<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><description>ISSN 1983-2621</description><title>Zunái - Revista de Poesia e Debates</title><generator>Tumblr (3.0; @revistazunai)</generator><link>https://zunai.com.br/</link><item><title>ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES - Volume 4 Número 2 - Fevereiro 2019</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-height="800" data-orig-width="522"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/e0693cce5e7a6618458a6f4750374362/tumblr_inline_pmqg1hSyUT1s5jm5w_540.jpg" data-orig-height="800" data-orig-width="522"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719342403/o-ovo-da-serpente" target="_blank"&gt;Editorial Volume 4 Número 2: O ovo da serpente&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719337958/o-cinema-para-ciclopes-de-andr&amp;amp;eacute;ia-carvalho-gavita" target="_blank"&gt;Entrevista: O cinema para ciclopes de Andréia Carvalho Gavita&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719336278/o-genoc&amp;amp;iacute;dio-ind&amp;amp;iacute;gena-no-brasil" target="_blank"&gt;Especiais: O genocídio indígena no Brasil&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719330428/galeria-1-alessandro-mistrorigo" target="_blank"&gt;Galeria 1: Alejandro H. Mestre&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719321668/galeria-2-francisco-dos-santos-parte-1" target="_blank"&gt;Galeria 2: Francisco dos Santos&lt;/a&gt;  | &lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719321668/galeria-2-francisco-dos-santos-parte-1" target="_blank"&gt;parte 1&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719319583/galeria-2-francisco-dos-santos-parte-2" target="_blank"&gt;parte 2&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719312868/manuscritos-de-alexandria-claudio-daniel" target="_blank"&gt;Prosa: Manuscritos de Alexandria: Claudio Daniel&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tradução:&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719309293/torre-de-babel-1-wang-wei" target="_blank"&gt;Torre de Babel 1: Wang Wei por Chiu Yi Chih&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719307188/torre-de-babel-2-kim-ki-taek" target="_blank"&gt;Torre de Babel 2: Kim Ki-Taek por Yun Jung Im&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719303953/torre-de-babel-3-robert-creeley" target="_blank"&gt;Torre de Babel 3: Robert Creeley por Flávia Rocha e Claudio Daniel&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719302053/torre-de-babel-4-jonathan-swift" target="_blank"&gt;Torre de Babel 4: Jonathan Swift por Thaís Fernandes&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Poesia:&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719299188/esculturas-musicais-1-fernando-aguiar" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 1: Fernando Aguiar&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719292863/esculturas-musicais-2-ant&amp;amp;ocirc;nio-moura" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 2: Antônio Moura&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719290798/esculturas-musicais-3-jorge-arrimar" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 3: Jorge Arrimar&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719289453/esculturas-musicais-4-scheila-sodr&amp;amp;eacute;" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 4: Scheila Sodré&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719287813/esculturas-musicais-5-armando-roa-vial" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 5: Armando Roa Vial&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719284808/esculturas-musicais-6-le&amp;amp;oacute;n-f&amp;amp;eacute;lix-batista" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 6: León Félix Batista&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719283168/esculturas-musicais-7-rodolfo-hasler" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 7: Rodolfo Häsler&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719280973/esculturas-musicais-8-roberto-echavarren" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 8: Roberto Echavarren&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719279338/esculturas-musicais-9-charles-perrone" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 9: Charles Perrone&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719276993/esculturas-musicais-10-diana-junkes" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 10: Diana Junkes&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719275903/esculturas-musicais-11-l&amp;amp;iacute;gia-dabul" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 11: Lígia Dabul&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719274593/esculturas-musicais-12-noku-doi" target="_blank"&gt;Esculturas Musicais 12: Noku Doi&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ensaios:&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719272323/perisc&amp;amp;oacute;pio-1-a-poesia-japonesa-formas" target="_blank"&gt;Periscópio 1: A poesia japonesa: formas estruturais e referências culturais - por Claudio Daniel&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719269928/perisc&amp;amp;oacute;pio-2-a-outra-voz-o-outro-caminho-para-a" target="_blank"&gt;Periscópio 2: A outra voz: o outro caminho para a poesia - por Paulo Ferraz&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719264808/perisc&amp;amp;oacute;pio-3-o-julgamento-non-sense" target="_blank"&gt;Periscópio 3: O julgamento non sense - por Myriam Ávila&lt;/a&gt;  &lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719262683/perisc&amp;amp;oacute;pio-4-lu&amp;amp;iacute;s-serguilha-o-onomaturgo" target="_blank"&gt;Periscópio 4: Luís Serguilha: o onomaturgo - por Fernando de Castro Branco&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719258788/perisc&amp;amp;oacute;pio-5-males-secretos-de-virg&amp;amp;iacute;lio-atonia-e" target="_blank"&gt;Periscópio 5: Males secretos de Virgílio: atonia e degradação em Belém do Grão Pará, de Dalcídio Jurandir, por Jonathan Pires Fernandes&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719254473/perisc&amp;amp;oacute;pio-6-o-di&amp;amp;aacute;rio-dos-outros-a-escrita" target="_blank"&gt;Periscópio 6: O diário dos outros: a escrita poética de Ana Cristina César - por Rebecca Falcão Serrão&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719251363/opini&amp;amp;atilde;o-cadernos-da-palestina" target="_blank"&gt;Opinião: Cadernos da Palestina&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719413453</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719413453</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:04:08 -0500</pubDate><category>sumario zunai vol4num2</category></item><item><title>O ovo da serpente</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;Editorial Volume 4 Número 2&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="702" data-orig-height="720"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/c9a7ea3ebce95e7158481c05b03e4898/tumblr_inline_pmqcm20bBc1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="702" data-orig-height="720"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Charge em jornal francês&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde o golpe de estado de 2016, que derrubou a presidenta
legítima do Brasil, Dilma Rousseff, eleita com 54 milhões de votos, por um
movimento de direita liderado pela grande imprensa – sobretudo a Rede Globo de
Televisão – e pelo Judiciário, teve início a implantação de um regime
autoritário no Brasil, sustentado por grandes empresários, proprietários
rurais, banqueiros, militares, pastores neoevangélicos e setores da classe
média alta. A prisão sem provas do ex-presidente Lula, do Partido dos
Trabalhadores (PT), e a  vitória de Jair Bolsonaro, ex-capitão do
Exército, defensor da tortura praticada na ditadura militar, nas eleições
presidenciais de 2018, deram a esse regime autoritário uma coloração
semifascista. É possível verificarmos várias afinidades entre os métodos
violentos e o discurso de ódio de Jair Bolsonaro com os de Franco, Hitler ou
Mussolini, mas há também diferenças importantes. Se a ideologia é similar –
negação da diversidade sexual e dos direitos sociais, anticomunismo,
antifeminismo, irracionalismo, afirmação da supremacia masculina, branca,
cristã e heterossexual, defesa de valores tradicionais em relação à família e à
religião, “nacionalismo” (ainda que caricatural) – e também as práticas de
intimidação violenta, o projeto econômico do líder autoritário brasileiro é
muito diferente. Os regimes fascistas clássicos europeus estavam baseados
no modelo do estado nacional forte, para fazer frente ao hegemonismo
anglo-americano nos campos econômico, político, cultural e militar; havia
intervenção estatal direta na economia e algumas concessões foram feitas aos
trabalhadores, como a Carta del Lavoro, na Itália, em nome de uma unidade de
classes em defesa da “raça” e da “nação” contra a “ameaça comunista”.  Já
o modelo bolsonazista vai em outra direção: defensor do “estado mínimo”
neoliberal, pretende extinguir os direitos trabalhistas e previdenciários,
permitir que as empresas privadas explorem os trabalhadores sem qualquer tipo
de proteção legal aos assalariados, eliminar qualquer barreira protecionista,
abrir o mercado brasileiro para o grande capital internacional, privatizar
bancos públicos (responsáveis por programas sociais e projetos de
desenvolvimento), entregar nossas riquezas naturais – como a Amazônia e as
reservas de pré-sal – a investidores estrangeiros, cortar drasticamente os
investimentos públicos em educação, saúde, ciência, tecnologia, esportes, além,
é claro, de golpear fortemente os sindicatos, movimentos sociais e partidos de
esquerda, até colocá-los na ilegalidade, utilizando para isso a bizarra lei
antiterrorismo e a força policial-militar, incluindo os métodos da tortura
e do assassinato de opositores. O obscurantismo do novo regime, cujo principal
ideoleógo, o radialista e astrólogo Olavo de Carvalho (que se apresenta como
“escritor” e “filósofo”), acredita que a terra é plana – inclui ainda a
retomada das terras de índios e quilombolas para a atividade econômica, a
legalização da posse de armas e da prática da caça, o desrespeito ao meio
ambiente, a restrição xenofóbica à entrada de imigrantes no Brasil e a retirada
do país de acordos internacionais em relação ao meio ambiente e ao clima (questões
consideradas pelos novos detentores do poder como formas de “marxismo
cultural”). No campo da educação, o novo regime defende a redução orçamentária,
a privatização de universidades públicas, o fim das cotas para
afrodescendentes, o ensino à distância desde o fundamental e ainda a extinção
de cursos de humanidades, a censura  aos
professores, o fim da aplicação do método Paulo Freire, o controle ideológico
da bibliografia educacional, a concessão de bolsas de mestrado e doutorado de
acordo com o perfil político de cada estudante, entre outras práticas ditadoriais.
A implementação desse projeto, evidentemente, só será possível pela destruição
do estado democrático de direito e sua substituição por uma ditadura
militar-policial. Claro, tudo com as bênçãos dos pastores neoevangélicos do
chamado “sionismo cristão”, que colaboram com a disseminação de preconceitos
contra negros, mulheres, gays, índios e outros setores sociais e fazem o
proselitismo político direto pró-Bolsonaro em seus “templos” e emissoras de
rádio e televisão. A brutalidade neofascista (ou semifascista) brasileira está
a serviço de um neoliberalismo radical, com vestimenta messiânica, que abre mão
da soberania do país, inclusive oferecendo nosso território para bases militares
dos Estados Unidos, para atender aos interesses da grande burguesia imperialista.
Neste sentido, o que se passa no Brasil está mais próximo do que ocorre no
Leste Europeu, e em particular a Ucrânia, após a queda do bloco socialista e
sua substituição por regimes autoritários de direita. Com os Estados Unidos
liderados por um gorila como Donald Trump, Israel por Netanyahu, o Brasil por
Bolsonaro e a possível vitória da Frente Nacional na França, o mundo viverá um
longo período de trevas. &lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Claudio&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Daniel&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Links com exemplos da violência praticada no país pelos
adeptos de Bolsonaro:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2y4nMTm" target="_blank"&gt;CAPOEIRISTA é morto com 12 facadas por
eleitor de bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://glo.bo/2INUOvi" target="_blank"&gt;PROFESSOR é ameaçado de morte por eleitores de
bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2y2Thxd" target="_blank"&gt;GAY é morto em Curitiba por eleitor de bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://glo.bo/2ykZUu4" target="_blank"&gt;JORNALISTA é agredida e ameaçada de estupro, por eleitores
de bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2yqQBIY" target="_blank"&gt;ELEITORES de bolsonaro postam fotos com armas nas
urnas&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2pGhlkQ" target="_blank"&gt;IRMÃ DE MARIELLE É AGREDIDA, COM A FILHA, por eleitores de
bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2C1ZEDM" target="_blank"&gt;JOVEM É AGREDIDO por estar vestindo vermelho, por eleitores
de bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2IHKViu" target="_blank"&gt;MILITANTE é agredida por eleitor de bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://glo.bo/2MAXod0" target="_blank"&gt;FUNCIONÁRIA da campanha de Boulos é amaçada com arma por
simpatizantes de bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2QuTxfe" target="_blank"&gt;CACHORRO é morto em carretata, por eleitores de
bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://bit.ly/2zYEViO" target="_blank"&gt;JOVENS SÃO EXPULSOS de condomínio por eleitores de
bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719342403</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719342403</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:01:07 -0500</pubDate><category>editorial vol4num2</category></item><item><title>O cinema para ciclopes de Andréia Carvalho Gavita</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;por Claudio Daniel&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-height="2748" data-orig-width="3664"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/9569b5a29d58c5ba6307360cf92ca9ff/tumblr_inline_pmqfn23t4T1s5jm5w_540.jpg" data-orig-height="2748" data-orig-width="3664"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Andréia Carvalho pesquisa tradições mitológicas ocidentais
e orientais, incorporadas em sua poesia de maneira bastante criativa, ao lado
de referências das artes visuais, da música e do cinema. A escrita poética da
autora curitibana revela uma sensibilidade e um imaginário que nos fazem pensar
em certa poesia simbolista de Santa Catarina e do Paraná, especialmente em
autores ainda não devidamente incorporados ao cânone, como Ernani Rosas
(1886-1955), Dario Vellozo (1869-1937) e Gilka Machado (1893-1980), mais
afeitos à dicção demoníaca de um Rimbaud e à escrita cifrada de um Mallarmé do que
à suavidade melódica de Verlaine. A ressonância do inquieto signo luciferino
permeia a obra da autora, especialmente em seu livro de estreia, &lt;i&gt;A cortesã do infinito transparente&lt;/i&gt;
(2011),&lt;i&gt; &lt;/i&gt;onde encontramos inusitadas
sinestesias, como estas: “Mineralizar a lágrima / Fazer-se rútilo / Vibrar além
da tua sangria / Pelas ervas, pelas especiarias / Com a estatura do musgo, /
dos fermentos, / do sedimento”. Em outra composição, escrita na forma do poema
em prosa (gênero inaugurado por Baudelaire), lemos uma quase profissão de fé,
entre imagens da mais excêntrica teratologia: “Tenho visões com miríades de
seres que pulsam do imaginário. Vegetais, minerais e animais caminham pelo
sangue. Entram pela retina e saem pelas mãos: letras e imagens. Depois que
sangram não se sabe onde está o mineral, o vegetal e o animal. Carregam no
ventre a sagrada comunhão das ossaturas fantásticas, com plasma de ninfa e
sílica e olhos andróginos”. A alquimia verbal da autora prossegue em seu
segundo título publicado, &lt;i&gt;Camafeu
escarlate&lt;/i&gt; (2012), que apresenta um título deliberadamente arcaico, como se
ela intentasse buscar um timbre que remetesse à segunda metade do século XIX,
aos insólitos logradouros onde Baudelaire e Jeanne Duval degustavam ópio ou
absinto. A voluntária imersão nesse universo cultural não significa que a
poesia de Andréia Carvalho seja passadista ou paródica, no sentido do
pós-moderno, muito ao contrário: ela não imita formas literárias clássicas,
como o soneto, não escreve versos metrificados ou rimados nem utiliza um vocabulário
anacrônico, elementos visíveis na poesia de outros autores que dialogam como o
simbolismo, como o carioca Alexei Bueno. Andreia Carvalho pratica, nesse
conjunto de poemas, uma escrita concisa, emprega quase sempre letras em caixa
baixa e elimina os sinais de pontuação, recursos frequentes nos poetas jovens
mais próximos da arquitetura minimalista. No poema de abertura de &lt;i&gt;Camafeu escarlate&lt;/i&gt;, por exemplo, lemos
estas linhas: “onde estavas / quando eu / afundava a terra / no lago de nadas
//na ejaculação dos signos rútilos / nos fósseis auto-retratos // não espelhos,
vidros / sentenças do convalescente átrio / não arco-íris, serpente / e vitrais
de escamas / a água coagulada”. Notável, nesta peça, a descrição do ausente por
uma sucessão de negações, que avançam até surgir “um rosto sobre o abismo / de
trevas”. A lírica da negatividade, associada aos temas da solidão, da memória,
da angústia, da infância e do sonho atravessa o livro, construindo as mais
inusitadas imagens e metáforas, como lemos nestas linhas: “há a criança /
vermelha / no sótão coágulo / da memória / (&amp;hellip;) / onde não volto mais /
escorpiões / vagueiam pelos dentes do leão”, que nos faz pensar na fúria
semântica da melhor poesia portuguesa da atualidade, a vertente hermética de um
Herberto Helder, outra referência marcante na lírica da autora. &lt;i&gt;Grimório de Gavita&lt;/i&gt; (2014), seu livro
mais recente, reúne poemas em prosa escritos antes das peças que integram seus
dois primeiros livros publicados e apresenta, já no título, a presença do livro
de magia (&lt;i&gt;grimório&lt;/i&gt;), associado ao
nome da esposa de Cruz e Sousa, vítima da miséria e da loucura. Em todas as
composições dessa obra encantatória, o registro sinestésico e metafórico e o
recurso da compressão semântica (“estrela-trator”, “sapatos-de-lótus”, “dama-oriax”)
criam uma quase nova língua, regida por uma lógica visual e sonora. Andréia
Carvalho realiza, nesse conjunto de invocações ao lúcifer-da-linguagem, uma das
obras mais perturbadoras e belas da novíssima poesia brasileira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Artigo publicado na edição de
novembro/2014 da revista CULT)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;ENTREVISTA&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Quando você começou a se interessar pela poesia?
Quais foram as tuas primeiras leituras e exercícios literários?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Em 1991 cursava o terceiro ano do segundo grau e as
aulas de português eram insuportáveis, como todas as disciplinas ofertadas por
um colégio que dividia meninos e meninas em alas opostas, e que nos obrigava a
manter a postura em sol escaldante ou frio absurdo enquanto tocavam com volume
terrivelmente alto o hino nacional na hora do intervalo. As aulas de literatura
se misturavam com a obrigatoriedade da educação moral e cívica, da religião e
da horrorosa disciplina de indústria caseira (para meninas). Qualquer conteúdo
repassado era interpretado como castigo dentro do contexto opressor da educação
de uma escola na época. Estudei durante 4 anos com o mesmo professor na
disciplina e minha rebeldia se resumia a não ler o que ele indicava, a escrever
descuidadas redações, e a ficar olhando pela janela do prédio histórico, que
abarcava a verde praça central, enquanto ele tentava ensinar. Lia muitos livros
disponíveis na pequena e precária biblioteca, sobre mitologia, astrologia,
ficção pop ou qualquer outra pauta que não constasse no currículo. Em uma das
últimas aulas, o professor, cansado pelo descaso dos alunos, resolveu soltar o
verbo atacando todos com críticas enquanto entregávamos a última redação.
Disse-me que meu rosto lembrava algo de Clarice Lispector, mas que eu nunca
chegaria aos pés dela, e também acrescentou que eu usava adjetivos demais e
parecia uma cobra estrangulando todas as frases, complicando o que deveria ser
simples. Como vingança resolvi ler &amp;ldquo;A hora da estrela&amp;rdquo; e encantei-me
com a possibilidade da escrita com alta carga poética, aquela que não entrega
facilmente o conteúdo ao leitor. Lembrei das ignoradas aulas sobre Charles
Baudelaire, Augusto do Anjos, Cruz e Sousa e outros clássicos, e assumi que
tinha perdido muito tempo ignorando um conteúdo que poderia me libertar de
qualquer rotina, dificuldade financeira ou salas de aula com cheiro e aura de
naftalina, pois entendi que o ato de manipular o sentido do texto era como um
ritual de mágica ou magia, alterando a realidade. Passei no primeiro vestibular
em seguida, decidida pelo curso de Biologia pela leitura de Charles Darwin, e
alternava os conteúdos acadêmicos com a poesia que não dei atenção durante os
anos de colegial. Escrevia compulsivamente em cadernos baratos tentando tocar
as plantas dos pés de Clarice, pois sua introspecção refletia em muito o que ia
na minha mente e queria mimetizar aquela liberdade pela letra - eu escrevia em
segredo para ela. Era desespero e verborragia adolescente, mas o ato de tentar
escrever me levou a entender o idioma misterioso da poesia como um idioma
mágico. A poesia, justamente pela necessidade de decodificação feita pelo
leitor, combinava com as descobertas de que um ser vivo está interagindo com
todos os outros, pelas trocas energéticas e milhões de combinações atômicas
possíveis. Continuo usando adjetivos demais, espelhando-me na constrição de uma
cobra, sempre complicando o que &amp;ldquo;acham&amp;rdquo; que deveria ser simplificado.
Considero como primeiros exercícios literários a transposição dos
despretensiosos textos de cadernos amarelados para blogs, o que exigia alguma
seleção, correção e “calculada” colagem.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Tua formação em ciências biológicas influencia de
algum modo a tua escrita?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Minha escrita está totalmente relacionada com os
estudos em ciências biológicas e com minha atual profissão em ambiente
hospitalar. Os processos bioquímicos, a evolução da vida em ambiente mutável,
as artimanhas dos animais, a busca pela cura do corpo e a constante necessidade
de amortecimento da dor para sobrevivência, são constantes de maravilhamento e
assombro, e preciso &amp;ldquo;gerar anotações&amp;rdquo; para &amp;ldquo;fixar&amp;rdquo; o
conteúdo com palavras filtradas pelo meu entendimento. A biologia é minha
religião e termos técnicos da área biológica são pura poesia para minha
compreensão. A primeira vez que entendi &amp;ldquo;deus&amp;rdquo; foi quando observei
uma lâmina contendo material biológico em um microscópio - escrevi sobre esta
percepção e continuo escrevendo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Em tua escrita poética, notamos forte ressonância do
imaginário simbolista, das mitologias ocidentais e orientais, da astrologia, da
alquimia, do hermetismo, das ciências biológicas. Comente um pouco essas
referências.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Todas as referências citadas trabalham o verbo para
descrição de signos, gerando outros. A linguagem da biologia, as nomenclaturas
de que se utiliza para descrever a história das espécies orgânicas e
inorgânicas, são cosmologias textuais tão ricas quanto as variantes formas de
eternizar uma ideia pela mitologia. Um palavra arrasta em si mesma milhares de
possibilidades sígnicas. Sigilos, selos e códigos são norteadores das leituras
de minha preferência. Não é movida pelo misticismo a minha ressonância desses
temas, é a riqueza imagética capaz de alterar a percepção acostumada apenas com
a obviedade dos cinco sentidos. Ler uma poesia simbolista ou surrealista tem o
poder de acabar com uma crise de cefaleia, como se me desfizesse um nó
energético emperrado.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Você vive em Curitiba, cidade de poetas simbolistas
como Dario Vellozo e sede do Templo Neopitagórico. Em que medida o cenário
cultural curitibano influenciou a tua escrita?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Ainda em Ponta Grossa, minha cidade natal,
colecionava o curitibano &lt;a href="http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=646" target="_blank"&gt;Jornal
Nicolau&lt;/a&gt;. Quando cheguei em Curitiba, em 1996, escrevi para Wilson Bueno,
pois o jornal interrompia sua circulação. Quem me respondeu foi o poeta &lt;a href="http://zunai.com.br/post/177154741768/esculturas-musicais-3-fernando-jos%C3%A9-karl" target="_blank"&gt;Fernando
José Karl&lt;/a&gt;, que foi um dos primeiros leitores de um blog mantido no anonimato.
Fernando gentilmente comentava meus protótipos de poemas lançados no meio virtual
e seu incentivo em muito me deu coragem para assinar os textos com nome
verdadeiro, além de me encantar com a sua própria escrita, que é potencialmente
&amp;ldquo;magista&amp;rdquo;. Outra coleção curitibana era a &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.euamocuritiba.com.br/coisas-de-curitibano/onde-ir/agendarte-um-ponto-de-encontro-da-arte-com-solidariedade/" target="_blank"&gt;Agendarte
Almanaq&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, criada por 
Gerson Guerra e que publicava escritores curitibanos ou residentes em
Curitiba. Dessa forma, minha mudança para esta cidade foi favorável, pois intuía
que a cidade me faria respirar poesia pela quantidade de autores. Residir em um
local que foi palco para a disseminação do simbolismo no Brasil me fortalece
psiquicamente. Toda vez que desanimo na labuta literária, caminho umas quadras
e tenho uma conversa silenciosa com &lt;a href="https://curitibaneando.wordpress.com/2011/08/20/centenario-do-principe-dos-poetas-paranaenses/" target="_blank"&gt;Emiliano
Perneta&lt;/a&gt;, cujo busto está instalado em um recanto do Passeio Público,
chamado Ilha da Ilusão. Foi neste local que ocorreu a coroação de Emiliano como
príncipe dos poetas paranaenses, em um evento com direito a cartolas e
cerimônias de dândis, formais e ritualísticas. O simbolismo entrou em minha
percepção pela geografia, por simbiose. Sempre que me dizem não entender o que
escrevo, penso no simbolismo e nas suas constantes depreciações por conta da
falta de compreensão de intelectuais &amp;ldquo;modernos&amp;rdquo; e quase digo: é que inspirei-me
e alimento-me em terras simbolistas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; A cortesã do infinito transparente, o seu livro de estreia,
foi publicado em 2011 e revela expressivas metáforas, vocabulário rico, imagens
e sinestesias de uma escrita que investe nos efeitos sensoriais. Como foi o
trabalho de concepção e organização dos poemas deste livro? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; O poeta e tradutor &lt;a href="https://www.wook.pt/livro/amar-o-tempo-das-grandes-maldicoes-luis-costa/22617650?fbclid=IwAR3tNA9VgaV3XwF_h1JmM-2BrxluYSH1dMe0kTxvuGhs3dgO1FCNwwLo2OI" target="_blank"&gt;Luís
Costa&lt;/a&gt; leu meu blog, chamado Hábito Escarlate, e indicou para Claudio
Daniel, que me convidou para participar do &lt;a href="http://lummeeditor.com/site/?s=caixa+preta&amp;amp;post_type=product" target="_blank"&gt;selo
Caixa Preta&lt;/a&gt;, coleção que organizava para a Lumme Editora. No blog tinha
muito material publicado de forma aleatória, mas para o livro preferi reunir os
textos que foram gerados como atividade para a disciplina Produção de Imagem,
do curso de Tecnologia em Produção Multimídia. Os textos tinham o intuito de
legendar imagens produzidas para as aulas de fotografia e manipulação digital.
Minhas &amp;ldquo;legendas&amp;rdquo; foram chamadas de poemas pela primeira vez e foi
uma surpresa, pois acabava de ler o livro &lt;a href="http://www.germinaliteratura.com.br/resenha17.htm" target="_blank"&gt;Figuras Metálicas&lt;/a&gt;,
de Claudio, cujo conteúdo em muito me inspirou para a construção dos exercícios
textuais. &lt;b&gt;A cortesã do infinito
transparente&lt;/b&gt; é meu exercício de colagem entre imagens, focando nas relações
inusitadas entre assuntos díspares, aproximando-os em blocos perceptivos.
Colocar deus e diabo em uma mesma linha, como adjetivos de uma mesma oração,
tem a mesma sensação libertadora de perceber em um microscópio os aglomerados
de células diferentes formando um único tecido. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Camafeu escarlate, publicado em 2012, é um livro
diferente, de arquitetura quase minimalista, apesar da imagética e do vocabulário
que transitam nas fronteiras do surrealismo. Como você definira a tua busca
poética?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Busco sigilações, preciso decifrar e criar códigos.
Preciso também de rituais mágicos e ao escrever um poema sinto que materializo
um pentagrama na floresta. Minha busca poética é a execução da “bruxaria”.
Sigilos são símbolos conhecidos pela literatura ocultista, criados para
facilitar a execução de uma ação. Minha ação é sintetizar toda bagagem de
informações que me impressionam pelo verbo, já que nunca consegui aprender a
tocar nenhum instrumento ou manipular um pincel. &lt;b&gt;Camafeu escarlate&lt;/b&gt; carrega em sua síntese a fase inicial de meu
atual relacionamento amoroso, quando trocávamos as primeiras impressões e
referências e desenhávamos os primeiros sigilos. Camafeu escarlate foi o segundo
livro publicado pelo editor Francisco dos Santos (Lumme), que também escolheu o
título e ilustrou a capa com um dos sigilos criados para um dos poemas. Camafeu
escarlate obteve uma de suas intenções mágicas, pois foi com sua publicação que
obtive auxílio do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da
Cultura do Brasil, realizando seu lançamento em Lisboa, Portugal. Na viagem
conheci a Quinta da Regaleira, em Sintra, e pude (como intencionado) declamar
um poema do livro enquanto caminhava por um antigo bosque de carvalhos e um
poço iniciático. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Grimório de Gavita, publicado em 2014, é um trabalho
diferente dos anteriores, embora o título remeta à amada do poeta simbolista
Cruz e Sousa. Temos aqui uma notável coleção de poemas em prosa, que diluem as
fronteiras entre os gêneros literários e entre verso e narrativa, mantendo o
delírio imagético de seus outros livros. Comente a concepção desta obra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Grimório por gostar de grimórios, que são livros de
anotações de ocultistas: químicos, botânicos, astrônomos, curandeiros. Gavita
pela mulher de Cruz e Sousa, que considero o maior poeta do Brasil, e pelo
conto &lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719312868/manuscritos-de-alexandria-claudio-daniel" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Gavita, Gavita&lt;/i&gt;, do livro Romanceiro de
Dona Virgo, de Claudio Daniel&lt;/a&gt;. Por esses motivos também inseri o nome
Gavita em meu próprio nome literário. Para o livro fiz a junção de textos que
tinha escrito durante vários anos e que estavam dispersos em cadernos e blogs
abandonados. O critério de concepção foi justamente não deter o material em
nenhuma classificação, tanto que não o queria catalogado como Poesia, mas
Francisco dos Santos, o editor, assim o fez. Meu grimório conta com &lt;a href="http://habitoescarlate.blogspot.com/2015/04/prefacio-do-livro-grimorio-de-gavita.html" target="_blank"&gt;prefácio&lt;/a&gt;
escrito por um poeta simbolista vivo, &lt;a href="http://sacrariodasplangencias.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Caio Cardoso Tardelli&lt;/a&gt;,
que, assim como eu, ama o simbolismo e procura divulgá-lo como matéria
essencial para a percepção poética, ainda vivo e pulsante e nunca emparedado
por uma classificação e período literário já (ultra)passado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Comente os seus livros mais recentes, papel leopHardo
e Panfletos de Pavônia:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; &lt;b&gt;papel
leopHardo&lt;/b&gt; faz parte de uma &lt;a href="https://www.coletivomarianas.com/marianas-edicoes" target="_blank"&gt;coleção literária do
Coletivo Marianas&lt;/a&gt;, criado para dar visibilidade à produção cultural de
mulheres. Esse livro foi escrito durante o período em que nos fortalecíamos
enquanto grupo feminista em Curitiba e foi um desafio, já que todo processo de
elaboração e publicação contou com o trabalho de mulheres integrantes, algumas
sem nenhuma experiência com a atividade editorial, como foi meu caso, que
participei na etapa de diagramação. Mas conseguimos coletivamente obter nossos livros
de forma independente, criamos bonitos eventos de lançamentos e comemoramos a
publicação de autoras que nem imaginavam que teriam um livro. Pela ação
coletiva totalmente voltada para o empoderamento da mulher pela literatura,
considero um de meus livros mais ativistas. &lt;a href="https://www.leonella.com.br/produto/137335/panfletos-de-pavonia-autora;-andreia-carvalho-gavita-leonella-editorial-poema-em-prosa?fbclid=IwAR3fFKrtrKQy3z36pwl_Z7ZSomyiqiRxU_vDs9LQJxKoHIyB4bG52Jssmas" target="_blank"&gt;Panfletos
de Pavônia&lt;/a&gt; é uma plaquete que foi publicada pelo selo &lt;a href="https://www.leonella.com.br/home" target="_blank"&gt;Leonella&lt;/a&gt;, de &lt;a href="http://zunai.com.br/post/69332511107/entrevista" target="_blank"&gt;Adriana Zapparoli&lt;/a&gt;,
que é uma das escritoras que mais gosto de ler, pela linguagem elaborada e com
alta carga imagética. Em Panfletos de Pavônia trabalhei com a prosa de forma
libertadora e com temática específica, o envelhecimento da mulher.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Vivemos em uma época da história política do Brasil
de imenso retrocesso nos direitos sociais, em especial das mulheres. Como você
encara as críticas que setores mais conservadores fazem ao que chamam de
“ideologia de gênero” e ao feminismo?  Em
sua opinião, como a poesia pode responder ao discurso da misoginia e da
exclusão?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Encaro as críticas como desespero e falta de
conhecimento e também medo da liberdade que existirá quando a espécie humana
entender que padrões sociais impostos são cabrestos que só favorecem aos
privilegiados. Quanto mais críticas, mais entendo que as pautas
conscientizadoras e libertadoras estão tocando na ferida. O discurso poético
tem sempre muito poder, pois realiza e ativa conexões adormecidas. Líderes
especiais para grandes mudanças sempre citaram algum poema para sensibilizar a
multidão. Poetas sempre estão atentos e costumam dizer aquilo que poderia
passar despercebido. A poesia contemporânea de autoria de mulheres está
respondendo ao discurso de misoginia, pois autoras estão cada vez mais sendo
lidas por suas próprias reivindicações, já que o discurso de que a escrita
delas é menor está sendo pulverizado. Quando se perde o medo imposto por
padrões cristalizados e tendenciosos, o que acontecia quando os cânones
excluíam as mulheres, os negros, os homossexuais, os transgêneros e os
indígenas, a produção que sempre foi (e é) de alguma forma oculta e sabotada
ganha corpo e visibilidade.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Zunái:&lt;/b&gt; Quais são os teus atuais projetos literários?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Gavita:&lt;/b&gt; Recebi o generoso convite de Floriano Martins, que
há 20 anos edita a Agulha Revista de Cultura, compilando fértil material sobre
o surrealismo, para republicar vários de meus poemas em prosa em volume único.
O livro será publicado em e-book e fará parte
da coleção “&lt;a href="https://abraxasloja.blogspot.com/2018/07/editora-cintra-arc-edicoes-catalogo.html" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;O amor pelas palavras&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;”, uma coedição entre Editora Cintra e ARC
Edições, de circulação exclusiva pela Amazon, e também terá uma versão
impressa, com colagens criadas por ele. Penso também em republicar vários
poemas em volume único pela &lt;a href="http://www.fractaleditora.com.br/" target="_blank"&gt;Editora
Fractal&lt;/a&gt;, de Ricardo Escudeiro, que também auxilia a &lt;a href="http://www.editorapatua.com.br/" target="_blank"&gt;Patuá&lt;/a&gt;, editora que publicou meu
livro &lt;a href="https://editorapatua.minhalojanouol.com.br/produto/8587/cilios-prostibulos-de-andrea-carvalho-gavita?fbclid=IwAR1v8lXBfkaxQoE6QufirjzVE0UPpbs5uhkRPAHAoZkXhiyzj7P6xPifaWE" target="_blank"&gt;Cílios
Prostíbulos&lt;/a&gt; em 2018. O livro publicado pela Patuá tem a versão em inglês de
&lt;a href="http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1238" target="_blank"&gt;Samanta
Beduschi Santana&lt;/a&gt;. Um livro é sempre um projeto que materializa a energia de
várias almas afins. Sinto que meus atuais e futuros projetos literários sempre
carregarão em suas intenções a companhia de muitas pessoas que fazem da
literatura o seu ativismo social, conduta política e prática da mística. E
agora estou cursando Gestão Ambiental, para que a floresta seja um recurso
ainda mais vivo e mantido com cuidado e respeito, e isto terá reflexo em
futuros poemas, já que minha escrita é sempre autoficcional. Creio na morte do
autor, mas creio ainda mais no renascimento da autora (aquela que tem a coragem
de assumir-se escritora e escrever sem a preocupação de ser rotulada ou
analisada por regras ainda ineficientes para explicar a autoria de mulheres).   &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719337958</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719337958</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:56 -0500</pubDate><category>Andréia Carvalho Gavita</category><category>Claudio Daniel</category><category>entrevista vol4num2</category></item><item><title>O genocídio indígena no Brasil</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-height="1079" data-orig-width="720"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/f360aa2ebf306c282ee214165d992c65/tumblr_inline_pmqaxjgHUa1s5jm5w_540.jpg" data-orig-height="1079" data-orig-width="720"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://noticias.r7.com/prisma/nosso-mundo/brasil-e-lider-disparado-no-genocidio-de-indios-na-america-latina-24042018?fbclid=IwAR1yYIv7msUoy4qyl0Vva575Xab379_KuMUzzG380uaW3Pklcnph3ej7nhY" target="_blank"&gt;


















