
Britânicos reagiram à expulsão de diplomatas com medida semelhante
O governo do Irã acusou nesta terça-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, de intromissão nos assuntos internos do país.
Na noite de segunda-feira, Ban fez um apelo às autoridades iranianas pelo fim imediato das prisões, das ameaças e do uso da violência contra os manifestantes que protestam contra o resultado das eleições de 12 de junho.
"Essas tomadas de posição são uma evidente contradição dos deveres do secretário-geral, do direito internacional e são uma aparente intromissão nos assuntos internos do país", protestou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hassan Ghashghavi.
Em outro embate diplomático, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, reagiu nesta terça-feira à expulsão, ordenada pelo governo do Irã, de dois diplomatas britânicos do território iraniano.
Em resposta, Brown anunciou a expulsão de dois diplomatas iranianos que ocupavam posições equivalentes na Grã-Bretanha.
ONU
Para executar este conteúdo em Java você precisa estar sintonizado e ter a última versão do Flash player instalada em seu computador.
O Irã vive uma onda de protestos desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado o vencedor das eleições realizadas no último dia 12.
O candidato presidencial derrotado, Mir Hossein Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição.
Ao criticar a reação das autoridades iranianas aos protestos, o secretário-geral da ONU disse que está acompanhando com "preocupação" a crise política no país e pediu que o governo do Irã "respeite os direitos civis e políticos, especialmente a liberdade de expressão, de associação e de informação".
Ban Ki-Moon pediu ainda que "a vontade democrática do povo do Irã seja completamente respeitada".
Ao rebater os comentários do secretário-geral da ONU, o ministro iraniano Hassan Ghashghavi criticou Ban Ki-moon por "ouvir com ignorância a poderes dominantes".
Na segunda-feira, o Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona as eleições no país, descartou a anulação das eleições presidenciais que deram vitória ao presidente Ahmadinejad.
Grã-Bretanha
Em Londres, durante pronunciamento no Parlamento, o primeiro-ministro Gordon Brown afirmou que a expulsão de diplomatas britânicos do Irã foi decidida com base em alegações "absolutamente sem fundamento".
Segundo Brown, o governo iraniano alega que os diplomatas "estariam envolvidos em atividades incompatíveis com suas posições" - uma alegação rejeitada pelo governo britânico.
O primeiro-ministro disse que a consequente expulsão dos diplomatas iranianos da Grã-Bretanha é "lamentável", mas acrescentou que o governo britânico foi forçado a reagir.
"Queremos uma relação boa com os iranianos, respeitamos o povo iraniano e também o fato de que a população deve escolher voluntariamente quem fará parte de seu governo", afirmou Brown.
A decisão do governo foi apoiada por membros da oposição, inclusive pelo líder do Partido Conservador, David Cameron.
Em outra reação à crise no Irã, o governo da Itália anunciou que instruiu sua embaixada em Teerã a fornecer ajuda humanitária a manifestantes que sejam feridos durante os confrontos com a polícia.
A Presidência rotativa da União Europeia, ocupada atualmente pela República Checa, divulgou um comunicado em que pede ao governo do Irã que interrompa as prisões em massa. A nota também condena "as restrições impostas à imprensa e a jornalistas" no Irã.



