Abaset
Abaset (egípcio antigo: ꜥbꜣst) foi uma deusa da religião do Antigo Egito, venerada durante a XXVI Dinastia (c. 664–525 a.C.).
Seu culto é conhecido exclusivamente no Oásis Bahariya, onde aparece representada em monumentos funerários da região. Abaset é considerada uma das divindades menos documentadas do panteão egípcio, sendo conhecida por apenas algumas representações e inscrições preservadas.[1]
Seu estudo tem contribuído para a compreensão da diversidade religiosa existente nos oásis egípcios durante o Período Tardio e demonstra a sobrevivência de cultos locais ao lado das grandes tradições religiosas do Egito faraônico.[1][2]
Nome
[editar | editar código]O nome de Abaset é registrado em escrita hieroglífica e permanece objeto de debate entre os egiptólogos. Alguns pesquisadores sugerem que ele pode estar relacionado ao verbo egípcio ꜥb, "louvar" ou "exaltar", associado ao nome da deusa Ísis, produzindo um significado semelhante a "Aquela que louva Ísis". Entretanto, essa interpretação não é consensual, e o significado exato do nome permanece desconhecido.[1][2]
Culto
[editar | editar código]As evidências conhecidas indicam que Abaset era uma divindade local do Oásis de Bahariya, no Deserto Ocidental do Egito. Seu culto parece ter sido centrado em El-Bawiti, principal assentamento da região durante o Período Tardio. Até o momento, nenhuma menção à deusa foi encontrada em outras partes do Egito, sugerindo que sua veneração possuía alcance geográfico limitado.[2][1]
Representações
[editar | editar código]Abaset é representada em forma humana, usando uma peruca tripartida e um toucado composto por um abutre. Sobre esse toucado aparece um ouriço-cacheiro, atributo único que a distingue de todas as demais divindades egípcias conhecidas.[1]
Os egiptólogos consideram que o ouriço possuía forte simbolismo protetor na cultura egípcia. Amuletos com a forma desse animal eram utilizados desde períodos anteriores da história egípcia, provavelmente associados à proteção contra perigos e forças hostis. A presença do animal no toucado de Abaset sugere que a deusa poderia exercer funções protetoras semelhantes.[2]
Evidências arqueológicas
[editar | editar código]As principais representações de Abaset foram encontradas em Qarat Qasr Salim, uma necrópole do Oásis de Bahariya. A deusa aparece duas vezes na tumba de Bannentiu, um rico comerciante da XXVI Dinastia, e uma terceira vez em outro contexto funerário da mesma área.[1]
Uma das inscrições preservadas na tumba atribui a Abaset títulos honoríficos como "Grande Deusa" e "Senhora do Céu", indicando que ela possuía considerável importância dentro do contexto religioso local.[2]
Interpretações acadêmicas
[editar | editar código]Devido à escassez de evidências, a natureza exata de Abaset permanece incerta. Alguns pesquisadores propõem que ela possuía características solares, em razão de sua associação iconográfica com divindades ligadas ao Sol, como Rá-Horakhti. Outros sugerem que ela desempenhava uma função protetora relacionada ao simbolismo do ouriço-cacheiro.[2][1]
Também foi sugerido que Abaset poderia representar uma forma local de uma deusa mais amplamente conhecida, possivelmente Ísis ou Iusaaset, embora não existam evidências suficientes para confirmar essa hipótese.[2]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 Sherbiny, Hend; Hussein Bassir (2014). «The Representation of the Hedgehog Goddess Abaset at Bahariya Oasis». Journal of the American Research Center in Egypt. 50: 171–189. doi:10.5913/jarce.50.2014.a023
- 1 2 3 4 5 6 7 Shaikh Al Arab, Walid (2019). «The Hedgehog Goddess Abaset». Papyrologica Lupiensia. 28: 83–102. doi:10.1285/i15912221v28p81
