Summer Flora
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Bonnington Square
Vauxhall, London

Mar de Copacabana

Acho que finalmente chegou a hora de realizar meu sonho de idosa e morar numa quitinete em Copacabana. Já pensou? Poder andar pra drogaria Venâncio, pro Hortifruti, Pão de Açúcar e demais supermercados de velha classe média, pagar mil reais de condomínio em 40m2 só pelo elevador com uma cozinha tão microscópica que eu viveria de snacks, girl dinner e cafezinho na padaria, zero vaga de garagem pra ir a pé ou de metrô pra todo canto (ou pegar um uber safado por semana) e ter a possibilidade de ir sentar na areia e olhar o mar de manhã bem cedinho logo após o nascer do sol e em noites quentes de verão. THE UNBRIDLED JOY. Só me falta o dinheiro. E a viuvez, porque meu marido prefere ser empalado por um vergalhão incandescente do que sequer cogitar a hipótese de morar no rildy.

Falando em Copacabana, lembrei da Madonna e a única tour que assisti ao vivo - The Girlie Show. A bicha no auge, a cidade em clima de madonamania, as lojas da rua da Alfândega vendendo camisetas nada oficiais e ver ela entrar no palco com máscara de dominatriz depois de passar o dia inteiro galhofando na fila com 3 amigos segurando copão temático da turnê e comprando toda a sorte de quinquilharia pirata dos camelôs. Um calor de passar mal na hora do funil pra entrar no estádio (acabamos perdendo a passagem de som porque o povo que chegou em cima da hora furou a fila, rs) eu literalmente passando meio mal e meus amigos soprando a minha cara pra eu não morrer de insolação - tudo isso seguido de, sei lá, duas horas dançando e cantando como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Tudo era possível no começo dos anos 90. Essa época da minha vida just cannot be topped.

Love is the drug and I need to score
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Let there be lights
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Aproveitando os últimos momentos dos dias mais curtos para curtir minhas velas; daqui a breve só vai anoitecer depois das nove. Don’t you love seasons? I do.

You were dancing through the lightning strikes.

Li no Sunday Times que o vídeo de Opalite da Taylor Swift foi gravado no shopping Whitgift de Croydon. Ela estava procurando um lugar que parecesse ter parado no tempo e, quem diria, foi achar justamente essa pérola dilapidada no bairro mais visualmente prejudicado do extremo sul de Londres. As swifities que eventualmente decidam se aventurar numa peregrinação ao local de interesse fandonzístico não estão preparadas para o nível de feiúra. Um ditado recorrente é de que em Croydon os pombos voam de cabeça para baixo porque não há nada lá embaixo que valha a pena cagar em cima.

(A não ser, talvez, a Kate Moss. A Kate Moss nasceu em Croydon. Mas assim como todo morador de Croydon que ganha algum dinheiro, vazar de Croydon foi a primeira coisa que ela fez. Até porque se a lenda procede ela seria o único alvo dos pombos - unpleasant).

O Whitgift era a minha parada de escolha pra fazer xixi e tomar um café no meio do caminho enquanto eu ia da minha casa na zona 4 da cidade até o condado de Surrey usando apenas ônibus municipais - ou seja, era praticamente o Graal londrino. Todas as vezes que o ônibus parava em frente eu descia meio incerta, sem saber se o shopping ainda existia porque a cada visita mais e mais lojas tinham fechado as portas.

A energia fortíssima de decadência emanava dos corredores desertos, das vitrines cobertas com compensado ou jornal para esconder prateleiras vazias e o desarranjo empoeirado do interior. Alguns adolescentes faziam manobras de skate por entre stands abandonados, outros fumavam vape na praça principal sentados no antigo chafariz - que encheram de terra para virar jardim depois que parou de funcionar e agora servia de jazigo para plantas defuntas. Mas ainda resistia o banheiro (onde eu tinha um certo medo de entrar sozinha) e uma filial do Costa Café pra tomar um flat white sentada numa mesa de fórmica bege.

Assisti o vídeo e reconheci as escadas rolantes, o átrio e o piso de xadrez, mas todo o resto parecia um pesadelo neon de IA. Lembrei também que da última vez que estive em Croydon fiz um post no instagram brincando com a falta de carisma estético do lugar e uma seguidora brasileira, que aparentemente morava lá, me mandou a seguinte mensagem (alerta de fofura): “Sabia que Croydon é a localidade com mais esfaqueamentos em Londres? Cuidado quando voltar por aqui, você pode acabar com a cara cortada”.

