Ir para o conteúdo

Circuito Mundial Masculino de Surfe

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de WCT)
Circuito Mundial Masculino de Surfe
Temporada, competição ou edição atual:
evento esportivo atual World Surf League de 2026
AnteriormenteASP World Tour (1983–2014)
IPS World Circuit (1976–1982)
OrganizaçãoWSL
Esportesurfe profissional
RegiãoMundial
Fundação1964
Temporada inaugural1976 (circuito profissional)
Proprietário(s)WSL
Campeão
atual
Brasil Yago Dora (1º título) (2025)
Maior campeãoEstados Unidos Kelly Slater (11 títulos)
QualificaçãoChallenger Series
Transmissão na
televisão
Brasil SporTV 3
www.worldsurfleague.com
www.youtube.com/wsl
Nível na pirâmide1
Sítio eletrónicowww.worldsurfleague.com

O Circuito Mundial Masculino de Surfe[nota 1][4][5][6][7] (em inglês: WSL Men's Championship Tour, World Men's Championship Tour, WCT)[4][8] é uma competição internacional de surfe profissional organizada pela Liga Mundial de Surfe (em inglês: World Surf League, WSL), responsável por coroar anualmente o campeão mundial do esporte.[9]

História

[editar | editar código]

Entre 1964 e 1972, o principal torneio de elite do surfe mundial foi o ISF World Surfing Championships, organizado pela Federação Internacional de Surfe (ISF), antigo nome da atual Associação Internacional de Surfe (ISA). O primeiro campeão mundial de surfe foi o australiano Midget Farrelly, em 1964.[10]

Em 1969, surgiram os Campeonatos Mundiais de Surfe Smirnoff Pro-Am (em inglês: Smirnoff World Pro-Am Surfing Championships), organizados por Fred Hemmings, um antigo surfista profissional e promotor de eventos. Estes campeonatos duraram até 1977.[10]

Em 1976, Fred Hemmings e Randy Rarick fundaram a International Professional Surfers (IPS) e introduziram o Circuito Mundial IPS (em inglês: IPS World Circuit),  primeiro circuito mundial a adotar baterias no formato de confronto direto entre dois surfistas. O australiano Peter Townend foi o primeiro a vencer a competição, quando este já era unificado, em 1976.[10][11][12]

Em 1983, Ian Cairns criou a Associação de Surfistas Profissionais (ASP), que introduziu o Circuito Mundial ASP (em inglês: ASP World Tour). Neste ano, o surfista australiano Tom Carroll foi consagrado campeão mundial.[10][12]

Em 1992, a ASP dividiu o Circuito Mundial em duas divisões: World Championship Tour (WCT) — a categoria de elite — e World Qualifying Series (WQS) — a categoria de acesso. Dessa forma, os surfistas passaram a ter que se classificar no WQS antes de poderem disputar o título mundial no WCT. Kelly Slater foi o primeiro a ser coroado campeão mundial nesse novo formato.[10][12][13]

Em 2013, a empresa ZoSea comprou o Circuito Mundial da ASP e, em 2015,  passou a se chamar Liga Mundial de Surfe (em inglês: World Surf League, WSL). Com isso, a competição foi renomeada para o nome atual: Circuito Mundial Masculino de Surfe (WSL Men's Championship Tour). Adriano de Souza foi o primeiro a ser coroado campeão mundial da WSL.[10][12]

Em 2021, a WSL introduziu o sistema de Finals 5 — mata-mata com os cinco melhores surfistas do Circuito —  para definir o campeão mundial. O formato foi utilizado de 2021 a 2025. Gabriel Medina foi o primeiro campeão mundial nesse formato, e Yago Dora, o último.[12][14][15]

Regulamento

[editar | editar código]

Participantes

[editar | editar código]

O Circuito Mundial Masculino de Surfe reúne os 36 melhores surfistas do mundo. Ao final da temporada, os dez piores posicionados no ranking são rebaixados para o Challenger Series — a segunda divisão do surfe mundial —, enquanto que os dez melhores do Challenger Series se classificam para Circuito Mundial do ano seguinte, garantindo a rotatividade de atletas na elite do surfe mundial.[16]

Estrutura

[editar | editar código]

A temporada inicia em abril e termina em dezembro, contando com 12 etapas, incluindo etapas em locais como Portugal, Austrália, Polinésia Francesa, El Salvador e Brasil, e termina no Havaí, no campeonato Pipe Masters, para definir o campeão mundial.[17][18]