Brasil é líder disparado no genocídio de índios na América
Latina&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.google.com/url?q=https://istoe.com.br/massacre-de-indios-pela-ditadura-militar/?fbclid%3DIwAR3PBE_KXz109NLEzyTt26cyZwmyj-ro0h70ekSV1JZJ3f0_2uV-dbk-cws&amp;amp;source=gmail&amp;amp;ust=1547555698763000&amp;amp;usg=AFQjCNG88z9eumXTd_YrhbyerPb1cSL44w" target="_blank"&gt;Massacre de índios pela ditadura militar&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.terra.com.br/economia/governo-bolsonaro-quer-liberar-producao-agricola-em-terra-indigena,86de01902a73b79fc6ba1f66b40701b159jzb1j2.html?fbclid=IwAR1r0qiHYdRJNyLjbk-Wi7cB7abdCXfjeR-DQxx0z3l6usNa4LVTzXTjKSQ" target="_blank"&gt;


















Bolsonaro quer liberar produção agrícola em terra indígena&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://oglobo.globo.com/brasil/governo-prepara-revisao-de-demarcacoes-de-terras-indigenas-quilombolas-pode-anular-atos-anteriores-23345776?fbclid=IwAR1oIhK3c73aWEa9lItgCmqH-ItmbITcpfWHYlsAusPXzJNP4bNFI3cznl4" target="_blank"&gt;


















Governo prepara revisão de demarcações de terras indígenas
e quilombolas e pode anular atos anteriores&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2019/01/05/interna_nacional,1019016/lideres-indigenas-criticam-primeiras-medidas-de-demarcacao-de-terras.shtml?fbclid=IwAR2jy1LBGjGmrGrEDo54a4JCz0qvLmKWnBx7DNrzpII53kVdLHhnDpzburs" target="_blank"&gt;Líderes
indígenas criticam primeiras medidas de demarcação de terras&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://blogdacidadania.com.br/2019/01/carta-dos-povos-aruak-baniwa-e-apurina-a-bolsonaro/?fbclid=IwAR24y9GEVJhgZGq3UUmUqwytidJA7dV7HpdksC2PO-6KWrWK_GpV1aO96Jw" target="_blank"&gt;
















Carta
dos povos Aruak Baniwa e Apurinã a Bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://blogdaboitempo.com.br/2019/01/11/os-ataques-contra-os-povos-indigenas-e-o-novo-padrao-de-dominacao/" target="_blank"&gt;


