Ui. Depois que me jogaram essa fatwa nunca mais pisei no bairro - mas foi pura coincidência, juro. Tanto que estou planejando uma visita motivada por nostalgia e pelo hype do vídeo da Paquita da Pensilvânia para circular por aquele liminal space e pagar £4 num café ralo torando Opalite no fone de ouvido. Por via das dúvidas usarei óculos escuros e não avisarei com antecedência.

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First Blossoms

Walking around Notting Hill to see the magnolias and early blossoms but sadly the light wasn’t great and my husband decided to spent three hours sitting in a mid restaurant (we had only stopped for a snack) and by the time we left it was already getting dark.

Also, why do the instagrammers spend so much time taking pictures of themselves under a tree? Just get a good shot and leave, don’t hang around there with your photographer/instaboyfriend for a whole hour spoiling the backgroud for everyone else. I gave up trying to get a good photo because the place was so crowded. If you couldn’t produce a good photo in 5 minutes then you probably never will.

2000s nostalgia
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Remembering when blog posts used to be about showing stuff you loved and bought yourself, not stuff you didn’t care about but were paid to promote. Blogging used to be about connection and creating community; now it’s just another job and the community people nurtured and gathered around them for a whole decade or more turned into a database of paying customers. Kinda takes the shine out of it.

Most of my favorite blogs from the 00s/10s are now deceased or became paid Substacks. I might enjoy someone’s content, but I’m too old school (and maybe poor) to pay to read their diary - or worse, to see them flogging brands; it’s like paying to watch adverts. Sites that used to proudly display the “ad free blog” sign you can still see on my sidebar are now behind paywalls.

All this came to be with the advent of social networks. Suddenly everyone with an audience realized they could make a living out of it and get free stuff, and how can you blame them for that? I’m not going to. This is just a lonely lament for something beautiful that’s been lost.

I am not much of a blogger anymore, but I keep this place alive for the pleasure of memory keeping and as a small act of resistence against social media algorythms and consumerism. People have bills to pay, yes, but I wish there would still be a few ones with a day job for that purpose, blogging occasionally and unpretentiously just to be part of an unfiltered global conversation between like minded people, unpolluted by corporations and inspired by the joy of sharing.

This world is now gone, or is nothing but a few pages with broken links rescued by the Wayback machine, like exhibits slowly fading behind glass in a museum no one visits anymore.

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Home is where the crap is.

Vicar’s Close, Somerset
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Vicars’ Close (na cidade de Wells, em Somerset) é uma ruazinha sem saída da época medieval notavelmente preservada e tida como sendo a mais antiga rua residencial continuamente habitada da europa.

Construída no século XIV para abrigar os cantores do coral que servia à Catedral de Wells, a rua mantém praticamente intactas suas casas de pedra calcária - além de uma capela e um salão, conectados à Catedral através de um pórtico. A construção começou em 1348 sob o comando do Bispo Ralph de Shrewsbury, originalmente com 42 casas. Posteriormente algumas foram unidas e hoje o endereço conta com 27 casas de pedra calcária tombadas como patrimônio histórico, uma capela, biblioteca, tesouraria e refeitório, todos conectados à Catedral.

Na época vitoriana muitas das casas tiveram as pequenas portas e janelas trocadas por versões maiores e modernas a fim de deixar os cômodos mais iluminados, mas ainda se pode encontrar alguns exemplos originais:

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As casas continuam sendo utilizadas para a sua finalidade original de oferecer moradia aos componentes do coral de Wells, enquanto nos permitem um raro vislumbre da vida medieval.

Visitei a rua pouco antes de voltar para Londres depois do fim de ano em Somerset; infelizmente estava sem a câmera e com alguma pressa, mas quero voltar com mais calma para explorar melhor essa preciosidade.

Just a Little Haul
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Janeiro e meu aniversário se fueron e aqui estou, de volta à minha tentativa de alimentação saudável, exercícios leves, leituras em dia, journaling constante e aulas de html e italiano. Provavelmente falharei em todos esses planos e lá pelo meio do ano começarei a entrar em pânico, mas assim é a vida da mulher hedonista sem força de vontade ou palavra. ESCOLHAS.

