Por que esse BBB é o mais chato de todos?

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Quando o Tadeu ou os comentaristas dizem que não acontece nada no programa, o público logo pensa que é treta que falta acontecer. E pode ser também. Mas não é só isso. Jogar o BBB é se envolver com o programa. E esse elenco não se envolve. Na Fazenda tem bastante treta. Mas o reality é horrível. Porque a treta é forçada e barraqueira. Não é orgânica. Esse elenco acha que jogar o BBB é fazer alguma grosseria no Sincerão. E depois pedir desculpa e ser desculpado, afinal é um jogo.

O caso é que ninguém se importa mesmo. Geralmente, depois de uma edição de sucesso, os participantes acham que vai dar certo só de estar ali. E é o caso desse pessoal. Estão prontos para viver a vida mansa de influencer etc.

Um exemplo de quem está jogando – sem treta – e, por isso, tem algum favoritismo, é o Diego. Super educado, Loder Di não treta. Mas leva a sério as coisas que falam dele. Fica chateado se percebe que foi ignorado. Gosta de tirar as coisas a limpo a fim de que não fique mágoa pelo caminho. Teve sorte também, que havia ali dois atletas frustrados e com bastante recalque das medalhas dele. Mas como Maike e Gabriel não jogam BBB, o enredo ficou entre Diego e o público.

Mas todos conversam para que não fique mágoa, você vai dizer, esse é o problema! A diferença é que eles não estão magoados. Eles dão o perdão preventivo porque não estão envolvidos. Estão pensando na vida de ex-BBB, que é a única certeza que têm. Por isso eles erram nas dinâmicas, são desclassificados de prova etc. A Dani ficou puta de ter sido escolhida e voltou do quebra-cabeça pistola. Mas logo foi convencida de que aquilo é um jogo e capaz que nem vote nos insuportáveis Chico Bento para o paredão.

Outra que está jogando é a Vilma. Primeiro, porque não suporta o elenco (tamo junto, Vilmoca). Depois, porque ela tem total consciência de onde as coisas vão parar: no Paredão. Com jogadores tão encostados, ela e o filho viraram bucha. O filho dela também está jogando. Mas tentou bastante não jogar.

Gracyanne saiu, ficou no quarto e percebeu que o jogo está insuportável de chato. Não é porque falta treta, repito. É porque falta enredo. Então, caiu no colo dela um enredo alheio. Justamente do filho da Vilma. Que escolheu os Joãos ao invés da Aline para o contragolpe. Gracy fez do fato um grande mousse e esse é o eixo principal do programa até agora. Como Aline é uma inútil, deixou o enredo passar. O resto da casa, um bando de escorados, resolveu pegar a história para si. E começaram a perseguir o Diogo, filho da Vilma, que botou fogo defensiva. Diogo, que é bem inteligente, montou um embate direto com Gracyanne – que deve sair rejeitada de um paredão com ele.

As piores em anti-jogo são as Monas. Camila é pior que Thamires. Ela se acha uma pessoa que fala mesmo. Que não foge do embate. Com quem, Camila? Você não está jogando BBB. Armou uma retranca e espera que um milhão de seguidores caiam no seu Instagram. Ela forjou uma rivalidade com Vilma e Diogo – não existe. Ela comprou o barulho da Aline que sequer está incomodada. Thamires pode render um pouco quando Camila sair. Mas não acho que vai acontecer. A história dela na casa é um flerte meia boca com um dos João.

Vitória Strada é uma das piores também. Ela foi para TODOS os paredões até agora. E não é capaz de identificar um antagonista sequer. O ex-parceito dela é pavoroso. Matheus, mais do que Camila, acha que a vida tá ganha só de ter ido ao programa. Não tem a menor pretensão de ser um personagem interessante. Não tem história lá dentro e parece não ter aqui fora também. No vídeo do anjo, que ele recebeu, apareceu um namorado. Mas ninguém liga. Nem ele.

Vinícius é horrível também. Toda terça-feira, quando há a eliminação, ele troca olhares com a Aline que parecem significar “vamos puxar o saco de quem tá bem lá fora”. Ele e Aline são os mais saboneteiros.