Os ataques contra os povos indígenas e o novo padrão
de dominação&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.revistaforum.com.br/ao-menos-19-indigenas-ficam-feridos-em-quatro-ataques-a-reserva-da-tribo-kaiowa-no-mato-grosso-do-sul/?fbclid=IwAR0PMxugm91UcXZ6O-yGTkCYZ1bDJx9Fl1C9QWcATB50weuLh6crBX7mJMo" target="_blank"&gt;


















Ao
menos 19 indígenas ficam feridos em quatro ataques à reserva da tribo Kaiowá,
no Mato Grosso do Sul&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.viomundo.com.br/denuncias/indigenas-dizem-que-nao-vao-entregar-seus-territorios-para-honrar-o-acordo-de-bolsonaro-e-seus-coroneis-leia-a-carta.html?fbclid=IwAR33Lc7KvEaIa7L4EIsOC2aCgp6FXjBxCLSqjAOHVYzaFcEMLZebCYBLmtA" target="_blank"&gt;


















Indígenas dizem que não vão entregar seus territórios “para honrar o
acordo de Bolsonaro e seus coronéis”&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,terra-indigena-proxima-a-construcao-da-usina-de-belo-monte-e-invadida-por-madeireiros-no-para,70002666047" target="_blank"&gt;


















Terra indígena próxima à
construção da usina de Belo Monte é invadida por madeireiros&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.metropoles.com/brasil/terra-indigena-no-para-e-invadida-por-madeireiros?fbclid=IwAR2d8Sz_1CPS-J3KfGhL_hjQpMHSPSjiqaH4gHzKa9fiGuOGJKo8BRrLgVw" target="_blank"&gt;


















Terra
indígena no Pará é invadida por madeireiros&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/10/29/aldeia-indigena-em-pe-tem-escola-e-posto-de-saude-incendiados-indios-temem-novos-ataques.htm?fbclid=IwAR35-r0TnROClAXHDXkhgtHJ_eqlpDl-0BFkRXxOQ_H4L8RE6j5aS6Unhlc" target="_blank"&gt;
















Aldeia indígena em PE tem escola e posto de
saúde incendiados. Índios temem novos ataques&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.cartacapital.com.br/diversidade/indigenas-na-bahia-sofrem-ameaca-de-remocao-e-lutam-na-justica/?fbclid=IwAR3usmAVAiuJPALWodOZ1xAQ24RQ3Na3DDSriLCNqbkzBjKf0hDlCeGAcR8" target="_blank"&gt;Indígenas na Bahia sofrem ameaça de remoção e lutam na
justiça&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://fatoregional.com.br/exclusivo-indio-kayapo-e-assassinado-em-ourilandia-do-norte/?fbclid=IwAR1JkDB5gILg2BI-hMwsv5U3Wn7PEpJB7B_cjDna6WJF35xpToZwpfqoGyc" target="_blank"&gt;
















Índio kayapó é assassinado em Ourilândia&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://jornalggn.com.br/noticia/povos-indigenas-vao-a-pgr-e-preparam-acoes-em-todo-pais-para-anular-atos-de-bolsonaro?fbclid=IwAR158DM-wF2blPvjhQTZ1NNvkF7L75SZMAysigXlL3mhPMeI6skK7S-VzOw" target="_blank"&gt;Povos indígenas vão à PGR e
preparam ações em todo o país para anular atos de Bolsonaro&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
















&lt;a href="https://blogdacidadania.com.br/2019/01/grileiros-invadem-terra-dos-uru-eu-wau-wau-e-funai-deixa-indios-abandonados/" target="_blank"&gt;Grileiros invadem terra dos
Uru-eu-wau-wau e Funai deixa índios abandonados&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/01/o-silencio-da-midia-em-torno-do-assassinato-brutal-de-um-bebe-indigena.html" target="_blank"&gt;O
silêncio da mídia em torno do assassinato brutal de um bebê indígena&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/26/politica/1537978764_156884.html?id_externo_rsoc=FB_CC&amp;amp;fbclid=IwAR0v75oNfbjrUToBSrfGukT3Evzhph7YW8orb1OwhIIhQIXTZGlebBDT-Vc" target="_blank"&gt;
















Bebê
morto com tiro na cabeça é um cruel símbolo da situação dos povos indígenas no
Brasil&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/geral/2019/01/retomada-guarani-em-porto-alegre-denuncia-ataque-a-tiros-e-ameacas-de-morte/" target="_blank"&gt;


















Retomada Guarani em Porto Alegre
denuncia ataque a tiros e ameaças de morte&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/01/03/professor-indigena-morre-apos-ser-brutalmente-espancado-no-litoral-catarinense.htm?fbclid=IwAR2DCv44W7foifxurQ6KQBHoNWTu87ZiJoeHU8COQJQazOw-f5MZeFTDh2M" target="_blank"&gt;
