Para dificultar ainda mais o projeto “new year, new me” estou tentando também exercitar o juízo financeiro e economizar, porque existe a possibilidade de ir ao Rio em junho/julho e prevejo a farra no débito: feijoadas, ubers, chinelos Kenner e talvez até mesmo um booking ponto com nalgum muquifo central porque a idéia de passar 30 dias aturando o mau humor e a grosseria da minha genitora dia e noite não me parece tão deliciosa.

Ainda assim me vali do pequeno budget mensal reservado às frivolidades (não só de austeridade e sensatez vive o homem) e após singela passada de rodo nas lojinhas locais eis o meu humilde espólio: skincare em tons pastéis.

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Nada disso realmente presta, mas em compensação nada disso custou mais de duas libras e vai ficar bonitinho na minha mesinha de maquiagem (existe um sinônimo moderno para penteadeira?)

E aqui as compras na loja física da Kenji:

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O ursinho é um adesivo bordado que vou usar para decorar a capa do planner. Os adesivos de estrela eu já tinha iguais, mas comprei novamente porque são perfeitos e vou usar bastante. Também não resisti à cartela com tema de floresta, mini cogumenos e esquilos vermelhos e minha religião não me permite deixar para trás um adesivo de cherry blossoms.

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Eu precisava de borrachas novas (as minhas não apagavam nada e só sujavam o papel) e como esse coelho de bochecha rosa estava lá acabou vindo junto. E ainda trouxe um refil.

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Por aqui começamos o jury duty, as aulas de html e estou aos poucos tentando dar cara nova aos meus cafofos virtuais. Já me desconectei do site anteriormente conhecido como Twitter, deletei o TikTok no celular e uso cada vez menos o Instagram, então esse deverá ser o ano do retorno da web 1.0, da web indie moleca de várzea que não nos deixa viciados em shots de dopamina digital de baixa qualidade, criando relações parassociais com estranhos e com o foco estourado.

Estamos em fevereiro e já estou terminando o terceiro livro; parece pouco, mas pra quem leu dois livros em TODO O ANO DE 2024 eu vou pedir licença para declarar SUCESSO.

Hopefully my life will fall back into rhythm soon.

Royal China
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Queria comer dim sum e decidi pelo Royal China de Canary Wharf. Por um lado a idéia foi boa porque era a locação mais legal entre as opções que eu tinha - sou do time que acha Canary Wharf um lugar bonito, sorry not sorry. Por outro não foi tão bom assim porque a comida estava estranhamente horrível. Tudo coberto por uma substância meio gelatinosa e com gosto de peixe - mesmo quando não era peixe. Nauseante. Não comi quase nada e olha que eu como até pedra. Ele trouxe as sobras pra casa, mas eu não vou tocar naquilo, sorry.

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Depois andamos até o The Grapes, que estava lotado. Achamos um sofá gostosinho pra sentar no andar de cima, mas o povo pedindo comida fedida naquele espaço fechado me deixou enjoada. O lugar é mesmo uma graça, eu totalmente o transformaria numa mini casa de frente pro Tâmisa - mas felizmente eu não tenho dinheiro pra comprar o pub do Ian McKellen porque sequer concordo com a destruição de pubs.

Passamos no Waitrose de Upminster onde comprei um red velvet pra comer em casa e bebi vinho. There goes the saturday. And january too.

With glass around me and grass on me.
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canary wharf on a sunny saturday.

Temu haul
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Chocada com esse batom da Mercilen (marca chinesa, nunca ouvi falar). Saí, comi e bebi e ele se manteve intacto; precisei esfregar a boca com água micelar duas vezes pra conseguir remover. Também gostei da cor e essa embalagem é a pura riqueza cafona chinesa trabalhada no vermelho e dourado. Nota 10.

Já o pequenino que parece um bolo decorado (não sei a procedência, não tinha nome da marca; talvez seja cópia chinesa de alguma beauty brand coreana) tem uma pigmentação bastante sutil. Talvez um pouco sutil demais para a cor dos meus lábios, mas a textura aveludada garante uns pontos de boa vontade. Fora que é lindo assim e a minha “makeup desk” (porque falar PENTEADEIRA entrega a idade) agradece o ornamento.

you blew me up like a big balloon
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