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Babm

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Babm
Pronúncia:art
Criado por: Rikichi (Fuishiki) Okamoto1962
Emprego e uso: língua auxiliar internacional
Total de falantes: nenhum
Categoria (propósito): Línguas artificiais
 Línguas aux. internacionais
  Babm
Categoria (fontes): língua a priori
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: art
ISO 639-3: qbb

Babm (art) é uma língua auxiliar internacional criada pelo filósofo japonês Rikichi Okamoto (Fisk Okmot), também conhecido como Fuishiki Okamoto. Okamoto apresentou a língua pela primeira vez em sua publicação de 1962, intitulada The Simplest Universal Auxiliary Language Babm.[1] A língua não obteve adoção generalizada, nem mesmo dentro da comunidade de línguas artificiais, e atualmente não possui falantes conhecidos.[2] A língua utiliza o alfabeto latino como um silabário e não possui artigos nem verbos auxiliares. Cada letra representa uma sílaba inteira, e não um único fonema. O Babm segue um conjunto de regras baseadas em sons, as quais Okamoto descreve em seu livro. Segundo suas palavras: "Os substantivos são formados a partir de três consoantes e uma vogal; os verbos, de uma ou duas vogais entre duas consoantes, no início e no fim. Adjetivos, advérbios, pronomes, numerais e preposições têm, cada um, sua forma peculiar."[3]

O Babm compartilha com certas línguas construídas do século XVII uma ênfase primária na taxonomia, com o objetivo de estabelecer uma nomenclatura universalmente consistente para conceitos científicos, incluindo compostos químicos.[4] Esse enfoque científico distingue o Babm de línguas como o esperanto, que priorizam objetivos sociopolíticos. Ainda assim, o tratado de Okamoto de 1962 inclui uma reflexão substancial sobre a paz mundial. O autor aspirava que sua língua "simples" alcançasse utilidade e adoção universais.

Fonologia e ortografia

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Toda consoante do Babm deve ser seguida por uma vogal breve específica, com exceção do /k/, que pode ser seguido por qualquer vogal. As vogais ligadas a substantivos são, por padrão, vogais breves; as demais são longas, mas o comprimento vocálico pode ser modificado. Por isso, as palavras têm uma estrutura CV básica, com alguns grupos de vogais, mas sem grupos de consoantes.[1]

O Babm usa o alfabeto latino com 26 letras. Cada letra representa a própria letra acrescida de uma vogal breve. As vogais escritas representam vogais longas.[1] Os inventários de consoantes e vogais são os seguintes (para o valor dos símbolos, veja o Alfabeto Fonético Internacional):

Inventário de consoantes
/–a/ /–e/ /–i/ /–o/ /–u/
/b–/ ⟨B b⟩
/bo/
/d–/ ⟨D d⟩
/de/
/f–/ ⟨F f⟩
/fu/
/ɡ–/ ⟨G g⟩
/ga/
/h–/ ⟨H h⟩
/ha/
/j–/ ⟨Y y⟩
/ju/
/k–/ ⟨K k⟩ ⟨X x⟩ ⟨C c⟩ ⟨Q q⟩
/ke/ /ki/ /ko/ /ku/
/l–/ ⟨L l⟩
/le/
/m–/ ⟨M m⟩
/mu/
/n–/ ⟨N n⟩
/na/
/p–/ ⟨P p⟩
/pe/
/r–/ ⟨R r⟩
/ra/
/s–/ ⟨S s⟩
/se/
/t–/ ⟨T t⟩
/to/
/v–/ ⟨V v⟩
/vi/
/w–/ ⟨W w⟩
/wa/
/z–/ ⟨J j⟩ ⟨Z z⟩
/zi/ /zo/
Inventário de vogais
⟨A a⟩ ⟨E e⟩ ⟨I i⟩ ⟨O o⟩ ⟨U u⟩
/aː/ /eː/ /iː/ /oː/ /uː/

Okamoto fornece informações limitadas sobre a sintaxe, afirmando que "é bastante desejável que [a frase] seja livre de muitas regras de composição". A ordem das palavras é SVO, com os modificadores precedendo os elementos que modificam.[1]

A língua apresenta certo grau de flexão analítica: em frases com estruturas complexas, o sujeito, o objeto direto e o objeto indireto podem ser distinguidos por meio de "conjunções preposicionais" que os antecedem. Há também um conjunto de elementos semelhantes a auxiliares, que Okamoto denomina "complementos executivos"; esses elementos modificam o verbo de diversas maneiras e podem aparecer tanto como sufixos quanto como palavras separadas que precedem o verbo.[1]

Semântica

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O livro de Okamoto traz um dicionário detalhado, dividido em várias seções. O autor agrupa os substantivos em nove categorias: "Seres Vivos", "Corpos Materiais", "Termos Químicos", "Consumíveis e Materiais", "Bens Duráveis", "Corpo Humano e Fisiologia", "Ações Conscientes", "Estrutura de Vida" e "Política". Cada uma dessas categorias é subdividida em diversas subseções. As demais classes gramaticais também aparecem organizadas em seções menores ao longo do livro: "Verbos", "Complementos" e "Conjunções Preposicionais". Okamoto ainda inclui uma seção de "Expressões Comuns Abreviadas", como "Boa noite!" e "Parabéns!".[3]