Professor indígena morre após ser brutalmente
espancado no litoral de SC&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://observatorio3setor.org.br/noticias/racismo-e-perda-da-terra-suicidio-de-indigenas-dispara-no-brasil/" target="_blank"&gt;Racismo e perda da terra: suicídio de indígenas dispara no Brasil&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719336278</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719336278</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:52 -0500</pubDate><category>especial vol4num2</category></item><item><title>Galeria 1: Alejandro H. MestreAlejandro H. Mestre é um poeta de...</title><description>&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/74614314e88eadf539243fab448d8633/tumblr_pmqdj9lhry1scw6cvo1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/7e323cb3759f4db292f5354a0ff60085/tumblr_pmqdj9lhry1scw6cvo2_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/88e5576a72dda3faa28814e036c3ad63/tumblr_pmqdj9lhry1scw6cvo3_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/f558d8baf1eb89b3c0bc5f787cb9ec7a/tumblr_pmqdj9lhry1scw6cvo4_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Galeria 1: Alejandro H. Mestre&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alejandro H. Mestre é um poeta de origem austro-portuguesa nascido no norte da Itália, final dos anos 1970. Depois de morar na Itália, no Reino Unido, na Espanha e em Portugal, viajou à América Latina. Em 2015, publicou o livro de poemas &lt;i&gt;Hadas, demonios y otros cercos&lt;/i&gt;, em espanhol, pela Editorial Aurora Boreal de Copenhague. O livro foi editado pelo amigo e tradutor Alessandro Mistrorigo. Alguns dos escritos e poemas do escritor têm surgido em páginas web e blogs literários. Atualmente, desconhece-se sua localização.&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719330428</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719330428</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:43 -0500</pubDate><category>galeria vol4num2</category><category>Alejandro H. Mestre</category></item><item><title>Galeria 2: Francisco dos Santos (parte...</title><description>&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/08afb24fa51b989f10338618b43085bf/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo1_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/f3a22d386f4d84978d65d8a5327acfb7/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo2_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/48dd2597fa1241475edf322a4371bbdf/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo3_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/cd835c3d4abf7dcfcc1b697bb63cec51/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo4_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/11a639684eda3d477ff7c8b845addf18/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo5_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/29217d4c48189f035dfc305445b5c991/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo6_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/a1d0662cee8737a600af9f70e0632e05/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo7_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/386a9f4b565dd47df96b39078826fd80/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo8_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/8991e2b628fcd25aaddc95e309f9c15f/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo9_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/0a101aa0ab6ece275363a49c66a62f1b/tumblr_pmqatyZ6PZ1scw6cvo10_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Galeria 2: Francisco dos Santos (parte 1)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Pirâmides,
tsunamis, pinturas sujas, dias e noites e outras sobreposições” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Séries
produzidas entre 2010 e 2017 &lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Francisco dos Santos&lt;/i&gt;, poeta, ficcionista, artista plástico e
editor, nasceu em 1967, no Mato Grosso do Sul. Publicou, entre outros
títulos, &lt;i&gt;Diálogo com Goya&lt;/i&gt;,
2000/2002 e &lt;i&gt;A imagem sem centro -
brevíssima de poesia, 2008/2009. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719319583/galeria-2-francisco-dos-santos-parte-2" target="_blank"&gt;(parte 2)&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719321668</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719321668</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:29 -0500</pubDate><category>Francisco dos Santos</category><category>galeria vol4num2</category></item><item><title>Galeria 2: Francisco dos Santos (parte...</title><description>&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/9fbc817fc87e21576ea56f97bba275fb/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo1_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/e9562811c704cb373b4b7c6ab2ba4cee/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo2_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/35963b6ad77ccc18b4876f13c569962c/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo3_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/1012b8a4fa7e272c2c1cd389eb35a893/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo4_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/32df2901e06ce834e4483605b747f73a/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo5_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/0cc10437a03313e7535a515de9a8c6e3/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo6_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/f7fe00d0b3599208ec075aaf1e6e7639/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo7_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/4597f6783c1c082fc23c3cb38820fd1d/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo8_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/330a950a026a5c03ab9582975a30c315/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo9_r1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/00249c7e11dffd479edb2ed55eb33ff2/tumblr_pmqas3Vwcq1scw6cvo10_r1_400.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Galeria 2: Francisco dos Santos (parte 2)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Pirâmides,
tsunamis, pinturas sujas, dias e noites e outras sobreposições” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Séries
produzidas entre 2010 e 2017 &lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Francisco dos Santos&lt;/i&gt;, poeta, ficcionista, artista plástico e
editor, nasceu em 1967, no Mato Grosso do Sul. Publicou, entre outros
títulos, &lt;i&gt;Diálogo com Goya&lt;/i&gt;,
2000/2002 e &lt;i&gt;A imagem sem centro -
brevíssima de poesia, 2008/2009. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://zunai.com.br/post/182719321668/galeria-2-francisco-dos-santos-parte-1" target="_blank"&gt;(parte 1)&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719319583</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719319583</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:26 -0500</pubDate><category>Francisco dos Santos</category><category>galeria vol4num2</category></item><item><title>Manuscritos de Alexandria: Claudio Daniel</title><description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;GAVITA, GAVITA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1000" data-orig-height="1000"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/af372781d12268fe89ac8f4077207f11/tumblr_inline_pmqffnxt6B1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1000" data-orig-height="1000"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;escuro, escuro como um uivo - som de sombra
-  esquálido e fecal -  voz miúda, no espaço espesso.
gestos surdos, de pele tensionada -  mãos fluidas que tateiam o ar.
sim, está enfeitiçada. ginga, negra e cega, em vôo tosco. vibra o torso, em
vaivém, nas pontas dos pés. ginga e gira, com serpentes nos braços, e treme
toda, torva e turva. não tem unhas, só garras; nem lábios, apenas gritos mudos.
ela expande os passos, sem volúpia ou cisma, e s'incandesce, crestando o solo.
é toda fera e fúria. está enfeitiçada, e me apavora. eu sorvo sua treva, e
afundo em visões de salamandra. visitei as páginas de um livro de magia, e
invoquei as figuras retorcidas da insânia: vêm, astaroth, asmodeus, sintam a
carne que ofereço a seus caninos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(eu sabia os nomes das flores, quando menino, das estrelas
e insetos;) (juntava lagartas numa caixa de sândalo) (e rezava pelas almas das
princesas suicidadas.) (um albino ensinava-me latim) (e apertava fortemente
meus testículos.) (&lt;i&gt;laos deo, laos deo&lt;/i&gt;.)  (citações de cícero e
da guerra da gália) (até soar a sineta para o desjejum.) (eu gostava dos
turíbulos e ostensórios,) (dos saltérios e vitrais) (em que o filho do ho-mem)
(sangrava por nossas culpas.) (excitava-me com sua dor.) (amava ícones mal
pintados,) (palavras arcanas,) (música de violoncelo) (e sonhava ser
marinheiro) (ou alcoólatra.) (certo dia, fugi.) (&lt;i&gt;oh estações, oh castelos&lt;/i&gt;.)
(açoitei a delicadeza,) (fiz-me barro, besta, bruto;) (um selvagem, sim,
selvagem,) (e toquei tambor) (na noite do sabá.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(minha mãe tinha seios brancos) (e voz branca de medievo
místico.) (ela foi a lua cheia,) (angélica e nivosa,) (&lt;i&gt;oh monja da cela
constelada&lt;/i&gt;.) (meu pai foi um rude fazendeiro,) (igualmente branco,) (cujo
olhar tinha odor de antigas armaduras.) (recordo seu rosto de falcão,) (as
pequenas mãos trigueiras,) (a voz pesada, de bacamarte.) (eles eram de diversa
estirpe,) (mas eu os amei,) (em minha estranha epiderme,) (na nostalgia de
outro reino,) (que não sei.) (dizem os juristas) (que no céu) (todos são
brancos,) (como as velas dos santos,) (o linho,) (o algodão.) (é verdade que
sou um deslocado,) (desbocado,) (excêntrica bizarria,) (rosa cúbica, talvez.)
(vejam, aqui está) (o negrinho) (que fala francês,) (membro de uma raça
impura,) (turba de pobres diabos,) (ratos depenados,) (pretos amaldiçoados.) (é
verdade,) (confesso aos senhores,) (a minha escurez,) (mas guardo comigo) (a
música das esferas.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;está enfeitiçada, e canta ladainhas. em nervosa mímica de
punhos, move-se como a naja em sua caverna, o peito magro ornado com colares de
crânios, os cabelos azuis cobertos de cinzas. ela dança, dança sobre o meu
ventre, agitando as armas de suas múltiplas mãos, e beija-me a boca com os
acres perfumes do crematório. &lt;i&gt;delírio contorcido, convulsivo / de
felinas serpentes, / no silamento e no mover lascivo / das caudas e dos
dentes. &lt;/i&gt;(não há qualquer caminho) (ou via ideal) (com trigais e
monjolos,) (apenas a rua) (tortuosa do grito,) (a vereda) (fantástica) (do
absinto.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(fui o ponto) (dos mais curiosos) (espetáculos,) (cedendo
palavras) (aos atores no palco;) (e emprestei silêncio) (a minhas próprias
comédias.) (sou talvez essa loucura geométrica,) (nos porões de um teatro
abolido.) (mancha de tinta) (no final de cada linha,) (sem dimensões,) (mínima
esfera.) (uma pausa entre vozes,) (lugar indefinido,) (porção menor de um
plano,) (sinal que abrevia os vocábulos.) &lt;i&gt;numa evaporação de branca
espuma / vão diluindo-se as perspectivas claras&amp;hellip; / com brilhos
crus  e fúlgidos de tiaras / as estrelas apagam-se uma a uma&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(na mocidade,) (tomei cerveja) (com vadios,) (provei do
tabaco) (e do presunto tostado;) (soube de vênus) (com atrizes) (de má vida.)
(se sonhei) (com o sublime?) (sim,) (foi) (numa festa) (de coxos.) (sou um
porco,) (como todos) (os homens) (são porcos;) (injuriei,) (conheci) (o escarro,)
(o tabefe.) (porque sei,) (sou duende;) (vejam) (minhas unhas;) (sou inferior,)
(como um pedaço) (de ferro;) (um saco) (de farelo;) (migalhas) (de ração.) (por
que li) (o teu livro,) (charles baudelaire?) (acreditei-me um deus.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;está enfeitiçada, pobre leoa devassa; onde estão teus
filhotes? devo banhá-la, com a água que eu mesmo fervi. ergo seu braço, para a
assepsia; depois outro, e as pernas, o pescoço, as nádegas, sem nenhum
erotismo: como se prepara um morto para o caixão. vesti-la, peça por peça, com
as cores discretas da pobreza. assobiar talvez uma valsa, um minueto, para dar
requinte a nossa sopa. por fim, velar o sono da vestal, para só depois escrever
os versos que ninguém escreveu jamais. &lt;i&gt;torva, febril, torcicolosamente,
/ numa espiral de elétricos volteios, / na cabeça, nos olhos e nos seios /
fluíam-lhe os venenos da serpente&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(arquivista, sim,) (da estrada) (de ferro,) (ninho) (de
covas) (e coveiros;) (onde) (sou corvo) (entre corvos,) (negro) (entre negros,)
(porque os versos) (não compram pão.) (recolher as sobras,) (para o azeite) (e
as verduras.) (desviar do cuspe;) (oferecer a outra mão.) (exilado) (de mim,)
(despido) (de qualquer) (delicadeza) (sou coisa) (entre coisas.) (vítor,) (o que) (fazer,) (sozinho,) (em
terra desolada?)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(houve) (um tempo) (em paris) (em que fui) (o rei) (do
haxixe.) (todas) (as moças) (amavam) (minha face) (de príncipe) (etíope,)
(atlante) (ou cenobita.) (eu usava) (uma gravata) (vermelha,) (flor) (de cardo)
(na lapela) (e bigodes) (espessos) (de mongol.)  (é tão distinto)
(ser) (um poeta) (maldito.) (meus versos) (encantavam) (insólitas) (platéias)
(ao som) (monótono) (do piano) (estrangulado.) (alguém) (de suíças)
(platinadas) (desenhava) (haréns) (de divas) (marroquinas.) (um outro) (de
denso) (cavanhaque) (e nariz) (encurvado) (discutia) (platão) (e plotino.)
(mulheres) (de seios) (rosados) (entoavam) (árias) (de concerto.) (havia)
(pratos) (refinados) (de atum) (e salmão,) (garrafas) (de vinho) (espanhol) (e
cheiro) (forte) (de fumo) (africano.) (eu era) (o rei) (do haxixe,) (até)
(certo dia,) (quando) (fui surrado,) (como) (um) (escravo,) (cuspido) (e)
(atirado) (para fora) (dos salões,) (como) (um corcunda,) (leproso,) (bufão.)
(senhores,) (vejam,) (ali) (vai,) (célere,) (espavorido,) (o) (macaco) (cantante.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;gavita, gavita. sim, está enfeitiçada, e fala ganidos. ela,
minha bela, dona e dânae, minha flor amarela, meu bicho-da-seda, minha
floresta. eu sou o teu dervixe, tua chuva de ouro, teu apache, teu urso polar.
vem, deusa de tetas verdes, vem aos meus braços, como no tempo em que te
conheci, na terra do gelo. você me dizia de países distantes, em que são
servidos licores de pétalas de rosa. onde há carros floridos movidos pela
mente, e macacos que entoam devotadas preces. eu enlaçava tua cintura delgada,
e recitava o mantra dos jogos nupciais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;para as estrelas de cristais gelados / as ânsias e os
desejos vão subindo, / galgando azuis e siderais noivados, / de nuvens brancas
a amplidão vestindo. &lt;/i&gt;mas agora soa
apenas a sina da insânia, pretume, pedraria, pesadelo; desnudas deidades
descartam os danados, riem dos duendes da demência. (sozinho,) (no rito)
(intenso) (da nevrose,) (junto) (minhas cinzas) (no místico) (cinerário,) (ao
som) (de brahmânicos) (sonidos.) (shiva,) (shiva) (nataraja,) (onde,) (em que)
(lua) (ou pétala) (ofendi) (a memória) (de um deus?). (senhor) (dos
dançarinos,) (quando,) (em que era) (noturna) (de infortúnios) (cometi) (os
mais terríveis) (enganos?) (estas) (são) (as mãos) (de um) (criminoso,) (turco)
(ou judeu.) (apedrejai-me,) (sim,) (apedrejai-me,) (para abreviar) (a minha)
(longa) (miséria.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(vítor,) (houve uma ilha) (em que os homens) (e as
mulheres) (andavam nus,) (e as árvores) (geravam) (pomos) (de ouro.) (filetes
de água) (escorriam) (pelo verde) (limoso) (das rochas.)  (o sol) (de
bronze) (festejava) (os ritos) (da primavera). (monolitos) (decorados) (com
coroas) (de flores) (pontiagudas.) (oferecia-se) (aos deuses) (música) (de
tambores) (e frutas) (saborosas.) (tudo era calma,) (beleza) (e languidez.) (tudo
era dança, dança, dança.) (oh senhor) (dos rios) (que se encontram,) (em que
distante) (esfera) (perdi) (a minha vida?)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;está enfeitiçada, sim, enfeitiçada, triste espectro que
vomita estrelas. cega e surda, não escuta clamores; ordena traições e incestos;
sorri dos servos fenícios degolados. crianças, esta ainda é a sua mãe. venham.
vamos conversar. o nilo banha o egito, terra de escribas e papiros. o sena flui
em paris, onde os poetas são jovens tuberculosos. o tâmisa tem o fog londrino
como cenário, e abriga as ossadas de um famoso maníaco. o ganges nasce dos pés
de lótus de krishna. é preciso lembrar das savanas e das estepes. das matas
tropicais e dos desertos. dos míticos vulcões e das geleiras. é preciso
conhecer o mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(eu quero sair do mundo.) (habitar outros pórticos.)
(aprender) (idiomas) (sem vogais.) (há uma estrela) (de musicais)
(estatuarias.) (há um espelho) (que reflete) (apenas) (minaretes) (de
mesquitas.) (há uma moeda) (que mesmeriza) (tenores) (e contraltos.) (há uma
lesma) (ou plasma) (que abraça) (os meninos,) (sorrindo) (truculenta,)
(brutal,) (um riso) (azul) (de agonia.) (certa vez) (sonhei) (um livro)
(infinito.) (suas paginas) (eram translúcidas) (como um espelho.) (as palavras)
(brotavam) (como gotas) (de chuva) (borradas,) (sangradas) (no vidro) (do
papel;) (as letras) (eram arcanjos) (desnudos,) (que cantavam) (em timbre)
(agudo,) (numa) (voz) (escura,) (quase) (silêncio.) (eu sou) (talvez) (esse
livro.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;gavita, gavita. reclinada em seda e linho, lua minguante,
no entressonho. seus caninos nivosos, torneados, como jóias de marfim. suas
palmas, de rosácea; os clarões das unhas, e os olhos, corolas de hibisco. ela
amava as valsas ingênuas, os realejos e tristes ametistas; o chá servido em
baixela; o sabor do vinho branco; passear de braços dados, no largo do coreto.
súbito, cai uma flor amarela, no tanque de água; ela sorri, e recorda quando a
abracei, no jardim dos moura schiavo, lembra-se do que eu disse em seu ouvido,
você é só encanto, encantamento, &lt;i&gt;my love is as a fever, longing still&lt;/i&gt;.
ela coloca meus dedos em sua boca e diz que eu tenho o olhar cigano de um
nômade estrangeiro; e acaricia meus cabelos com os dedos finos, suaves, tão
suaves. mas isso foi em outra aurora; agora apenas gira, desorientada, sem rumo
nem prumo, sem ver-me ou ouvir-me, dolente e demente, enfeitiçada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ela é tão bonita como um sarcófago etrusco, espada
sarracena, bi-ombo japonês. seus pequenos pés, &lt;i&gt;que bocas febris e
apaixonadas / purificam, quentes, inflamadas / com o beijo dos adeuses
soluçantes&lt;/i&gt;. a boca, &lt;i&gt;viçosa, de perfume a lírio, / da límpida
frescura da nevada, / boca de pompa grega, purpureada, / da majestade de um
damasco assírio&lt;/i&gt;. ela foi a minha máscara. ela é o meu fetiche. serei então
o teu lacaio, teu pajem e eunuco. renuncio a minha vaidade, narciso despido de
narciso. sou agora teu mendigo; serei teu diabo, teu criado, teu cão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;gavita, gavita; minha fada e &lt;i&gt;apsara&lt;/i&gt;; agora
repousa, negra e magra, como galho seco; a pele tensa, de cervo degolado; os
olhos turvos, de noite proscrita. estirada, como massa amorfa, ou bolo vegetal;
os braços líquidos, de nereida; a voz desfeita, em careta torpe. esticada, como
um animal ou coisa; atirada, não, colocada no caixão, digo, em seu leito de
extintas exéquias. meninos, esta é sua mãe; vamos deixá-la em paz, é hora de dizer &lt;i&gt;bonne nuit&lt;/i&gt;. venham fazer as orações, no oratório; em nome do pai, do filho, do
espírito santo, amém. é preciso fechar bem as portas e janelas; reler um soneto
de camões; beber o copo de leite; abocanhar o naco de pão; esquecer um verso no
idioma páli; fazer-me treva; guardar o grito ancestral no livro de retratos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ela está
enfeitiçada, e me apavora. eu sorvo sua treva, e afundo em visões de
taumaturgo. insano, febril, como quem fuma visões de navios e cetáceos, desenho portais de estranhos
labirintos, dragões de esquecida
tapeçaria, sinos de catedrais submersas. vejo a noite decapitada. ouço a chuva
que cai, tênue como o som de um cravo metafísico, remota sonata para medo e
medula, no patíbulo das horas. recordo
seus olhos de cravos e cravinas. seus olhos de uma tarde em setembro, quando
havia um céu de seda e o apito do trem na estrada de ferro. eu via suas mãos
crescendo como ventosas, os lábios de estilete, o corpo querendo voar. meninos
morenos corriam na estação, sombrinhas e sobretudos criavam asas, uniformes e
tabaco gritavam em cinza, um topázio virava uma estrela. esta foi a tarde azul da
metempsicose.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;gavita, gavita. foi minha culpa, meu
pecado, que invocou esse fado? terei perdido a luz de sua luz por uma absurda,
obscura vaidade? eis o que os versos me deram, a ardente areia desolada, o rito
absíntico do medo. &lt;i&gt;abyssus abyssum invocat&lt;/i&gt;. soa a
meia-noite; agora, devo cuidar dela.
velar seu sono, na madrugada inquieta. abrir seus punhos mudos, para o repouso;
repelir do leito a cabeça do lagarto; pendurar suas vestes, guardar caixinhas e
estojos, enxugar sua face. oh, senhor dos caminhos que se bifurcam. penso, mais de uma vez,
em fazer-me nada entre nadas; partir rumo
à nebulosa, mas não posso. ela está enfeitiçada, e treme toda, torva e turva; é
fera e fúria. sim, cuidarei dela, e sempre a amarei. um amor obsessivo e
triste, amargo e amarelo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Do livro &lt;i&gt;Romanceiro de Dona Virgo&lt;/i&gt;, de Claudio
Daniel, publicado em 2004 pela editora Lamparina.)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719312868</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719312868</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:16 -0500</pubDate><category>Claudio Daniel</category><category>manuscritos de alexandria</category><category>prosa zunai vol4num2</category></item><item><title>Torre de Babel 1: Wang Wei</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;por Chiu Yi Chih&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="594" data-orig-height="875"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/5a10fe59ab40abe1d7715e89a4ef44c2/tumblr_inline_pmqcq8yNe51s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="594" data-orig-height="875"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;山中相送罢，日暮掩柴扉。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;春草年年绿，王孙归不归。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Após me despedir do meu amigo no
meio da montanha,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;contemplei o crepúsculo da tarde e
fechei a porta de madeira de casa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Será que ele regressará novamente &lt;/p&gt;&lt;p&gt;antes do próximo germinar das
flores da primavera? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;空山不见人，但闻人语响。&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
返景入深林，复照青苔上。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se vê ninguém na desolada
montanha,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;embora ainda se ouçam os ecos dos
sons humanos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando o sol reluz no interior da
densa floresta,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;inúmeros reflexos de cores
irisam-se acima do musgo verdejante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;独坐幽篁里，弹琴复长啸。&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
深林人不知，明月来相照。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sozinho e sentado no silente
bosque de bambus,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ora toco uma música, ora assobio
uma melodia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ninguém sabe que estou nessa
recôndita floresta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Somente a lua radiante vem
refletir-se ao meu lado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;桂魄初生秋露微，轻罗已薄未更衣。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;银筝夜久殷勤弄，心怯空房不忍归。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto a lua se elevava no céu
oriental, &lt;/p&gt;&lt;p&gt;ainda se dissolvia o orvalho da
noite de outono.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu trajava uma veste de tecido
finíssimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Embora ela fosse delicada, ainda
nem a tinha trocado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Durante toda noite, dedilhei o
pipá prateado &lt;/p&gt;&lt;p&gt;com um sentimento fervoroso,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;meu coração temendo retornar ao
vazio do silêncio da casa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;空山新雨后，天气晚来秋。&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
明月松间照，清泉石上流。&lt;br/&gt;
竹喧归浣女，莲动下渔舟。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;随意春芳歇，王孙自可留。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com
o fim da chuva, vislumbra-se&lt;/p&gt;&lt;p&gt;uma
silenciosa e desolada montanha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A
noite de outono traz uma diáfana brisa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e,
entre os pinheiros, cintila a lua translúcida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As
águas límpidas e murmurejantes&lt;/p&gt;&lt;p&gt;das
nascentes balançam-se sobre as pedras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De
dentro da floresta de bambus, ouvem-se rumores&lt;/p&gt;&lt;p&gt;que
são como os passos de uma donzela retornando ao lar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O
barco de pesca embala a cortina de folhas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;de
lótus que não cessam de oscilar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Embora
não se veja ainda a relva da primavera,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;belíssima
se revela a paisagem de outono,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;pois
ali os filhos dos reis e príncipes&lt;/p&gt;&lt;p&gt;com
serenidade podem repousar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;晚年惟好静，万事不关心。&lt;br/&gt;
自顾无长策，空知返旧林。&lt;br/&gt;
松风吹解带，山月照弹琴。&lt;br/&gt;
君问穷通理，渔歌入浦深。&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na
velhice, desejo somente o silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não