Cada uma das etapas é constituída de rodadas — que vão da primeira rodada até a final —  organizadas em baterias que colocam dois surfistas frente a frente. Os surfistas podem pegar várias ondas; contudo apenas as duas melhores são contabilizadas na pontuação final da bateria. Em cada onda surfada, eles são avaliados por cinco juízes em uma escala de 0,1 a 10,0 com base em critérios como velocidade, potência, fluidez e manobras técnicas. Para cada onda, as pontuações são agregadas por meio de uma média que descarta a nota mais alta e a mais baixa, resultando em um valor máximo de 10 pontos por onda e 20 pontos por bateria.[17][18][19]

As nove primeiras etapas do Circuito formam a “temporada regular”, e são disputadas por todos os 36 surfistas. O vencedor de cada etapa recebe 10.000 pontos, o vice-campeão recebe 7.800 pontos e assim por diante. A décima etapa funciona como um “corte”, reduzindo o número de participantes pela disputa do título mundial para 24 surfistas. Apenas os melhores classificados do ranking avançam para as três etapas finais (pós-temporada) e podem disputar o título mundial. Na última etapa (Pipe Masters), todos os 36 surfistas retornam para competir pelo título do evento, com o vencedor do evento recebendo uma pontuação incrementada de 15.000 pontos.[17][18]

A temporada de 2026 utiliza um sistema de pontos acumulados, no qual o surfista com a melhor classificação no final do ano é o campeão mundial.[17][18]

Identificação dos surfistas na água

[editar | editar código]

Nas etapas do Circuito Mundial, os surfistas usam lycras (camisetas de elastano) coloridas para se diferenciar no mar durante as baterias e serem corretamente identificados pelos juízes. As cores disponíveis são: branco, azul, vermelho, verde e amarelo — esta última usada exclusivamente pelo surfista líder do ranking mundial.[20]

Campeões

[editar | editar código]

Etapas

Em 1989, o Circuito Mundial chegou a ter um recorde de 25 etapas na temporada. Nesse período entre 1984 e 1991, a possibilidade de vitórias era maior com o circuito tendo entre 17 e 25 provas por ano.

O recorde de vitórias em uma única temporada pertence a Kelly Slater e ao tricampeão mundial Tom Curren. Os dois americanos conquistaram 7 etapas em um único ano, sendo que Slater conseguiu com 14 provas (1996) e Curren, com 21 (1990).

O melhor percentual de vitórias conquistadas em uma única temporada até hoje foi em 2008. Foi quando Kelly conseguiu vencer 6 das 11 etapas para se tornar eneacampeão mundial de surfe. [24]

Maiores vencedores

Vitórias Surfista
56 Estados Unidos Kelly Slater
33 Estados Unidos Tom Curren
26 Austrália Tom Carroll
22 Austrália Mick Fanning
20 Havaí Andy Irons
19 Austrália Damien Hardman
18 Brasil Gabriel Medina
Brasil Filipe Toledo
17 Austrália Mark Richards
Austrália Barton Lynch
16 Reino Unido Martin Potter
12 África do Sul Shaun Tomson
Austrália Cheyne Horan
Austrália Mark Occhilupo
Austrália Joel Parkinson
Austrália Taj Burrow

Vitórias Brasileiras no Masculino

Os brasileiros sempre estiveram marcando presença no Circuito Mundial de Surf. Mas até 1989, no Circuito Masculino, o Brasil só tinha duas vitórias em etapas do circuito, as duas no Arpoador, no Rio de Janeiro, no Waimea 5000, competição pioneira em levar os maiores surfistas do mundo ao Brasil, que fazia parte do circuito mundial organizado na época pela International Professional Surfing (IPS).

É nos Anos 1990, com uma nova geração de surfistas brazucas que as vitórias começam a acontecer com mais frequência. A maior sequência de vitórias acontece nos Anos 2010, com o estouro do que o circuito mundial batizou como Brazilian Storm (a Tempestade Brasileira), eclodindo no título mundial de Gabriel Medina em 2014, seguido pelo título de Adriano de Souza, o Mineirinho, em 2015, temporada que teve vitórias brasileiras em 6 etapas do circuito.