Morfologia

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Para manter a língua simples, o Babm não possui artigos nem verbos auxiliares e evita a flexão das palavras básicas.[1]

Substantivos

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Via de regra, os substantivos são formados por 4 letras. Eles têm uma letra inicial de som breve, que indica o significado, geralmente seguida por uma letra de som longo, pronunciada com extensão e acento forte. A terceira letra também costuma ser de som breve e indica a categoria do substantivo pelo significado, embora possa ser de som longo. A letra final é de som breve e especifica o substantivo. Caso um substantivo tenha duas letras de som longo no meio, a primeira recebe o acento. Os substantivos próprios devem seguir essas diretrizes, mas pode-se acrescentar uma letra de som longo ou breve antes ou depois da palavra. As sequências c, lr e qw não podem iniciar substantivos, e l e w são evitados no final deles.

Exemplos de substantivos: babm (uma língua universal) e rboit [rabooːiːto] ("mãe e pai").

Os verbos têm 3 ou 4 letras. Devem começar com uma letra de som breve, que indica o significado, e terminar com uma letra de som breve. Pode haver uma ou duas letras de som longo no meio. Uma letra de som longo e a letra final de som breve correspondem ao substantivo de sonoridade similar. Em casos raros, os verbos podem ter três letras de som longo. A primeira e a terceira letras de som longo (quando presente) são pronunciadas com acento, e a letra final de som breve é pronunciada com ligeira ênfase e nitidez.

Exemplo: bean

Complementos

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Os complementos têm menos de três letras e são regidos por c. O complemento funciona como adjetivo quando modifica um substantivo ou pronome, e como advérbio quando qualifica qualquer outra palavra. O sufixo -w pode ser acrescentado a advérbios para torná-los mais claros. Em geral, terminam com uma letra de som breve. As letras l e w são evitadas no final dos complementos. Exemplo: cefd (branco)

Os pronomes têm quatro classes: pronome pessoal, pronome impessoal, pronome relativo e pronome interrogativo.

Pronomes pessoais e impessoais:

Primeira pessoa Segunda pessoa Terceira pessoa Impessoal
V - eu

va - nós

ov - eu (masc.)

ova - nós (masc.)

iv - eu (fem.)

iva - nós (fem.)

Y - você (sing.)

ya - vocês (pl.)

oy - você (masc.)

oya - vocês (pl.)

iy - você (fem.)

iya - vocês (pl.)

x - ele ou ela

xa - eles/elas

ox - ele

oxa - eles (masc.)

ix - ela

ixa - elas (fem.)

z - um objeto

za - objetos

ez - aquele objeto

eza - aqueles objetos

iz - este objeto

iza - estes objetos

Os pronomes relativos são baseados em lr, e os interrogativos, em qw. Ambos funcionam como sujeito ou objeto. A letra inicial de som breve e a primeira letra de som longo são acentuadas; as demais letras de som longo são pronunciadas com certa ênfase e nitidez, seguidas de uma pausa.

Conjunções preposicionais

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A conjunção preposicional é formada por uma única letra, a. Geralmente vem acompanhada de uma ou duas letras de som longo, antes ou depois de uma letra de som breve, e pode ser colocada antes de qualquer palavra, oração ou frase.

Exclamações

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As exclamações são formadas por duas letras de som longo, podendo w ser inserido no meio ou no final.

O Babm utiliza prefixos e sufixos para modificar substantivos, verbos, complementos e pronomes.

[Babm:] V pajio ci htaj, lrid cga coig pegayx pe bamb [sic] ak cop pbagt.

[AFI:] /vi pa.aːziːóː koíː hato.áːzì | lera.iːde koɡa.áː ke.o.iːɡe pe.eɡa.áːjuki pe.éː bo.áːmubò áːkè ko.óːpè pebo.áːɡatò ‖/

[Português:] Estou lendo este livro, que foi escrito de forma muito interessante em Babm por um estudioso proeminente.[5]

[Babm:] Dedh cjis beg kobp.

[AFI:] /de.éːdehà kozi.íːsè bo.éːɡà ke.óːbopè ‖/

[Português:] O tempo faz a juventude envelhecer.[6]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Okamoto, Fuishiki (1962). Universal auxiliary language, Babm. Tóquio: [s.n.] Consultado em 15 de dezembro de 2014
  2. «IAL Attempts». Consultado em 29 de novembro de 2005. Arquivado do original em 14 de maio de 2005
  3. 1 2 Okamoto, Fuishiki (1962). (The Simplest) Universal Auxiliary Language BABM. Tóquio, Japão: Fuishiki Okamoto. pp. ix
  4. «à bas le ciel: BABM: Japan's (inspiring?) answer to Esperanto». A-bas-le-ciel.blogspot.ca. 4 de maio de 2012. Consultado em 5 de maio de 2012
  5. Arika Okrent, 2009, In the Land of Invented Languages, p. 14, Random House Digital.
  6. Okrent, 2009, op. cit. supra, p. 16.

Bibliografia

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  • Okamoto, Rikichi [Fuishiki] (1962). Universal auxiliary language, Babm. Tóquio: edição do autor. [O autor aparece como Fuishiki Okamoto.]
  • Okamoto, Rikichi [Fuishiki] (1964). Sekaigogakuron. Tóquio: Minseikan. [Em japonês.]

Ligações externas

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