tenho nenhuma aflição na mente, nenhum plano a ser cumprido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero
apenas retornar à antiga floresta e conhecer o Vazio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os
pinheiros assopram minha cintura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A
lua fulgurante ilumina enquanto toco uma música.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se
acaso você quiser saber o que é o infortúnio ou a felicidade,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;pergunte
ao pescador que está cantando à beira do lago profundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Tradução: &lt;/b&gt;Chiu
Yi Chih&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Wang Wei&lt;/b&gt; (王維) (&lt;a title="Taiyuan" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Taiyuan" target="_blank"&gt;Taiyuan&lt;/a&gt;, &lt;a title="Shanxi" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Shanxi" target="_blank"&gt;Shanxi&lt;/a&gt;, 701-761) foi um &lt;a title="Pintor" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pintor" target="_blank"&gt;poeta&lt;/a&gt;, &lt;a title="Calígrafo" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cal%C3%ADgrafo" target="_blank"&gt;calígrafo&lt;/a&gt;, &lt;a title="Poeta" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Poeta" target="_blank"&gt;pintor&lt;/a&gt; e estadista chinês  da &lt;a title="Dinastia Tang" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_Tang" target="_blank"&gt;Dinastia Tang&lt;/a&gt;. Também foi conhecido como o &amp;ldquo;Poeta de &lt;a title="Buda" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Buda" target="_blank"&gt;Buda&lt;/a&gt;&amp;rdquo;. Aprovado
nos exames imperiais no ano de &lt;a title="721" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/721" target="_blank"&gt;721&lt;/a&gt;, chegou a ocupar no ano
de &lt;a title="758" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/758" target="_blank"&gt;758&lt;/a&gt; o cargo de chanceler, o mais alto posto
no &lt;a title="Governo" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo" target="_blank"&gt;governo&lt;/a&gt; imperial da &lt;a title="China" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/China" target="_blank"&gt;China&lt;/a&gt; antiga
após o &lt;a title="Imperador" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador" target="_blank"&gt;Imperador&lt;/a&gt;. Durante a &lt;a title="Rebelião de An Lushuan" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rebeli%C3%A3o_de_An_Lushuan" target="_blank"&gt;Rebelião de An Lushuan&lt;/a&gt; contra
a dinastia Tang, evitou servir de forma ativa aos insurretos durante a ocupação
da capital fingindo ser &lt;a title="Surdez" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Surdez" target="_blank"&gt;surdo&lt;/a&gt;. Por dez anos estudou
com o Mestre &lt;a title="Zen" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Zen" target="_blank"&gt;Tch'an&lt;/a&gt; Daoguang. Após a morte de sua esposa
no ano de &lt;a title="730" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/730" target="_blank"&gt;730&lt;/a&gt;, não voltou a se casar e estabeleceu
um &lt;a title="Monastério" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Monast%C3%A9rio" target="_blank"&gt;monastério&lt;/a&gt; em suas
terras.&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719309293</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719309293</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:10 -0500</pubDate><category>Wang Wei</category><category>Chiu Yi Chih</category><category>torre de babel</category><category>trad zunai vol4num2</category></item><item><title>Torre de Babel 2: Kim Ki-Taek</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;por Yun Jung Im&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-height="450" data-orig-width="600"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/d09437801b2bc51139841d942d248f1e/tumblr_inline_pmqctmKZjL1s5jm5w_540.jpg" data-orig-height="450" data-orig-width="600"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;PANCETA DE PORCO &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Volto para casa após uma churrascada de bacon fresco e bebida. &lt;br/&gt;Já há uma hora&lt;br/&gt;O cheiro da carne não sai do corpo.&lt;br/&gt;Sangue cozido no fogo, carne tornada fumaça&lt;br/&gt;Impregnam todos os meus poros, minhas rugas e sulcos das digitais. &lt;br/&gt;Aquele cheirinho de grelhado de quando devorava a carne esfaimado &lt;br/&gt;Já se fora&lt;br/&gt;E ficara apenas o fedor do terror do animal diante do abate &lt;br/&gt;Tampando como bolas de algodão as minhas narinas saciadas. &lt;br/&gt;Saio do metrô envolto em cheiro de carne feito aura de santo. &lt;br/&gt;do vagão, no lugar onde eu me postara&lt;br/&gt;O cheiro da carne em formato do meu corpo ainda segurava o corrimão Olhando-me através do vidro enquanto subo as escadas.&lt;br/&gt;Alcanço o piso da terra&lt;br/&gt;E uma lufada de vento fresco leva o cheiro da carne. &lt;br/&gt;Quando inspiro fundo o ar fresco&lt;br/&gt;O cheiro da carne se afasta de mim por um instante qual&lt;br/&gt;                                                                         [enxame de moscas Mas logo volta a grudar os seus pezinhos pegajosos em mim.&lt;br/&gt;Não larga a mão que grelhou o seu corpo na chapa crepitante &lt;br/&gt;Não larga os dentes que esgarçaram o seu corpo.&lt;br/&gt;O cheiro nauseante de onde ainda restam gritos e esperneios &lt;br/&gt;Penetra tenaz dentro do meu corpo besuntado do seu cadáver&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;COCEIRA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mulher vestida de luto se arranca em direção à fornalha&lt;br/&gt;Para puxar de volta o caixão que avança para dentro dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Parada pelo portão de ferro que acaba de se fechar E dando-se conta de que o choro não sai&lt;br/&gt;O vazio da boca escancarada pula, pula batendo no peito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O choro que estava prestes a explodir Para no estreito da garganta&lt;br/&gt;– massa do choro maior que a massa do corpo – E sufoca o som do choro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então, como braços e pernas de alguém que se enforca O corpo todo arranha violentamente o ar – coceira&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Coceira que não se coça por mais que se coce sem axila&lt;br/&gt;sem sangue na unha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;CACHORRO 3&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sob um teto de alumínio de um barraco Numa ruela estreita, tortuosa e lúgubre&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há um som que late, agudo e estridente Toda vez que se ouve som de passos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É na certa um amarelão esquálido Com as orelhas retesadas em pé&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como o telhado de alumínio Que quando cai um aguaceiro&lt;br/&gt;Trata de aumentar as rajadas em estrondos Não deixando escapar uma única gota sequer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como o portão de alumínio&lt;br/&gt;Que aos golpes de punho ou da ponta dos sapatos Trepida e treme como batidas de coração&lt;br/&gt;O som late, fazendo do seu corpo todo o próprio medo Mostrando todos os dentes&lt;br/&gt;Latem as frestas das portas, buracos, todas as rachaduras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;PRIMAVERA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É março e o vento ainda esconde as garras da estação gelada. &lt;br/&gt;Um gato deitado ao sol com as quatro patas estiradas no chão&lt;br/&gt;Estica o corpo ligeiramente aquecido espreguiçando-se com vontade. &lt;br/&gt;As patas da frente bem estendidas para frente.&lt;br/&gt;E as patas de trás puxando forte as da frente.&lt;br/&gt;E, entre elas, as costas se curvam finamente contra o chão qual um arco. &lt;br/&gt;O vento que passa lambendo as costas suaves do gato também se amansa. &lt;br/&gt;E as árvores esticam os ramos carregados de broto&lt;br/&gt;Se espicham estalando todos os nós curvando-se clivosas ao vento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;REVERÊNCIA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dezenas de frangos assados prostrados sobre a tábua &lt;br/&gt;prestam reverência. Nus, despidos de toda a sua penugem,&lt;br/&gt;prestam reverência. Ajoelhados com as pernas sem pés, reclinando&lt;br/&gt;                                                          [respeitosamente os pescoços sem cabeça, &lt;br/&gt;prestam reverência. Perante o cliente que barganha o preço da morte&lt;br/&gt;[com o dono&lt;br/&gt;que os depenou e lhes cortou os pés&lt;br/&gt;Perante o cliente que quer matá-los mais uma vez fervendo a morte&lt;br/&gt;                                                                                                              [já morrida, &lt;br/&gt;prestam reverência. Em posturas impecabilíssimas ainda que virados&lt;br/&gt;                                                                      [e amontoados um sobre o outro Até emprestar o seu ar solene à plena feira&lt;br/&gt;Até purificar as chamadas dos feirantes e as vozes que barganham, prestam reverência. Sem nem pensar em se levantar, que seja em&lt;br/&gt;                                                                                        [uma hora, em dez horas &lt;br/&gt;Endurecidos na posição de reverência sem jamais tornar a estender&lt;br/&gt;                                                                                                          [os membros, &lt;br/&gt;prestam reverência. Dando-se por inteiro, com o corpo tornado pudor&lt;br/&gt;[assim que depenado e decapitado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Tradução&lt;/b&gt;: Yun Jung Im&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Kim Ki-taek&lt;/b&gt; nasceu em 1957 na cidade de Anyang, arredores de Seul, e estreou como poeta em 1989, quando seus poemas “O Corcunda”
e “A Seca” foram premiados
no concurso anual de poesia realizado pelo &lt;i&gt;Jornal Diário Hanguk&lt;/i&gt;. Publicou,
além de &lt;i&gt;Chiclete
&lt;/i&gt;(2009, traduzido para o o português por Yun Jung Im), &lt;i&gt;O sono do feto &lt;/i&gt;(1992), &lt;i&gt;Tempestade no buraco da agulha &lt;/i&gt;(1994, traduzido para o japonês
em 2014), &lt;i&gt;O funcionário de cola-
rinho branco &lt;/i&gt;(1999), &lt;i&gt;O boi &lt;/i&gt;(2005) e &lt;i&gt;De rachadura
em rachadura &lt;/i&gt;(2012). Também
traduziu várias obras infantis
estrangeiras, entre eles, &lt;i&gt;O flau- tista de Hamelin&lt;/i&gt;. O poeta vem recebendo destaque da crítica
em virtude do seu universo poético
singular, que, com uma retórica
racionalizada e descrições para lá de áridas, desconstrói a paisagem e os fenômenos do nosso entorno urbano. Colecionou praticamente todos
os prêmios literários importantes do
país, entre eles o Prêmio Literário Kim Su-yeong (1995), Prêmio de Literatura
Contemporânea (2001), Prêmio Literário
Isu (2004), Prêmio Literário Midang (2004), Prêmio Literário Ji-hun (2006), Prêmio Literário Sang-hwa (2009),
Prêmio Literário Gyeong-hee (2009) e
Prêmio Literário Pyeon-un (2013). Em
2007, foi convidado para o programa de residência para autores coreanos,
num convênio firmado
entre a Fundação
Daesan e UC Berkeley,
EUA.&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719307188</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719307188</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:07 -0500</pubDate><category>Kim Ki-taek</category><category>Yun Jung Im</category><category>torre de babel</category><category>trad zunai vol4num2</category></item><item><title>Torre de Babel 3: Robert Creeley</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;por Flávia Rocha e Claudio Daniel&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="615" data-orig-height="413"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/cf0c07a6d4e6c29ff7f51adf414f6c56/tumblr_inline_pmqcyvQoNd1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="615" data-orig-height="413"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;GROUND ZERO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;What&amp;rsquo;s after or before&lt;br/&gt;
seems a dull locus now&lt;br/&gt;
as if there ever could be more&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
or less of what there is,&lt;br/&gt;
a life lived just because&lt;br/&gt;
it is a life if nothing more.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
The street goes by the door&lt;br/&gt;
just like it did before.&lt;br/&gt;
Years after I am dead,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
there will be someone here instead&lt;br/&gt;
perhaps to open it,&lt;br/&gt;
look out to see what&amp;rsquo;s there &amp;ndash;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
even if nothing is,&lt;br/&gt;
or ever was,&lt;br/&gt;
or somehow all got lost.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
Persist, go on, believe.&lt;br/&gt;
Dreams may be all we have,&lt;br/&gt;
whatever one believe&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
of worlds wherever they are &amp;ndash;&lt;br/&gt;
with people waiting there&lt;br/&gt;
will know us when we come&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
when all the strife is over,&lt;br/&gt;
all the sad battles lost or won,&lt;br/&gt;
all turned to dust.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;MARCO ZERO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O antes
ou depois &lt;/p&gt;&lt;p&gt;parece já
um foco inerte&lt;/p&gt;&lt;p&gt;como se
pudesse ser mais&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ou menos
do que é,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;uma vida
vivida por ser&lt;/p&gt;&lt;p&gt;vida
apenas, nada mais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rua
passa à porta &lt;/p&gt;&lt;p&gt;como
sempre, anos depois&lt;/p&gt;&lt;p&gt;de minha
morte,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;aqui
haverá um outro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ao invés,
talvez para abri-la,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ver o que
há lá fora –&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;mesmo que
não haja nada,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ou nunca
houvesse,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ou tudo
fosse perdido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Persiga,
siga, acredite.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sonhos
talvez sejam só o que temos,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o que se
imagina&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;dos
mundos onde quer que estejam –&lt;/p&gt;&lt;p&gt;com povos
lá esperando&lt;/p&gt;&lt;p&gt;que vão
nos conhecer quando viermos,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;quando
toda a luta tiver cessado,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;as
tristes batalhas perdidas ou vencidas,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;tudo
convertido em pó.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Tradução&lt;/b&gt;:
Flávia Rocha e Claudio Daniel&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Robert Creeley&lt;/b&gt; foi um dos mais criativos poetas norte-americanos da
segunda metade do século XX. Conhecido como editor do suplemento literário do
Black Montain College, nos anos 50, esteve na linha de frente da revitalização
da poesia de seu país, ao lado de autores como Robert Duncan e Charles Olson. A
influência de Creeley foi decisiva sobre os poetas da &lt;i&gt;Language Poetry&lt;/i&gt;,
e também marcou o início do trabalho criativo de vários autores brasileiros que
estrearam nos anos 90. No Brasil, foi traduzido por Régis Bonvicino e por
Rodrigo Garcia Lopes.&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719303953</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719303953</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 18:00:02 -0500</pubDate><category>Robert Creeley</category><category>flávia rocha</category><category>Claudio Daniel</category><category>torre de babel</category><category>trad zunai vol4num2</category></item><item><title>Torre de Babel 4: Jonathan Swift</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;por Thaís Fernandes&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1044" data-orig-height="587"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/6d754de4b2429266bcdb811c9c8ee509/tumblr_inline_pmqd1kXNA41s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1044" data-orig-height="587"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;TO A FRIEND,&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;who had been much abused in many inveterate libels&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;The greatest monarch may be stabb&amp;rsquo;d by night&lt;br/&gt;And fortune help the murderer in his flight;&lt;br/&gt;The vilest ruffian may commit a rape,&lt;br/&gt;Yet safe from injured innocence escape;&lt;br/&gt;And calumny, by working under ground,&lt;br/&gt;Can, unrevenged, the greatest merit wound.&lt;br/&gt;What&amp;rsquo;s to be done? Shall wit and learning choose&lt;br/&gt;To live obscure, and have no fame to lose?&lt;br/&gt;By Censure frighted out of Honour&amp;rsquo;s road,&lt;br/&gt;Nor dare to use the gifts by Heaven bestow&amp;rsquo;d?&lt;br/&gt;Or fearless enter in through Virtue&amp;rsquo;s gate,&lt;br/&gt;And buy distinction at the dearest rate.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;PARA UM AMIGO, &lt;br/&gt;Que tinha sido muito insolente dos diversos libelos inveterados&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao cair da noite, o grande soberano pode ser trespassado&lt;br/&gt;E o assassino em sua fuga serve o fado;&lt;br/&gt;O mais facínora vil é capaz de cometer um abuso,&lt;br/&gt;Ainda passar ileso da inocência ferida como justo;&lt;br/&gt;Mas praticando calúnia ao rés-do-chão,&lt;br/&gt;Tolera o maior mérito ressentido, sem transformação.&lt;br/&gt;O que ser feito? Deveria o tino aprender a escolher&lt;br/&gt;Permanecer obscuro, e não ter honra a perder?&lt;br/&gt;Sob reprimenda o acovardou do caminho da dignidade,&lt;br/&gt;Ousaste a não usar os dons concedidos pela Divindade?&lt;br/&gt;Ou intrépido tu entras pelo portão da Virtude,&lt;br/&gt;E compras distinção à preço mais rude.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;A DESCRIPTION OF THE MORNING&lt;br/&gt;Written in April 1709, and first printed in “The Tatler”&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Now hardly here and there an hackney-coach&lt;br/&gt;Appearing, show&amp;rsquo;d the ruddy morn&amp;rsquo;s approach.&lt;br/&gt;Now Betty from her master&amp;rsquo;s bed had flown,&lt;br/&gt;And softly stole to discompose her own;&lt;br/&gt;The slip-shod &amp;lsquo;prentice from his master&amp;rsquo;s door&lt;br/&gt;Had pared the dirt, and sprinkled round the floor.&lt;br/&gt;Now Moll had whirl&amp;rsquo;d her mop with dext'rous airs,&lt;br/&gt;Prepared to scrub the entry and the stairs.&lt;br/&gt;The youth with broomy stumps began to trace&lt;br/&gt;The kennel&amp;rsquo;s edge, where wheels had worn the place. &lt;br/&gt;The small-coal man was heard with cadence deep,&lt;br/&gt;Till drown&amp;rsquo;d in shriller notes of chimney-sweep:&lt;br/&gt;Duns at his lordship&amp;rsquo;s gate began to meet;&lt;br/&gt;And brickdust Moll had scream&amp;rsquo;d through half the street.&lt;br/&gt;The turnkey now his flock returning sees,&lt;br/&gt;Duly let out a-nights to steal for fees:&lt;br/&gt;The watchful bailiffs take their silent stands,&lt;br/&gt;And schoolboys lag with satchels in their hands.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;UMA DESCRIÇÃO DA MANHÃ&lt;br/&gt;Escrito em abril de 1709, e originalmente publicado na “Tatler” (1)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que mal, aqui ou lá, um cocheiro mercenário&lt;br/&gt;Apresentou-se, mostrando o rubro céu do cenário.&lt;br/&gt;Betty saltou da cama do seu superior, &lt;br/&gt;Em silêncio caminhou, indo para sua cama se recompor;&lt;br/&gt;À porta de seu mestre o aprendiz desleixava, &lt;br/&gt;Apanhando do chão a sujeira espalhada.&lt;br/&gt;E Moll tinha girado seu esfregão com certa prática,&lt;br/&gt;Pronta para esfregar a entrada, e também a escada.&lt;br/&gt;Com troncos vassalos a juventude começou rastrear&lt;br/&gt;Ao redor do canil, onde as rodas tinham puído o lugar. (2)&lt;br/&gt;O pequeno vendedor de carvão foi ouvido com cadência profunda,&lt;br/&gt;Até afogar-se no som do limpador de chaminé, em notas agudas:&lt;br/&gt;Credores no portão de seu senhorio começaram a se opor;&lt;br/&gt;E para metade da rua Moll gritara: olha os pós de tijolos ao dispor.&lt;br/&gt;O carcereiro, agora, o seu grupo voltando a enxergar,&lt;br/&gt;Decerto liberado uma noite, para os honorários lhe roubar: (3)&lt;br/&gt;As sentinelas meirinhas assumem suas silenciosas posições,&lt;br/&gt;E os discentes relutantes com suas mochilas nas mãos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;VERSES ON I KNOW NOT WHAT&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;My latest tribute here I send,&lt;br/&gt;With this let your collection end.&lt;br/&gt;Thus I consign you down to fame&lt;br/&gt;A character to praise or blame:&lt;br/&gt;And if the whole may pass for true,&lt;br/&gt;Contented rest, you have your due.&lt;br/&gt;Give future time the satisfaction,&lt;br/&gt;To leave one handle for detraction.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;SOBRE VERSOS QUE EU NÃO SEI&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha última homenagem a te enviar,&lt;br/&gt;Deixando, desse modo, tua coleção findar.&lt;br/&gt;Assim, consigno-te para ganhar fama&lt;br/&gt;Uma figura ora culpa, ora aclama:&lt;br/&gt;E se íntegro transpareces sob a verdade,&lt;br/&gt;Descanso contente, tens a tua solenidade.&lt;br/&gt;Dê ao tempo a futura satisfação,&lt;br/&gt;Com pretexto de cessar a detração.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Tradução: Thaís Fernandes&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Notas:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(1) Número 9. Ver a edição em seis volumes, com notas, 1786. —W. E. B.&lt;br/&gt;(2) To find old nails. — À George Faulkner.&lt;br/&gt;(3) Atender às acusações que lhes são impostas pelo guarda da prisão. E. B.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Jonathan Swift,&lt;/b&gt; pseudônimo Isaac Bickerstaff,
nascido em Dublin, Irlanda, em 30 de novembro de 1667 e falecido na mesma
cidade em 19 de outubro de 1745, foi um escritor, poeta, clérigo anglo-irlandês
e reitor da Catedral de São Patrício; um dos mais conhecidos satíricos da
língua inglesa, autor do clássico “Viagem de Gulliver”, narrativa publicada em
1726. Filho de pais anglo-irlandeses, da união entre Jonathan Swift,
originalmente de Goodrich, sul de Herefordshire, e Abigail Erickm de Frisby on
the Wreake, Leicestershire, condado do leste da Inglaterra, Jonathan Swift
ficou órfão ainda recém-nascido, e foi criado pela mãe, pela sua irmã mais
velha, Jane, e principalmente pelo seu tio Godwin, quem assegurou-lhe estudos e
educação. Jonathan Swift estudou em colégios de maiores prestígios na capital
da Irlanda, como na Escola de Gramática da Kilkenny College, em 1673; na
Trinity College, em 1682, onde obteve seu diploma de bacharel; e,
posteriormente, completou os estudos recebendo o título de Mestre em Artes pela
Universidade de Oxford, em 1692. Swift morou na Inglaterra durante muitos anos,
consequentemente, seus princípios morais e intelectuais foram influenciados
pelo racionalismo peculiar da Inglaterra do final do século XVII. Sua
originalidade, entretanto, consiste mais em seu talento e imaginação satírica,
na sua arte literária e no seu pensamento humanista. Na tentativa de esclarecer
sua perspectiva moral, diante da degradação física e espiritual que vivera na
época, Swift também se dedicou à poesia pastoral. Sua vasta produção poética,
com a preocupação em compreender a natureza humana e explicar o comportamento humano,
contudo, descreve imagens satíricas do oeste de Londres, retratando o modo e o
estilo de vida dos habitantes daquela região. Ele também viajava frequentemente
para Irlanda, exercendo profissão como ensaísta, jornalista político e clérigo.
A maioria de seus trabalhos literários foram escritos sob pseudônimos, alguns
deles publicados em panfletos, os quais eram exercícios de grande circulação e
representação na Irlanda, país que Swift foi nomeado deão da Catedral de São
Patrício, em Dublin, e recebeu o título honorífico Doutor em Teologia,
Universidade Trinity College, em 1702.&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719302053</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719302053</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:57 -0500</pubDate><category>Jonathan Swift</category><category>thaís fernandes</category><category>torre de babel</category><category>trad zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 1: Fernando Aguiar</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/7672611605b91565debcb3747a3fba80/tumblr_inline_pmqeqn7iQE1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O TER QUE SER COMO SE FOSSE&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aescotilha
queseescolhe&lt;/p&gt;&lt;p&gt;semsilêncio
quefalasse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;seamentira
nãoocultasse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;oaquiloque
serecolhe…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;namoléstia
comqueficasse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;oterdeser
comosefosse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;seterminasse
semtosse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;eodesenlace
recomeçasse…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ojánãoser
porserassim&lt;/p&gt;&lt;p&gt;oentãover
porqueficando&lt;/p&gt;&lt;p&gt;nãodefinir
oagoraquando&lt;/p&gt;&lt;p&gt;eentãodizer
ouvaipormim…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;nogemido
queládestapo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ogargarejoque
notomecoa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;semescape
quelhesobrevoa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;émesmodesta
quenãoescapo…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;EXTINTOS ESTAMOS TODOS&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vir de
longe sempre perto&lt;/p&gt;&lt;p&gt;rumor
brando, longo assombro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;chuva
rasteira, irrisório charco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vir de