Etapas brasileiras

Anos

Tríplice Coroa Havaiana

Campeões do Big Wave Tour (BWT)

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. Também conhecido pelos seguintes nomes: Mundial de Surfe[1], Mundial WSL[2] e Elite do Surfe Mundial[3].
  2. 1 2 3 No surfe, o Havaí é considerado uma nação à parte pela Liga Mundial de Surfe (WSL).[23]

Referências

  1. «Pipeline volta a ser etapa decisiva no Mundial de Surfe, e WSL retira Finals em 2026». ESPN.com.br. 2 de maio de 2025. Consultado em 24 de maio de 2026
  2. NE9 Nordeste (1 de maio de 2026). «Mundial WSL na Gold Coast tem boas ondas; Italo será o primeiro no mar hoje». Portal NE9. Consultado em 24 de maio de 2026
  3. Barros, Adielson de (11 de março de 2026). «Samuel Pupo retorna ao CT; Brasil já soma 9 atletas na elite da WSL». Olimpíada Todo Dia. Consultado em 24 de maio de 2026
  4. 1 2 «Etapa de Trestles tem confrontos definidos». Woohoo. Consultado em 25 de maio de 2017. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2018
  5. «Surfista brasileira que disputará o WCT pelo Havaí chama atenção pela beleza nas redes sociais». Extra Online. 27 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 24 de julho de 2023
  6. «Mineirinho vence com folga no primeiro dia do Circuito Mundial de surfe no Rio». Estadão. 9 de maio de 2013. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2021
  7. «Sabrina Sato exibe as curvas com vestido curto e colado em coletiva de imprensa». Purepeople. 7 de maio de 2013. Cópia arquivada em 3 de agosto de 2025
  8. «Miguel Pupo, Yago ou Italo: Brasil segue na ponta do ranking mundial após Raglan; confira cenários». ge. 24 de maio de 2026. Consultado em 24 de maio de 2026
  9. WSL. «World Surf League, Frequently Asked Questions, What is the WSL?». World Surf League (em inglês). Consultado em 30 de agosto de 2015. Cópia arquivada em 29 de julho de 2021
  10. 1 2 3 4 5 6 «A lista completa dos campeões do mundo de surf». Saber Surf. 23 de fevereiro de 2018. Consultado em 24 de maio de 2026
  11. Pierin, Gabriel (6 de junho de 2023). «Peter Townend e o surfe na China». A Tribuna. Consultado em 13 de maio de 2026
  12. 1 2 3 4 5 «WSL 101: Your guide to the World Surf League». Red Bull (em inglês). 25 de novembro de 2025. Consultado em 24 de maio de 2026
  13. «ASP History». ASP World Tour. Consultado em 30 de agosto de 2015. Arquivado do original em 1 de junho de 2015
  14. «Gabriel Medina conquista título do Circuito Mundial de Surfe». Agência Brasil. 14 de setembro de 2021. Consultado em 24 de maio de 2026
  15. «Yago Dora dá show, bate americano Griffin Colapinto e conquista mundial de surfe em Fiji, recolocando Brasil no topo da WSL». ESPN.com.br. 1 de setembro de 2025. Consultado em 24 de maio de 2026
  16. Dorini, Guilherme (2 de março de 2026). «WSL redefine formato da divisão de acesso; Maresias substitui Saquarema». UOL. Consultado em 13 de maio de 2026. Cópia arquivada em 3 de março de 2026
  17. 1 2 3 4 «WSL 2026: veja o ranking do Circuito Mundial de Surfe». ge. 11 de abril de 2026. Consultado em 13 de maio de 2026. Cópia arquivada em 29 de abril de 2026
  18. 1 2 3 4 «Liga Mundial de Surfe terá novo formato em 2026 e final no Havaí». Agência Brasil. 28 de julho de 2025. Consultado em 13 de maio de 2026. Cópia arquivada em 31 de julho de 2025
  19. WSL. «Rules and Regulations». World Surf League (em inglês). Consultado em 13 de maio de 2026
  20. Gatto, Gabriel (13 de dezembro de 2025). «Saiba o que é a lycra, roupa colorida usada por surfistas em etapa da WSL na Praia do Futuro». Terra. Consultado em 13 de maio de 2026. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2026
  21. «ASP World Tour». Consultado em 31 de maio de 2011. Arquivado do original em 30 de novembro de 2010
  22. Minsberg, Talya (17 de julho de 2020). «World Surf League Cancels 2020 Season and Revamps Future Tours» (em inglês). The New York Times. Consultado em 1 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2025
  23. «Medina é o primeiro campeão mundial sem ter o inglês como idioma oficial». Folha de S Paulo. Consultado em 20 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2024
  24. https://ge.globo.com/radicais/surfe/mundial-de-surfe/noticia/medina-vira-9o-maior-vencedor-da-historia-de-outro-mundo.ghtml/