrás. pra além de ter um novo poema reitegrando partes de uma mesma sensação sobre a NOITE, encontrei no começo de um caderno de 2011 essa pérola:
"vocês não acham que sorte haverá? o meu avô foi o primeiro a abrir os matos? ele conhecia as ervas da floresta, da selva, as ervas do mato mesmo. 
(Portugal está me levando aos meus avós?)
deixa a mandíbula solta que chega até o vovô num espeto. agora que notei que vou fazer um caderno editado dos meus diários"

::
só no meio de 2013 é que comecei o arquivo "a história do meu avô".

::

saturno é tão literal: estrutura & nem pense em atravancar os meus ossos, que eles estão a se deslocar de lugar. preciso voltar e ver não aqueles dois quartos vazios, mas aqueles quartos cheios não de ossos. cheios de ternuras, entendimentos. a ternura que é o entendimento. 
o nome do arquivo da minha adolescência, do livro que eu pensava reunir na altura é "tentativas em um acaso", destilei do acaso para o destino e me vi mais fidedigna, por enquanto, no agora.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

da nova vida

não se abandone. se entregue.

sábado, 9 de novembro de 2013

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a casa dos nietzscheanos