perto sempre longe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No chão
de granizo que se apresenta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O
estrépito que em silêncio espalha&lt;/p&gt;&lt;p&gt;num
inútil desespero de continuidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Solo que
sendo seixo, assim se assume.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Linguajar
à boca fechada, factos de traça aberta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;extintos
estamos todos. No mais, no menos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;no quanto
demora,  por quem se depara&lt;/p&gt;&lt;p&gt;na
circunstância que o palavrear não soletra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No agora
ou no depois se determinam opções. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sequela
que não construindo se degenera.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Renúncias
que são mais isto do que aquilo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;depois
de, assim que, por vezes se, ou mesmo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;senão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O DIZ QUE DISSE&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O diz que
disse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O quer
que fosse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O foi-se
em riste&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E rir sem
tos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O é ou
não é&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O passou
ou se visse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ocaso
finca-pé&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo se
sentis&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O sim ao
que está&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez ao
que não&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ser há
ou não à&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E nem
sempre apres&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ser
esse que é essa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E nessa o
que é desse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Retorno
sem acesso&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se assim
o quises&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O esforço
que se esvai&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A ânsia
em não mudar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um novo
entra e sai.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ir sem
regressar-&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pressão
por não achar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Consistente,
o sobrepor&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O advir a
relembrar&lt;/p&gt;&lt;p&gt; E se por dúvida o disses&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se ?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;AO SANTº, VALHªM-LHE OS CÉUS !&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa
falha nesta folhª, asso, solha e des&lt;sup&gt;flor&lt;/sup&gt;o de fora&lt;/p&gt;&lt;p&gt;no
rep.olho só re»ponho, vou rep asso, minto, flora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cres^ce o
facto, cato o gato, vou+me rooming embora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Soltº o
ego, naõ soss,ego, abro fogo E logo ag-ora…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;T’arrenego,
m’aprochego, faço check-in &amp;amp; go out&lt;/p&gt;&lt;p&gt;re;colho
a ceia, re:pasto a meia, no know-how se re#nasce.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Re-retrocesso,
embuste espes-so, e espeço-te que naõ vá-s.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aleg(o)ria
que se traduz, sonho cheiº que seduz. (T)Às ?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ag”ora o
todo, a tudo o sem-pre, vago som que des-faço&lt;/p&gt;&lt;p&gt;embora o
lei@, de sos~laio en-leio, e logo o logo(s) tr_aço&lt;/p&gt;&lt;p&gt;sol-eira
na pedra, mão que medra, n*em pre-sinto ao que v/ou &lt;/p&gt;&lt;p&gt;e sob a
Né-voa regr*esso,  luª  adensada, qeu esque-ço, halô?.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;C-olho a
ca&lt;sup&gt;lha&lt;/sup&gt;,&lt;sup&gt;  &lt;/sup&gt;sobra a
falha,  o san-tº a (s)altar no adro  sua,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;flor+es
no regaço,  c-lima que amordaço, Ma=dona
no (f)altar nua,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;sem
r#odeios se acende, no ro;dado se apreeende, e logo espr&lt;sup&gt;eita&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;qu§em
meio torto se re!faz, no dir;eito se subjaz, e at´ras se sujeita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O MUITO QUE SE LHE DIGA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ter
muito que se lhe diga&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e não ter
nada como se fosse&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o ter e
um haver que consiga&lt;/p&gt;&lt;p&gt;arranjar
sarna com que se coce.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assumir
que o assim já não é&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e resumir
o canto que entoa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;súbito
som que sobe ao sopé&lt;/p&gt;&lt;p&gt;sob a
palavra que lhe sobrevoa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sobre a
sequela que se incendeia&lt;/p&gt;&lt;p&gt;no verde,
o abismo se sobrepõe&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o
sol  nascente  na lua cheia&lt;/p&gt;&lt;p&gt;espantado
latejo que não opõe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O excesso
onde assume o sobreiro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a
sobrancelha não reflete o (es)pasmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um facto
antepõe o denso cheiro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;no
asterisco em forma de orgasmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Artéria
que desperta apinhada de gente&lt;/p&gt;&lt;p&gt;silêncio
que remeto em sereno cambiante &lt;/p&gt;&lt;p&gt;um velho
aforismo em quarto crescente&lt;/p&gt;&lt;p&gt;num
devaneio de quarto minguante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O SUJEITO DO ENSAIO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele.
Elas. Loas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lado.
Sado. Boas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pedra. P
reta. Pr anto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;S anto. S
alto. As&lt;/p&gt;&lt;p&gt;co. So&lt;/p&gt;&lt;p&gt;as.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sinto.
Minto. Ou não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;S ei.
Sei-o. En tão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou.
Sou. Não são.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atenção.
Que se. Es&lt;/p&gt;&lt;p&gt;vai. vai&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chio. Ch
ato. S acha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chocha.
Chanfro. Ch iça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cifra.
Chifre. Ch oca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ch ão.
Alto. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ass&lt;/p&gt;&lt;p&gt;alto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cento  peia. Cedo feita. Cai.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cho
vendo. A co isa. Eco a.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sendo. Se
nda. Ai ou aí.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;V ou-me.
Leio-me. V ai&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-o-me. Me&lt;/p&gt;&lt;p&gt;io.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai ao
me. Vei o te.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Te v ai o
e me s ai o.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;S onda
que so letra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En sai-o
que se sujei&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ta. Ta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;co.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sa ída.
Só ida. S ida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só lida.
So li dão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En trave
que des trava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A destra
erva. Ser&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Va. Va&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(i)te.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Noite.
Escura. Só.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Soía. S
uo minha. Ia&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Disper
so-ca minho   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que per corre
o cor&lt;/p&gt;&lt;p&gt;po. Car&lt;/p&gt;&lt;p&gt;pa. Pas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;so.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com bate
que se sabe&lt;/p&gt;&lt;p&gt;sobre
posto. Nódulo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nó que
des ata. Que es bate.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sabático
ar dor no desen la&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ce. Ce&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Re curso
na ondulação&lt;/p&gt;&lt;p&gt;re corre
nte. De c urso&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a que re
corro qu ando no ar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fl ama
que ar de de pois&lt;/p&gt;&lt;p&gt;da. Da&lt;/p&gt;&lt;p&gt;do.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ir  ao l eme.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguém
sua.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;T&amp;reg;eme. Enxam€.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Traje©to
que se trai&lt;/p&gt;&lt;p&gt;indo.
Findo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;V ai.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;PASSO APÓS PASSO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;V ir de
volta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre
volto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;P asso
após tr aço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com passo
que re&lt;/p&gt;&lt;p&gt;torna.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Surjo de
n ovo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sob a pa
lavra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pedra
após letra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrita
desen&lt;/p&gt;&lt;p&gt;quadra
da.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atento
(en)quan t/d o vou&lt;/p&gt;&lt;p&gt;estimo o
en canto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vale tudo
- ou quase.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Es trela
(a) pu&lt;/p&gt;&lt;p&gt;lar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sinto
ensejo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre
iludo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Vele)idade
que ad vem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sub jaz o
des encon&lt;/p&gt;&lt;p&gt;tro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Questiono
o mo mento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A cerco.
Acon chego.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;À tona a
água que&lt;/p&gt;&lt;p&gt;trans
borda. Trans&lt;/p&gt;&lt;p&gt;torna. In
porta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Permaneço
en volto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De sa gre
ga do. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tomara
tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sol eira
que se  des&lt;/p&gt;&lt;p&gt;faz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Devolvo a
volta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En volto
re tomo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sublime
ar dor&lt;/p&gt;&lt;p&gt;que
á(e)spero se as&lt;/p&gt;&lt;p&gt;sume.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sinto(-me)
(o) deserto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Receio
ala&amp;reg;gado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De c urso
que (des)envol&lt;/p&gt;&lt;p&gt;vo no mo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;men  to.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;QUE MAIS SE PODE FAZER ?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acordar
na tarde            no distante              anoitecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acontecer
se arde                       num súbito
alvorecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Renascer
em marte          em parte          se acontecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dar-te             por  não ter               e voltar a reverter.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Adiar             se for o caso              no que tiver que ser&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Encardir
o alvo cardo                  e  de súbito enaltecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Arvorecer
na sombra                      na certa
sem se ver&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltar ao
que nos cerca            entre o deve e o
haver.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Progredir
na (in)certeza          o  suposto engrandecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Arredar
sobre a mesa           o nem sempre
agradecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entrar
pela saída               e assim                retroceder&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ver o
há            o não haver          e tornar a converter.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aprisionar
o aprumo                apenas por puro prazer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O tardar
nos teus seios              num terno
entardecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cativar    o inquieto olhar   como forma de (se) poder&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Padecer      o que parece       que mais se pode fazer ?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;FERNANDO AGUIAR &lt;/b&gt;publicou 31 livros de poesia, performance poética, infantis e
antologias internacionais de poesia visual em Portugal, Espanha, Alemanha,
Itália, Irlanda, Canadá, U.S.A., Inglaterra e no Brasil. Realizou 46 exposições
individuais e participou em numerosas exposições coletivas. Desde 1983
apresentou cerca de 230 intervenções e &lt;i&gt;performances&lt;/i&gt; poéticas em Museus,
Centros Culturais, Teatros e em Galerias de Arte de 26 países. Organizou
diversas exposições e Festivais de Poesia e de &lt;i&gt;Performance&lt;/i&gt; em Portugal, Itália, França e no Brasil. É autor do
“Soneto Ecológico”, uma obra de poesia ambiental constituída por 70 árvores
plantadas em 14 filas de 5 árvores, numa área aproximada de 110x36 metros, em
Matosinhos, 2005.&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719299188</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719299188</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:50 -0500</pubDate><category>Fernando Aguiar</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 2: Antônio Moura</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-height="640" data-orig-width="640"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/a066add26c0eae507d2b44455da417f7/tumblr_inline_pmqdo6iTZv1s5jm5w_540.jpg" data-orig-height="640" data-orig-width="640"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;OUVE O MUNDO&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;i&gt;     A Marcilio Costa&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cala, ouve o mundo, há sempre &lt;br/&gt;uma voz em tudo – um coaxo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;um sibilo, um crocitar, um zumbido,&lt;br/&gt;um gorjeio, um zurrar, um rumor&lt;/p&gt;&lt;p&gt;de água, um silvo, um vento, um&lt;br/&gt;far                     fa                 lhar,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;um balido, um trino, um latido,&lt;br/&gt;um cicio, um grunhido, um grasnado,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;um sussurro, um rosnado, um ron&lt;br/&gt;ronar, um rugido, um bater de asa,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;um estalo na viga da casa, um ecoar,&lt;br/&gt;um latejo na têmpora, um temporal,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;um trovão, um ranger de porta, um&lt;br/&gt;inaudível desabrochar, um cricrilo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;uma sílaba ci ci ci ci ci ci ci cigarra,&lt;br/&gt;um sino, um relógio, uma badalada,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;um último suspiro, um novo ser&lt;br/&gt;a respirar, um gemido amante,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o som de uma lágrima que cai no olvido,&lt;br/&gt;uma vida inteira a murmurar – e no fundo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;de todas as vozes inanimadas e animais&lt;br/&gt;a voz do espírito que a tudo anima.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ouve – há sempre uma voz em tudo.&lt;br/&gt;Fica – um instante – mudo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;JOAQUIM NABUCO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;País &lt;br/&gt;                       transformado em porão, sua carga &lt;br/&gt;                       – cor, sangue, dor, perseguição&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Navio	&lt;br/&gt;	           fantasma há séculos à deriva&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Negreiro&lt;br/&gt;                       o uivo do mar que em volta vibra&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;POEMA PARA LER AO ANDAR COM CUIDADO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você que agora caminha por este poema,&lt;br/&gt;não está ouvindo, além do som das silabas,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o som de sinistros passos ecoando secos&lt;br/&gt;em seu encalço, como que para encarcerá-lo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;como que para amordaçá-lo? Não está agora&lt;br/&gt;pressentindo atrás de sua própria sombra&lt;/p&gt;&lt;p&gt;uma outra sombra, que, aos poucos, se agiganta&lt;br/&gt;querendo, de forma réptil, cobrir tudo, todos,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;com sua escura manta? Não está sentindo, &lt;br/&gt;agora, fazer ninho eu seus ouvidos a gralha&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a rasga-mortalha da histérica pregação,&lt;br/&gt;que busca ensurdecê-lo com seu grasnado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;para que ouça, unicamente, a voz intolerante,&lt;br/&gt;a voz fanática e prepotente do Deus demente?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não está vendo uma venda que, lentamente, &lt;br/&gt;cai sombria sobre seus olhos, sobre sua mente?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você que agora caminha por este poema,&lt;br/&gt;cuidado, aqui perto, no fim da Rua Extrema&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a oficina do fascismo fabrica frias algemas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;ONIPRESENÇA ONIPOTÊNCIA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;     A Noam Chomsky&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Júpiter&lt;br/&gt;Isis&lt;br/&gt;Baal&lt;br/&gt;Amon-Rá&lt;br/&gt;Thor&lt;br/&gt;Saturno&lt;br/&gt;Cronos&lt;br/&gt;Belus&lt;br/&gt;Vênus&lt;br/&gt;Odin&lt;br/&gt;Marte&lt;br/&gt;Plutão&lt;br/&gt;Hutzilopochtli&lt;br/&gt;Tezcatlipoca&lt;br/&gt;Moloch&lt;br/&gt;Gigantes&lt;br/&gt;ICBC&lt;br/&gt;China Construction Bank&lt;br/&gt;Agricultural Bank of China&lt;br/&gt;Berkshire Hathaway&lt;br/&gt;JPMorgan Chase&lt;br/&gt;Bank of China&lt;br/&gt;Wells Fargo&lt;br/&gt;Aplle&lt;br/&gt;ExxonMobil&lt;br/&gt;Toyota Motor&lt;br/&gt;Bank of America&lt;br/&gt;AT&amp;amp;T&lt;br/&gt;Citigroup&lt;br/&gt;HSBC Holdings&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;TANTO QUANTO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um tanto de mentira, um quanto de verdade, assim&lt;br/&gt;vai se erguendo o mito, teia entretecida com os fios&lt;/p&gt;&lt;p&gt;da vida e da irrealidade, boca a boca, ouvido a ouvido&lt;br/&gt;e algumas manchas de escrito, assim vai-se fazendo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;do finito, infinito – uma palavra e um caminho que &lt;br/&gt;sem se salvar do tempo consegue escapar do olvido, vida&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e arte entrelaçadas em grandes travessias de oceanos,&lt;br/&gt;pequenos barcos por furos dentro das matas, algumas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;visões extraordinárias, muito de banal e cotidiano, e&lt;br/&gt;no meio da vegetação emaranhada, no centro da clareira&lt;/p&gt;&lt;p&gt;borbulha o caldeirão da feiticeira, o aroma do amor, suas&lt;br/&gt;especiarias misturadas ao odor azedo da dor – gordura fria&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e fundidos no ar o olor das flores e o odor das fezes, &lt;br/&gt;nuvens saindo dos olhos dos demônios e dos deuses&lt;/p&gt;&lt;p&gt;para chover e forjar o humano jardim que floresce &lt;br/&gt;e apodrece, floresce, apodrece, floresce, apodrece,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;floresta queimando num tempo tenebroso em que os uivos &lt;br/&gt;dos famintos e refugiados ecoam pelos cômodos das casas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e em contraponto reverberam sobre o silencio que cobre&lt;br/&gt;os corpos mortos dos nossos vizinhos índios, pretos, pobres,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;almas vagando pelos cômodos cômodos de nossas casas,&lt;br/&gt;ecos incômodos pelos cômodos cômodos de nossas casas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A página escurece, o estrondo de um meteoro soa na sala&lt;br/&gt;e entre os astros e o desastre ergue-se o rumor do mito,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a doce mentira, o sal da verdade, a vida, a arte – o grito&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;THE INVISIBLE WAR&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;     Os fragmentos da guerra invisível entram pelas frestas das portas e janelas, fantasmas de gás inflamável evaporados de grandes banquetes onde são servidos terrorismo de estado à la carte, cozidos geopolíticos com uma pitada de fundamentalismo religioso e fatias de porcos totalitários à direita e à esquerda da mesa. &lt;br/&gt;     Multidões de refugiados cruzam o mapa de meu quarto, passam por cima de minha cama carregando seus trapos até saírem pela porta do espelho onde esperam encontrar um outro mundo. &lt;br/&gt;     Os minúsculos fragmentos desta guerra grudam na sola de meus sapatos onde quer que eu vá, onde quer que eu ande, na rua, debaixo da terra, pelos telhados, explodem em forma de estilhaços ultra silenciosos a cada passo e enquanto ando em minha parca velocidade de homem a guerra invisível viaja numa velocidade estonteante &lt;br/&gt;por dentro de pequenos telefones, deixando milhares de mortos e feridos por entre os escombros das telas de cristal líquido.&lt;br/&gt;     A guerra fantasma é um &lt;i&gt;flâneur&lt;/i&gt; maligno do Vale da Sombra da Morte, está em toda parte e em parte nenhuma, às vezes, sem que ninguém perceba, passa, com suas armas de alta tecnologia, por entre crianças que brincam descalças numa abandonada praça de periferia. Às vezes passa, causando arrepios, um vento frio, nos animais da floresta. &lt;br/&gt;     Por toda parte e em parte alguma, impalpável, Deus Onipresente, vaga um vírus fabricado em laboratórios transnacionais pagos pela moeda de lata dourada que carrego em meu bolso. &lt;br/&gt;     Não se pode vê-la nem ouvi-la, só senti-la quando já está muito perto, entrando silenciosa e sorrateira por dentro dos pesadelos dos que dormem nas cidades que dormem sem dormir de olhos bem abertos quando fecham os olhos de medo, quando tapam os ouvidos, para não escutar, apavorados, o bater de botas e o trotar de cavalos adornados de fitas e penachos aproximando-se de suas cabeceiras. &lt;br/&gt;     Veja, de dentro da cortina de fumaça e poeira que se levanta do cyber front erguido eletrônico no meio da sala, a múmia de Tio Patinhas ressuscita ainda mais sovina, decretando o fim da história, o fim das utopias, nadando, cínico, em sua gigantesca banheira de dinheiro.&lt;br/&gt;     Em vários pontos estratégicos da nova guerra, tiranetes-fantoches esperam por novas ordens sentados em seus urinóis decorados por coloridas logomarcas.&lt;br/&gt;     Não se sabe onde ela está – o inimigo sou eu, o inimigo é você – a guerra feita de vento, que agora me faz andar como um cego que tateia o ar sem sua bengala.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;YO Y EL SORDO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;     A Goya, El Sordo&lt;br/&gt;     A Isadora&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não podes me escutar&lt;br/&gt;Para falar contigo&lt;br/&gt;basta apenas apalpar&lt;br/&gt;as paredes de tua arte&lt;br/&gt;e perceber que a maldade humana&lt;br/&gt;descansa em qualquer tipo de barro,&lt;br/&gt;que se ergue e dá alguns passos&lt;br/&gt;entre a espera&lt;br/&gt;e o desespero que o esboroa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nós dois sabemos&lt;br/&gt;que a borra da miséria e o cristal da estrela&lt;br/&gt;residem em cada gota de tinta,&lt;br/&gt;que o mar e o amor &lt;br/&gt;só existem para quem não os atravessa&lt;br/&gt;e que o lugar em que parecemos reinar,&lt;br/&gt;o lugar em que parecemos reinar&lt;br/&gt;é um território inconquistado,&lt;br/&gt;um chão sobre o qual o trono e a coroa&lt;br/&gt;são dados no mesmo instante&lt;br/&gt;em que a trombeta e a voz de um arauto nos manda abandoná-lo,&lt;br/&gt;mal saboreamos o cheiro marinho&lt;br/&gt;da Alba deitada nua na areia da praia&lt;br/&gt;e vemos que o que aqui nos trouxe,&lt;br/&gt;o barco há pouco ali ancorado – vês? – &lt;br/&gt;já arde em chamas – queima &lt;br/&gt;a pergunta do marujo se o desamparo do mar é a única forma de voltar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ou, quem sabe, assim,&lt;br/&gt;pedindo emprestado um pouco&lt;br/&gt;de tuas tintas,&lt;br/&gt;o sonho da razão,&lt;br/&gt;o pesadelo de Freud cem anos antes,&lt;br/&gt;quando as corujas piam em volta de tua cabeça,&lt;br/&gt;que deita para deixar escapar&lt;br/&gt;monstruos, los desastres, los caprichos, los disparates,&lt;br/&gt;las pinturas negras&lt;br/&gt;nas paredes que não têm ouvidos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;A OUTRA VOZ&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Presente em tudo e sempre oculto, serpente&lt;br/&gt;verde e imóvel entre a folhagem, imagem&lt;/p&gt;&lt;p&gt;que não se vê nem ouve-se mas sente-se&lt;br/&gt;perpassar todas as formas que armam&lt;/p&gt;&lt;p&gt;nosso breve arco riscado a giz de nuvem&lt;br/&gt;sobre a impalpável escuridão do mundo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enigma, da superfície ao fundo, vulto&lt;br/&gt;transparente atravessando o véu do tempo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;reunindo, em sua única voz todas as vozes&lt;br/&gt;do vento, céu vazio, rio sem foz e nascimento,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;círculo invisível em volta de seu próprio&lt;br/&gt;mistério – eterno, terreno, intocável, aéreo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o silêncio, Deus da poesia, diz mais um dia&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Antônio Moura&lt;/b&gt; nasceu em Belém do Pará, 1963, residiu
em São Paulo, Lisboa e atualmente vive em Belém. Poeta e tradutor, tem onze livros publicados, oito no Brasil e
três no exterior. &lt;b&gt;Poesia:&lt;/b&gt; Dez,
edição do autor; Hong Kong &amp;amp; outros poemas, Ateliê Editorial; Rio Silêncio,
Lumme Editor; A sombra da Ausência, Lumme Editor; A outra voz, Editora
Patuá. &lt;b&gt;Tradução:&lt;/b&gt; Quase-sonhos,
Jean-Joseph Rabearivelo, Lumme Editor; Traduzido da noite, Jean-Joseph
Rabearivelo, Lumme Editor; Contra o segredo profissional, César Vallejo, Lumme
Editor. Rio Silêncio foi premiado na John Dryden Translation Competition, em tradução para o inglês de
Stefan Tobler, publicado em pela
editora Arc Publications, com o título de Silence River, com uma turnê de lançamento
por oito cidades da Inglaterra. Publicado em Valéncia, Catalunha, Edicions 96, em
tradução para o catalão por Joan Navarro, sob o título de Després del diluvi i
altres poemes (Após o dilúvio e outros poemas). Editado no México, Río
Silencio, em tradução para o espanhol por Victor Sosa, Editora Calligrammes. Tem
sido publicado em diversas revistas e antologias nacionais e internacionais.&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719292863</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719292863</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:46 -0500</pubDate><category>Antônio Moura</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 3: Jorge Arrimar</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img alt="image" src="https://64.media.tumblr.com/030a4251b66b256966dd500c868ad893/tumblr_inline_pmqeri59am1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;1. de que montanha?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;não sei de que montanha sou &lt;/p&gt;&lt;p&gt;se daquela que transporto em mim, toda em mim,&lt;br/&gt;um meteoro vindo do espaço há mil anos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se daquela que me habita há um segundo,&lt;br/&gt;o segundo tempo depois do primordial (es)pasmo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;2. álbum de recordações&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;uma velha buganvília &lt;br/&gt;a embeber tudo numa névoa roxa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e minha bisavó sentada no terreiro&lt;br/&gt;a refrescar-se nas tardes mornas &lt;/p&gt;&lt;p&gt;com leques de bambu e palma&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;3. infância &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o deserto que atravessamos &lt;br/&gt;não é nosso. somos estrangeiros &lt;br/&gt;nas suas dunas. só os cactos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;vieram connosco, agarrados&lt;br/&gt;aos pés da infância&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;4. Esconderijo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;entre ábacos de ébano &lt;br/&gt;e dados de marfim &lt;br/&gt;um velho chinês procura-me &lt;br/&gt;com dedos de bambu &lt;/p&gt;&lt;p&gt;o carácter que me possui &lt;br/&gt;é um esconderijo de silêncios&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;5. Imbondeiro&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;há frutos &lt;br/&gt;nos ramos do imbondeiro &lt;/p&gt;&lt;p&gt;a penugem que libertam&lt;br/&gt;cobre os pássaros que voam para o céu &lt;br/&gt;da boca&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;6. ressureição da dança&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;é da terra que chega a seiva, &lt;br/&gt;o sangue das plantas que, morrendo, &lt;br/&gt;mais se enraízam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;da próxima vez que te vir &lt;br/&gt;de pés nus a lavrar o chão&lt;br/&gt;acertarei o passo contigo &lt;/p&gt;&lt;p&gt;na dança &lt;br/&gt;dos homens que estão antes &lt;br/&gt;dos mais antigos que a memória guarda&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Jorge&lt;/b&gt; [Manuel de Abreu] &lt;b&gt;Arrimar&lt;/b&gt; nasceu em S. Pedro da Chibia, Angola. Publicou dez títulos de poesia e cinco de ficção. Encontra-se representado em diversas antologias, nomeadamente, &lt;i&gt;Antologia de Poetas de Macau&lt;/i&gt; (Macau), &lt;i&gt;Divina Música&lt;/i&gt; (Portugal), &lt;i&gt;Ovi-sungu – 13 Poetas de Angola&lt;/i&gt; (Brasil), &lt;i&gt;Poetas da Ásia Portuguesa&lt;/i&gt; (EUA); participa em várias revistas literárias, das quais se destacam &lt;i&gt;Eufeme&lt;/i&gt; (Portugal), &lt;i&gt;Seixo Review&lt;/i&gt; (Canadá), &lt;i&gt;Literatas&lt;/i&gt; (Moçambique), &lt;i&gt;Textos &amp;amp; Pretextos&lt;/i&gt; (Portugal), &lt;i&gt;Zunái&lt;/i&gt; (Brasil).&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719290798</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719290798</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:40 -0500</pubDate><category>Jorge Arrimar</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 4: Scheila Sodré</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/a738f129550b40707c6d6fa6682427b5/tumblr_inline_pmqeseewk61s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;CLAVA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Flores e crânios confinados&lt;br/&gt;a espera do vento.&lt;br/&gt;a lápide e o trono&lt;br/&gt;dos leopardos&lt;br/&gt;dentes amarrados&lt;br/&gt;aos cipós do tempo&lt;br/&gt;clava que parte o solo&lt;br/&gt;o níquel da barganha&lt;br/&gt;no bolso&lt;br/&gt;Iku desenha o caminho da terra &lt;br/&gt;de volta ao ventre de Nanã.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;OXUM&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Oxum &lt;br/&gt;dança-luz&lt;br/&gt;na gira &lt;br/&gt;asas-dragão &lt;br/&gt;escamas &lt;br/&gt;de pétalas &lt;br/&gt;gritos &lt;br/&gt;de xirê &lt;br/&gt;língua &lt;br/&gt;de Oxum &lt;br/&gt;devora&lt;br/&gt;homens &lt;br/&gt;contorna &lt;br/&gt;pedras &lt;br/&gt;desenha&lt;br/&gt;lábios &lt;br/&gt;com pó &lt;br/&gt;dourado &lt;br/&gt;sopra ao vento&lt;br/&gt;mariposas &lt;br/&gt;brilhantes &lt;br/&gt;tiara &lt;br/&gt;de búzios &lt;br/&gt;e contas &lt;br/&gt;Ori-mulher&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;IKU&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre os mundos existe um portal: &lt;br/&gt;a fronteira entre a vida e a morte&lt;br/&gt;vida, morte, morte, &lt;br/&gt;vida-anáfora &lt;br/&gt;criação de Iku&lt;br/&gt;arranha-céus de Igba Nanã&lt;br/&gt;abrigam o pouso da coruja&lt;br/&gt;chuva ácida lava os grãos&lt;br/&gt;aros&lt;br/&gt;carros e motores &lt;br/&gt;molha o chapéu &lt;br/&gt;de vento perdido &lt;br/&gt;que cai no buraco da terra&lt;br/&gt;câncer no seio da &lt;br/&gt;mãe nanã&lt;br/&gt;a ferida da cidade grande&lt;br/&gt;luzes e redemoinhos artificiais&lt;br/&gt;vagalumes labirinticos&lt;br/&gt;de veludo plástico&lt;br/&gt;redes invisíveis &lt;br/&gt;engolidas pela lama&lt;br/&gt;raízes&lt;br/&gt;fios de conta lilás, &lt;br/&gt;branco e roxo&lt;br/&gt;ibiri bate no portão&lt;br/&gt;cajado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;XANGÔ&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O trono de Óyò &lt;br/&gt;feito de ferro, safiras e dentes de leão, &lt;br/&gt;amálgama da África&lt;br/&gt;Tempestade, gritos de metal,&lt;br/&gt;Ãrá-Trovoada&lt;br/&gt;Ventos de papéis, pergaminhos de pele de carneiro, flores e pedras editais&lt;br/&gt;Xangô traga exércitos, ouve clamores e o tambor do justo, do puro e os apitos dos índios da Amazônia&lt;br/&gt;Filho dos sóis expulsa as&lt;br/&gt;correntes do mal, faz tremer o solo, castigue os burocratas desonestos&lt;br/&gt;Traga o machado cego e duplo&lt;br/&gt;da Justiça Ida oba&lt;br/&gt;atira à queima-roupa e cala todas vozes da corrupção&lt;br/&gt;Alimente com imalá as bocas famintas dos direitos&lt;br/&gt;paz ao meu doce lar&lt;br/&gt;minha Pátria de anjos operários, crianças e homens em caixas de papelão&lt;br/&gt;onde existe a esperança baba Orisá baba?&lt;br/&gt;Justiça divina vaza dos teus olhos&lt;br/&gt;Dentro dos seres sem fé do reino da fênix que &lt;br/&gt;Clamam por ti Xangô.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Kawó Kabiesilé&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;RAINHA-MÃE&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Erù-Iyá&lt;br/&gt;Odó-Iy&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;calunga grande da praia corpo de escamas e pétalas&lt;br/&gt;vestido Iemanjá de safiras e abebés de rainha&lt;br/&gt;Afagos da mãe bondosa que me quer&lt;br/&gt;lua nova, cabocla da praia da concha dourada&lt;br/&gt;ouve o vento dentro da cabaça&lt;br/&gt;de lágrimas e pratos rasos de arroz&lt;br/&gt;flutuando sobre os náufragos sem futuro&lt;br/&gt;redes de pescadores, ostras, antenas de transmissão, cabeças de peixe, ouriços pontudos, caranguejos virados chapiscados de areia branca&lt;br/&gt;plancton de espumas metálicas-fogo-fátuo contornam encostas e rochedos&lt;br/&gt;Farol solitário de pouso da gaivota&lt;br/&gt;vela-cruz dos marinheiros e açoras de âncoras&lt;br/&gt;cordas de prata cingidos em cabelos longos de onda&lt;br/&gt;Fiandeiras desse destino incerto &lt;br/&gt;das sementes de mostarda&lt;br/&gt;em teu ventre&lt;br/&gt;&lt;i&gt;Erù-Iyá&lt;br/&gt;Odó-Iyá&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;DESDÊMONA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Lay by these—&lt;br/&gt;Willow, willow—&lt;br/&gt;Prithee, hie thee, he’ll come anon—&lt;br/&gt;Sing all a green willow must be my garland.&lt;br/&gt;&lt;i&gt;                      Shakespeare, Othello, act IV&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Desdêmona desrégia à beira-rio&lt;br/&gt;desfiladeiro descida de lápides&lt;br/&gt;despontada da terra úmida&lt;br/&gt;desilusão estrela da manhã&lt;br/&gt;desfeita em ramos de cipó&lt;br/&gt;desposa sem sorte consorte&lt;br/&gt;desposa cão andaluz&lt;br/&gt;déspota uivante&lt;br/&gt;desiderio, desiderio, desiderio&lt;br/&gt;desencanto estéril&lt;br/&gt;descalça pontas de gesso&lt;br/&gt;desfigurada Desdêmona&lt;br/&gt;folhas flutuam à beira-rio&lt;br/&gt;asfixia desideratum.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;INFÂNCIA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;livros flutuantes&lt;br/&gt;peixes-cascudos&lt;br/&gt;saltando da lama&lt;br/&gt;tempestades&lt;br/&gt;crianças a cavalo&lt;br/&gt;subindo beliches&lt;br/&gt;crianças vazantes&lt;br/&gt;luas crescentes&lt;br/&gt;em seu quarto&lt;br/&gt;a inquietude&lt;br/&gt;nos dedos perfurados&lt;br/&gt;por termômetros&lt;br/&gt;o indicador&lt;br/&gt;apontando ao céu&lt;br/&gt;segurando mercúrios&lt;br/&gt;mercúrio-sangue&lt;br/&gt;lápis inchados&lt;br/&gt;casa liquefeita&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;CHAFARIZ#21&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;pés descalços correm&lt;br/&gt;matam um sapo&lt;br/&gt;chove facas&lt;br/&gt;lâminas e línguas&lt;br/&gt;subindo telhados&lt;br/&gt;chafariz de pedra&lt;br/&gt;memória de um córrego&lt;br/&gt;que ecoa e silencia &lt;br/&gt;gritos do rio sujo&lt;br/&gt;o rio começa&lt;br/&gt;o rio termina&lt;br/&gt;pessoas dançam&lt;br/&gt;crianças riem&lt;br/&gt;sem saber das perdas&lt;br/&gt;esculpindo lama&lt;br/&gt;anjos sujos&lt;br/&gt;asas molhadas&lt;br/&gt;chuvas de escorpião.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;UNTITLED&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não importa quem sejam eles&lt;br/&gt;mas quem você pensa&lt;br/&gt;que eles são&lt;br/&gt;o que sente&lt;br/&gt;no café da Paris&lt;br/&gt;dos anos 30&lt;br/&gt;bebericando absinto&lt;br/&gt;&lt;i&gt;je t’aime  je t’aime je t’aime&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;disparo tiros baixos nas fadas dançantes no assoalho&lt;br/&gt;demônios múltiplos&lt;br/&gt;Incubus líricos de Balaam&lt;br/&gt;cabeças-duras cabeças secas&lt;br/&gt;do tabuleiro mármore &lt;br/&gt;o tornozelo da moça e seus sapatos negros com saltos de ampulheta &lt;br/&gt;cristais no olho crisântemo&lt;br/&gt;pétalas pálidas de asa-borboleta camadas de epiderme fina&lt;br/&gt;vendendo a alma por trocados&lt;br/&gt;fãs de fadas e bebidas&lt;br/&gt;&lt;i&gt;fumée fumée&lt;/i&gt; a fumaça da cigarrilha&lt;br/&gt;com quem te deitas?&lt;br/&gt;amor amigo atirador oh fascistas de olhos fechados &lt;br/&gt;enganando tolos&lt;br/&gt;folhas ao vento em todas as direções&lt;br/&gt;Quem você pensa que eles são?&lt;br/&gt;Animais?&lt;br/&gt;Ânima, alma ou anjo?&lt;br/&gt;raça humana?&lt;br/&gt;raças de cães?&lt;br/&gt;fenótipos da mesma fagulha&lt;br/&gt;abismo-me &lt;br/&gt;são pessoas?&lt;br/&gt;nação de soldados e engrenagens &lt;br/&gt;post morten ?&lt;br/&gt;&lt;i&gt;rigor mortis?&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;É o fim? Fim dos sonhos&lt;br/&gt;Levantai-vos ou animais-vos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;SEM TÍTULO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;desplumada frente ao espelho&lt;br/&gt;base na epiderme seca&lt;br/&gt;sombras negras nos olhos molhados&lt;br/&gt;escondendo a pele&lt;br/&gt;e a alma&lt;br/&gt;feito máscara Nô&lt;br/&gt;apneia toda manhã&lt;br/&gt;e a dança dos pés&lt;br/&gt;presos ao solo&lt;br/&gt;cenário de pinheiros&lt;br/&gt;cortinas e galáxias&lt;br/&gt;pintados à mão&lt;br/&gt;pluma mantélica em erupções &lt;br/&gt;lava quente à cama&lt;br/&gt;cabeça e fios de cabelos&lt;br/&gt;vestes de seda e cerejeiras&lt;br/&gt;madeixas num coque repuxado&lt;br/&gt;até as últimas consequências&lt;br/&gt;personagem Kabuki&lt;br/&gt;expressões contorcidas&lt;br/&gt;supervulcões faciais&lt;br/&gt;olhando a lua&lt;br/&gt;mulher enlouquecida&lt;br/&gt;busca neve artificial &lt;br/&gt;nos cubos de gelo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;DENTRO DO DODECAEDRO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dentro do dodecaedro &lt;br/&gt;leões alados no picadeiro&lt;br/&gt;lona multicolorida&lt;br/&gt;água-régia&lt;br/&gt;escorre das pernas-de-pau&lt;br/&gt;corrói unhas pintadas&lt;br/&gt;de mercúrio amarelo&lt;br/&gt;soluços espasmos&lt;br/&gt;nas cordas vocais&lt;br/&gt;cabos de aço espaciais&lt;br/&gt;giram braços-de-ouriço&lt;br/&gt;barras de ferro&lt;br/&gt;contorcionismo&lt;br/&gt;da roda gigante&lt;br/&gt;girante em curva luz&lt;br/&gt;claras em neve &lt;i&gt;pisco-sour&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;ROUTE 66+6&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O cão corre atrás da lebre selvagem&lt;br/&gt;pula a cerca de ferrugem&lt;br/&gt;a lebre foge e o cão preso&lt;br/&gt;&lt;i&gt;Land of Enchantment&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;a película exposta a luz solar &lt;br/&gt;derretendo plásticos, terra, espíritos de condor&lt;br/&gt;búfalos e cavalos correm&lt;br/&gt;sobem a montanha chamuscada em vermelho-xamã&lt;br/&gt;animal totem espreita&lt;br/&gt;nativos vestindo jeans &lt;br/&gt;presilhas de turquesas e penas&lt;br/&gt;feno rolando com papéis&lt;br/&gt;carrinho de bebê&lt;br/&gt;verde-cactus e vento&lt;br/&gt;o cão grita&lt;br/&gt;pendurado feito fio de prumo&lt;br/&gt;sob reflexo da lua gigante &lt;br/&gt;o homem é o pior inimigo do animal &lt;br/&gt;besta fera fogo-fátuo do deserto&lt;br/&gt;esmagadora presença rubro-negra &lt;br/&gt;mandíbula quebra-nozes&lt;br/&gt;apertada contra a porta&lt;br/&gt;caçar ou morrer&lt;br/&gt;estradas e botas que caminham ao inferno.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Scheila Sodré&lt;/b&gt; é poeta, professora de língua inglesa,
graduada em Tradução e autora da plaquete de poemas &lt;i&gt;Hemicrânia&lt;/i&gt; (Leonella, 2018).&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719289453</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719289453</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:36 -0500</pubDate><category>Scheila Sodré</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 5: Armando Roa Vial</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/ba42a1f82850ccb52be7d2875dec7b96/tumblr_inline_pmqet68TKx1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;VARIACIONES  A WILLIAM DUNBAR: EL LAMENTO POR LOS POETAS&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Yo, que antaño disfruté de salud,&lt;br/&gt;ahora me aflige esta enfermedad&lt;br/&gt;que es augurio de llantos y ataúd.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nuestras dichas, ay, son vano espejismo,&lt;br/&gt;astucias de un destino transitorio;&lt;br/&gt;débil la carne, de cara al abismo.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Suda el hombre su triste condición;&lt;br/&gt;si ayer lozano, hoy envejecido &lt;br/&gt;con nervio y tendón en demolición.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nada hay firme o seguro en esta vida:&lt;br/&gt;escuálida hojarasca que se agita&lt;br/&gt;donde la voz del hombre es desoída.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;En la muerte se hunden los estamentos,&lt;br/&gt;príncipes, prelados y potestades,&lt;br/&gt;ricos y pobres del polvo fermentos.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Reta en batalla, que tanto disfruta,&lt;br/&gt;suyos el yelmo y el escudo, muerte&lt;br/&gt;victoriosa ante asomo de disputa.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;La torva tiranía de la muerte&lt;br/&gt;arranca al tierno infante de su madre&lt;br/&gt;y  con furia su inocencia pervierte. &lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hace suya la espada y el laurel,&lt;br/&gt;la intrepidez del señor en combate,&lt;br/&gt;la doncella, con ajuar y oropel. &lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No es indulgente ante el poder de reyes&lt;br/&gt;o ante la dignidad del sacerdote:&lt;br/&gt;su guadaña arrasa todas las leyes.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Profetas y teólogos y eruditos,&lt;br/&gt;astrólogos, filósofos y magos,&lt;br/&gt;todos, sí, todos son sus favoritos.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Del avezado, del docto y el diestro,&lt;br/&gt;de jueces, comerciantes o galenos,&lt;br/&gt;de todos la muerte urdirá secuestro&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Y diviso también a los poetas&lt;br/&gt;que sollozan: sus musas injuriadas&lt;br/&gt;por el destino, mustias y obsoletas.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;La muerte devoró salvajemente&lt;br/&gt;al gran Chaucer, príncipe de poetas,&lt;br/&gt;y también a John Gower, tan potente.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Sir Hugh de Eglington cerró los ojos,&lt;br/&gt;Heryot y Wyntoun, ambos desterrados&lt;br/&gt;por la muerte al erial de los despojos.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como un fiero escorpión ha envenenado&lt;br/&gt;a maese James Affleck y a John Clerk,&lt;br/&gt;muerte envilecida ante lo sagrado.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por ella, hoy, se abisman en el miedo&lt;br/&gt;Holland y Barbour y Sir Mungo Lokert.&lt;br/&gt;A la muerte nada le importa un bledo.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;El autor de Gawain, inolvidable&lt;br/&gt;clérigo de Tranent, y Gilbert Hay&lt;br/&gt;mancillados por esta miserable.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hary, Sandy Traill, Patrick Johnstown: cada &lt;br/&gt;uno ahogado por la barahúnda&lt;br/&gt;de la muerte artera y desfachatada.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Merseir, que hizo del amor pulso vivo&lt;br/&gt;de palabras gozosas, puso fin&lt;br/&gt;a sus días, del gusano cautivo.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Roull de Aberdeen lo abrazó la muerte;&lt;br/&gt;también a Roull de Corstorphin, amigos&lt;br/&gt;que ningún hombre podrá devolverte.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En Dunfermelin murmura insidiosa&lt;br/&gt;sobre Robert Henrison y John Ros;&lt;br/&gt;muerte alcahueta, tosca y alevosa.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Su guadaña no libró a los gentiles &lt;br/&gt;John Reid y Quintin Shaw, a quienes hoy&lt;br/&gt;lloran y lloran las gentes por miles. &lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Y Walter Kennedy tan bondadoso	 &lt;br/&gt;sufrió ló indecible al morir, escrito&lt;br/&gt;como estaba su destino ominoso.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Así la muerte a mis amigos hunde &lt;br/&gt;de prisa y ya huele en quien esto escribe&lt;br/&gt;la próxima presa que los secunde.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Remedio ninguno existe contra ella;&lt;br/&gt;lo mejor es disponer de esta vida&lt;br/&gt;antes que mi muerte inicie su mella.&lt;br/&gt;El temor a la muerte me perturba. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;EN EL ÚTERO YA SE NOS VISTE&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En el útero ya se nos viste&lt;br/&gt;porque la muerte apura e insiste:&lt;br/&gt;nacer y morir van de la mano&lt;br/&gt;como dos brotes del mismo grano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que el semen acabe su invectiva&lt;br/&gt;en las ascuas que tu vientre aviva:&lt;br/&gt;parirás con dolor la palabra&lt;br/&gt;que mi carne embustera en ti labra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En el útero ya se nos viste&lt;br/&gt;porque la muerte apura e insiste:&lt;br/&gt;nacer y morir van de la mano&lt;br/&gt;como dos brotes del mismo grano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ruina la tuya, muerte: tan fuerte&lt;br/&gt;en el amor de amantes sin suerte:&lt;br/&gt;tu verso les colma el universo,&lt;br/&gt;ardor de fuego fatuo y perverso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;En el útero ya se nos viste&lt;br/&gt;porque la muerte apura e insiste:&lt;br/&gt;nacer y morir van de la mano&lt;br/&gt;como dos brotes del mismo grano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dirán que todo esto es tan trivial,&lt;br/&gt;esto de la vida sin aval;&lt;br/&gt;nada nuevo bajo el sol, oh muerte:&lt;br/&gt;pero yo sigo sin entenderte,&lt;br/&gt;a ti, que nadie puede torcerte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;LA ROSA, NO SE SABE&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;La rosa, no se sabe&lt;br/&gt;si con o sin por qué,&lt;br/&gt;está en flor otra vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No le preguntes nada&lt;br/&gt;ni ahogues su promesa: &lt;br/&gt;está en flor otra vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Es simplemente rosa&lt;br/&gt;entre tallos y espinas,&lt;br/&gt;labios sin palidez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rosa áurea, mecida&lt;br/&gt;por el viento, sus pétalos&lt;br/&gt;en versos del viejo Ez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;La rosa, no se sabe&lt;br/&gt;si con o sin por qué&lt;br/&gt;está en flor otra vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Armando Roa Vial&lt;/b&gt;, poeta chileno, nascido
em 1966, publicou, entre outros títulos,&lt;i&gt; Zarabanda de la Muerte Oscura&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Estancias
en homenaje a Gregorio Samsa&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Hotel Celine&lt;/i&gt;. Traduziu o
poema medieval anglo-saxão &lt;i&gt;O Navegante&lt;/i&gt; e publicou diversos
ensaios. Recebeu o Premio Nacional de la Critica (2000), o Premio Altazor
(2001) e o Premio Pablo Neruda (2002).&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719287813</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719287813</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:32 -0500</pubDate><category>Armando Roa Vial</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 6: León Félix Batista</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/c6fc2453d2a34c3c13730f75a37bbe84/tumblr_inline_pmqetvDDTh1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;LI PO SUCCIÓN &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dos labios rojos&lt;br/&gt;te invitan a comer,&lt;br/&gt;condimentados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desiertos del deseo.&lt;br/&gt;Y oasis son los higos&lt;br/&gt;del escroto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Al darles brocha&lt;br/&gt;a pétalos en flor&lt;br/&gt;se pintan gritos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rosa del pubis:&lt;br/&gt;brasa que te congela&lt;br/&gt;cuando la tocas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;El crucifijo&lt;br/&gt;que muere en un escote&lt;br/&gt;me resucita. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;La sed desierta&lt;br/&gt;del pubis afeitado&lt;br/&gt;es mi espejismo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tocando estrellas&lt;br/&gt;mi lengua sube al cielo&lt;br/&gt;entre tu boca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Magma húmedo&lt;br/&gt;la boca en los volcanes&lt;br/&gt;del cunnilingus.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sentir de golpe&lt;br/&gt;la sal: besar el centro&lt;br/&gt;es mi ambrosía.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mis manos hablan&lt;br/&gt;en braille al otro cuerpo&lt;br/&gt;que, ciego, escucha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atando hilos&lt;br/&gt;del ovillo de los dos&lt;br/&gt;tejemos hijos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mano o próximo&lt;br/&gt;el cuerpo es un enigma&lt;br/&gt;soluble a solas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Evocas ingles&lt;br/&gt;de mujer cuando comes&lt;br/&gt;ciertos moluscos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bajar al pozo&lt;br/&gt;de la vulva y hallar&lt;br/&gt;el vellocino.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se va el verano&lt;br/&gt;pero se queda: queda&lt;br/&gt;entre las bragas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;*Esta selección de haiku erótico proviene del libro inédito “Las mil y una hojas” compuesto por exactamente 1001 poemas en la tradicional forma japonesa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
















&lt;b&gt;León Félix Batista,&lt;/b&gt; Santo Domingo, 1964. Es autor de &lt;i&gt;Prosa do que está na esfera &lt;/i&gt;(Olavobrás,
Sao Paulo, 2003, traducción de Claudio Daniel y Fabiano Calixto), &lt;i&gt;Delirium semen &lt;/i&gt;(Aldus, 2010), &lt;i&gt;Caducidad &lt;/i&gt;(Amargord, 2011) y &lt;i&gt;Próximo pasado &lt;/i&gt;(Praxis, 2018), entre
otros. Aparece en importantes antologías como &lt;i&gt;Cuerpo Plural&lt;/i&gt; (Pretextos, 2010) y &lt;i&gt;Poesía esencial dominicana &lt;/i&gt;(Visor, 2011). 



&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719284808</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719284808</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:24 -0500</pubDate><category>León Félix Batista</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 7: Rodolfo Hasler</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/5b043039b50ed309bef3c35bc0450f0a/tumblr_inline_pmqeukFeDq1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;LENGUA DE LOBO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Una tarde,&lt;br/&gt;obcecado con el rastro de un espectro,&lt;br/&gt;entré en la sala del museo,&lt;br/&gt;suelo ajedrezado y paredes de color carmín&lt;br/&gt;juegan con las sombras por las esquinas,&lt;br/&gt;me dijo, ¿dónde estuviste&lt;br/&gt;todo este tiempo?,&lt;br/&gt;¿escribías?&lt;br/&gt;Iba de una sala a otra, de los simbolistas&lt;br/&gt;a la flor de cera de Redon&lt;br/&gt;de la que no pretendo dar explicaciones,&lt;br/&gt;el tallo azul ultramar, la flor carmesí&lt;br/&gt;crece en el espacio&lt;br/&gt;hasta invadir la estancia.&lt;br/&gt;Esta situación podría no existir,&lt;br/&gt;ser parte del mundo onírico que hace mucho&lt;br/&gt;me atrapó.&lt;br/&gt;En el centro acecha la ansiedad,&lt;br/&gt;la visita al caparazón del erizo&lt;br/&gt;junto a una estrella de mar,&lt;br/&gt;una enredadera sulfurosa envuelve&lt;br/&gt;el recuerdo que impide conciliar el sueño,&lt;br/&gt;pétalos se abren en las marcas del pincel,&lt;br/&gt;la sala donde espío a Redon                                                                                         &lt;br/&gt;es la espina del erizo que se hunde en la carne,&lt;br/&gt;una vida bárbara&lt;br/&gt;perdida en la amargura del espejo,&lt;br/&gt;y por consecuencia,&lt;br/&gt;despertar, despertar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; La aparición de la sangre&lt;br/&gt;indica el daño,&lt;br/&gt;seguir con vida después del hundimiento,&lt;br/&gt;por supuesto, para poderlo contar,&lt;br/&gt;viene de lejos,&lt;br/&gt;un lugar verde y lluvioso&lt;br/&gt;donde el hierro es húmedo&lt;br/&gt;y las flores no tienen olor,&lt;br/&gt;vive tranquilo en un recodo,&lt;br/&gt;y su intención es borrar fronteras,&lt;br/&gt;no jurar, volver al regazo,&lt;br/&gt;se alimenta de maná,&lt;br/&gt;de la sopa boba, de la nada ninguneada,&lt;br/&gt;insiste en andar, seducido por el otro,&lt;br/&gt;jugándose a los dados&lt;br/&gt;el escozor de la mano,&lt;br/&gt;tacto olvidado, rechazado,&lt;br/&gt;esfuerzo que se aleja en un suspiro,&lt;br/&gt;algunas palabras justas que crecen&lt;br/&gt;en lengua española, paternal alemán,&lt;br/&gt;excelente francés que usa cuando quiere,&lt;br/&gt;en un instante desaparece en el aire&lt;br/&gt;y una isla sigue a otras más lejanas,&lt;br/&gt;islas Azores, Flores, Terceira, Santa María,&lt;br/&gt;en la incierta nebulosa, sin alma, sin alma,&lt;br/&gt;nunca volver, aunque esté allí,&lt;br/&gt;nunca volver sin alterarse, azufre, estatua de sal&lt;br/&gt;por si mira atrás,&lt;br/&gt;ya se sabe,&lt;br/&gt;aunque vuelva, deja su acento atrás,&lt;br/&gt;su marca del nacimiento&lt;br/&gt;de delicada habladuría.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;* * *&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Insiste en acercarse a la bestia,&lt;br/&gt;hay que reducirla poco a poco,&lt;br/&gt;no debes tocarla, quema,&lt;br/&gt;abrasa la yema de los dedos,&lt;br/&gt;no bastan lágrimas,&lt;br/&gt;beberás su sangre, beberás la sangre&lt;br/&gt;de los sueños congelados,&lt;br/&gt;entra con un machete&lt;br/&gt;en la pulpa de la ansiedad,&lt;br/&gt;en el patio, con ahínco,&lt;br/&gt;cepilla su cerviz,&lt;br/&gt;entre el pelo ralo y el ojo&lt;br/&gt;sentirás la dimensión del espanto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;* * *&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se despierta con una manzana de oro&lt;br/&gt;en la mano, los ojos entornados&lt;br/&gt;dejan ver&lt;br/&gt;que se trata de un hecho extraordinario,&lt;br/&gt;en la fisura de lo real, a veces&lt;br/&gt;te puede tocar,&lt;br/&gt;pero hay que saberlo sentir,&lt;br/&gt;día a día, con dedicación.&lt;br/&gt;La manzana es pesada&lt;br/&gt;y deja un rastro de escozor&lt;br/&gt;como si fuera de arena&lt;br/&gt;o un narciso que bulle en el corazón,&lt;br/&gt;un geranio en un libro de Baudelaire,&lt;br/&gt;eso es, un deseo o una aspiración&lt;br/&gt;que por su densidad pudiera hundirte.&lt;br/&gt;Desconoce el final,&lt;br/&gt;sólo confía en que los días transcurran&lt;br/&gt;junto a la fruta aparecida,&lt;br/&gt;un corte en la voz&lt;br/&gt;para enmudecer, o decir a medias&lt;br/&gt;si de repente se tercia,&lt;br/&gt;pero el objeto, de tan bello,&lt;br/&gt;es envidiado,&lt;br/&gt;y aunque invite a la caricia,&lt;br/&gt;es imposible hincarle el colmillo.&lt;br/&gt;Corazón de semillas doradas,&lt;br/&gt;hacia qué lado emprender el camino,&lt;br/&gt;cómo consumir su carne&lt;br/&gt;y obtener la sanación.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Una tarde,&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;obcecado con el rastro de un espectro,&lt;br/&gt;entré en la sala del museo,&lt;br/&gt;suelo ajedrezado y paredes de color carmín&lt;br/&gt;juegan con las sombras por las esquinas,&lt;br/&gt;me dijo, ¿dónde estuviste&lt;br/&gt;todo este tiempo?,&lt;br/&gt;¿escribías?&lt;br/&gt;Iba de una sala a otra, de los simbolistas&lt;br/&gt;a la flor de cera de Redon&lt;br/&gt;de la que no pretendo dar explicaciones,&lt;br/&gt;el tallo azul ultramar, la flor carmesí&lt;br/&gt;crece en el espacio&lt;br/&gt;hasta invadir la estancia.&lt;br/&gt;Esta situación podría no existir,&lt;br/&gt;ser parte del mundo onírico que hace mucho&lt;br/&gt;me atrapó.&lt;br/&gt;En el centro acecha la ansiedad,&lt;br/&gt;la visita al caparazón del erizo&lt;br/&gt;junto a una estrella de mar,&lt;br/&gt;una enredadera sulfurosa envuelve&lt;br/&gt;el recuerdo que impide conciliar el sueño,&lt;br/&gt;pétalos se abren en las marcas del pincel,&lt;br/&gt;la sala donde espío a Redon                                                                                         &lt;br/&gt;es la espina del erizo que se hunde en la carne,&lt;br/&gt;una vida bárbara&lt;br/&gt;perdida en la amargura del espejo,&lt;br/&gt;y por consecuencia,&lt;br/&gt;despertar, despertar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Rodolfo Häsler&lt;/b&gt;, poeta cubano, nasceu em Santiago de
Cuba, em 1958, mas reside hoje na Espanha. Publicou, entre outros
títulos, &lt;i&gt;Poemas de Arena&lt;/i&gt; (1982), &lt;i&gt;Tratado de
Licantropia &lt;/i&gt;(1988), &lt;i&gt;Elleife&lt;/i&gt; (1993) e &lt;i&gt;Paisaje,
tiempo azul&lt;/i&gt; (2001).&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719283168</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719283168</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:19 -0500</pubDate><category>Rodolfo Häsler</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item><item><title>Esculturas Musicais 8: Roberto Echavarren</title><description>&lt;figure class="tmblr-full" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"&gt;&lt;img src="https://64.media.tumblr.com/1ec7327eac94f7e83f70b99b2b5d368b/tumblr_inline_pmqev9KftR1s5jm5w_540.jpg" data-orig-width="1200" data-orig-height="799"/&gt;&lt;/figure&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;FRAGMENTO DE  EL MONTE NATIVO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nuestro lugar es la separación. &lt;br/&gt;Nuestro corazón es el restaurador. &lt;br/&gt;La alegría es la vida nueva. &lt;br/&gt;Así la tierra se carga de sentido,&lt;br/&gt;atraviesa la noche y el tiempo,&lt;br/&gt;transporta claridad en su vientre sexual,&lt;br/&gt;una semilla del árbol de la paciencia,&lt;br/&gt;un motivo endócrino en los pedazos de ser celeste.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Somos seres lentos pero el universo es raudo.&lt;br/&gt;Todo huye a fuerza de aparecer.&lt;br/&gt;La aspiradora recoge la pelambre del perro.&lt;br/&gt;El río pasa entre cavernas, basura y zafiro. &lt;br/&gt;Veo el patio de la cárcel, la alberca &lt;br/&gt;donde lavan la ropa, la pared carcomida.&lt;br/&gt;Mas un incendio toma cuenta de todo&lt;br/&gt;y todo se deshace a la luz de las llamas. &lt;br/&gt;La lámpara de Aladino es pura fricción,&lt;br/&gt;chispas brotan al rasparla.&lt;br/&gt;Un deseo nace al tiempo que se satisface.&lt;br/&gt;Pero el afecto recorre la vida entera.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde el bosque de acacias&lt;br/&gt;una oruga verde se desliza,&lt;br/&gt;el lomo hecho de pinos verde luz.&lt;br/&gt;Un bosque va marchando&lt;br/&gt;para hacer algún tipo de justicia.&lt;br/&gt;La oruga entró a la casa.&lt;br/&gt;Un ladrón la pisó y se quemó la planta del pie,&lt;br/&gt;salió gritando en una pata sola.&lt;br/&gt;A la oruga no le pasó nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todo está quieto,&lt;br/&gt;recogido en sí mismo,&lt;br/&gt;murmurando, raciocinando,&lt;br/&gt;esparciendo inminencias,&lt;br/&gt;un molino anónimo&lt;br/&gt;entre sombras verdes.&lt;br/&gt;La madrugada se quiebra&lt;br/&gt;con las primeras luces&lt;br/&gt;sobre los campos de maíz. &lt;br/&gt;Tu camiseta se seca&lt;br/&gt;con el calor que despediste. &lt;br/&gt;El perro ladra, recorre las habitaciones &lt;br/&gt;alarmado, no concibe abandonar la vigilancia;&lt;br/&gt;deberíamos agradecerle esa preservación &lt;br/&gt;obstinada del territorio.&lt;br/&gt;Pero la inundación desprende la choza&lt;br/&gt;que se lleva la corriente. &lt;br/&gt;Si ajustamos el lente, &lt;br/&gt;veremos los pormenores de la ribera, &lt;br/&gt;un arco iris completo.&lt;br/&gt;Muslos impregnados de pachulí, &lt;br/&gt;el muchacho pasa en equilibrio, &lt;br/&gt;hojas de bambú en el pecho,&lt;br/&gt;en la boca peces de coral.&lt;br/&gt;No obstante el caos sigue allí.&lt;br/&gt;Renace a cada anochecer.&lt;br/&gt;Quien estuvo en el campo sabe &lt;br/&gt;cómo todo no cesa de crecer. &lt;br/&gt;El aire de una flauta &lt;br/&gt;de madera trabajada a cuchillo &lt;br/&gt;avanza en la noche de verano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Roberto
Echavarren&lt;/b&gt; es poeta, narrador, ensayista y traductor. De entre sus
libros de poemas se destacan &lt;i&gt;Centralasia&lt;/i&gt; (Premio Ministerio de
Cultura de Uruguay, ediciones en Argentina, México y Brasil), &lt;i&gt;El
expreso entre el sueño y la vigilia&lt;/i&gt; (Premio Fundación Nancy Bacelo)
y &lt;i&gt;Ruido de fondo&lt;/i&gt;.&lt;i&gt;Performance&lt;/i&gt; es un volumen mixto:
antología de poemas, entrevistas, reseñas críticas alrededor de su obra.
Ensayos: &lt;i&gt;El espacio de la verdad: Felisberto Hernández&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Arte
andrógino&lt;/i&gt; (Premio Ministerio de Cultura de Uruguay), &lt;i&gt;Fuera de
género&lt;/i&gt;:&lt;i&gt; criaturas de la invención erótica&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Michel
Foucault: filosofía política de la historia&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Margen de ficción:
poéticas de la narrativa hispanoamericana&lt;/i&gt;. Sus novelas: &lt;i&gt;Ave roc&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;El
diablo en el pelo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Yo era una brasa&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Las noches rusas&lt;/i&gt; es
una crónica acerca de la vida política y cultural de Rusia durante el siglo
XX. &lt;i&gt;Tres cuentos&lt;/i&gt; es su último libro de narrativa. La
pieza &lt;i&gt;Natalia Petrovna&lt;/i&gt; fue premiada y publicada por el Centro
de España en Uruguay. La pieza &lt;i&gt;África, la muñeca de Felisberto
Hernández&lt;/i&gt;, basada en un caso real, fue publicada y se presentó en
Montevideo a lo largo de 2012 y 2013. Dirige la editorial La Flauta Mágica,
especializada en ediciones críticas bilingües de poesía en traducción y el
rescate de obras poéticas imprescindibles escritas en español.&lt;/p&gt;</description><link>https://zunai.com.br/post/182719280973</link><guid>https://zunai.com.br/post/182719280973</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2019 17:59:14 -0500</pubDate><category>Roberto Echavarren</category><category>esculturas musicais</category><category>poesia zunai vol4num2</category></item></channel></rss>