Dona Delma é abaixo da crítica. Ela já verbalizou que está descansando. Como tem carisma, deixa ela. Descansa, dona Delma. Na disputa pela Liderança de hoje (13/02), foi elimada com 10 segundos de prova. Melhor que os gêmeos – que foram ao banheiro quando o Tadeu explicitamente disse que era proibido sair da sala – e Renata, que também saiu da sala para pingar colirio.

Renata e Eva jogam BBB. Elas buscam ativamente alianças e ficam exasperadas de ver que os bocós com os quais se aliaram – Maike e Joãos – não estão nem aí e ficam oscilando para o quarto Nordeste. No fundo, é sorte delas. Todos os aliados estão saindo. E ficou evidente, com a saída do Gabriel, em um paredão fraco, que elas não estão em um bom lugar do jogo. Não sei se há chance de realinharem ou se vão sozinhas até o fim. De qualquer maneira, dizem que elas tem uma torcida – a Torcida das Bailarinas. E acabam por merecer. Só precisam esquecer da história com a Vitória na primeira semana. Gabriel foi eliminado, também, porque não virou o disco. Insistia que o Diego falou que ele, Diego, é mentiroso. O que aconteceu no primeiro dia, numa brincadeira.

Meu ranking:
1) Diego – adoro
2) Vilma – adoro
3) Diogo – que eu detesto mas não deixa passar enredo
4) Bailarinas – que acho sonsas mas se movimentam o tempo todo
5) Gracyanne – que inventou a temporada com a história do contragolpe

São as pessoas possíveis para a gente torcer. O resto não existe.

Pessoas mais anti-jogo:

1) Aline – que jogou fora o principal enredo da edição, no qual ela era PROTAGONISTA
2) Vitória – que está sendo perseguida pela casa e não consegue, mesmo assim, fazer uma mísera história acontecer
3) Camila – que fala muito no quarto mas, como não protagoniza nada, é apenas uma fofoqueira maledicente
4) Dani – que tinha tudo para ganhar esse programa mas vai na conversa do Nordeste e parou de ser a chata que reclama

O resto do elenco nem existe.

PS: A grande cagada dos Hipólytos até aqui foi terem se “enturmado” com o Nordeste. Iriam melhor em vôo solo – com o apagado Guilherme de escudeiro. Curiosamente, Vilma comentou a aproximação deles com o quarto sem graça. Ela disse que o Diego era bobinho. Foi um momento importante. Abriu a avenida para ela passar e, quem sabe, ganhar o BBB25.

A rainha do deserto #bbb23

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No deserto não dá planta. Se uma planta cresce no deserto, acho que o mínimo que podemos fazer é olhar pra ela. Brinks. Não vou fazer um texto cafona não. Mas, né? Alguém pode lembrar que planta que cresce no deserto é cacto. E aí. Não tem cu que não tranca.

Mas me espanta. Gente que tá nessa de acompanhar BBB há anos (vocês sabem quem somos). Perplexa. Meu deus, o que que a Amanda tem? Tem sapato de ouro tem. Desculpa. A cafonice me rondando demais.

Tomei umas Bud.

Me espanta porque Amanda é um clássico. E aí vou fazer história porque, né? Ela me lembra demais a Gizelly do BBB8. Acho que tem algo ali. Dessa cepa. De uma participante aparentemente muito apagada. Que parece mesmo precisar se escorar (imagina, Dr. Marcelo pensava protegê-la!) e que tem um apelo popular imenso. Aí ela parece estar em eterna fotossíntese mas os protagonistas orbitam em torno dela. Rafinha também rondava. Bem. Se todo mundo te orbita, você é o sol. Marvvila, outra planta da edição, não consegue isso. Que os protagonistas se preocupem com ela. Ou que odeiem ela. Ela briga com Cezar Black que, sabemos, é o Fiuk desse ano. Só não sai em nenhum paredão porque há outros para eliminar.

Então esse é um sinal. De uma identificação profunda da população com um participante que, a rigor, não faz nada. Mas que move quem faz. Eu não torci para nenhum participante que jogou assim. Nem Gizelly. Nem Cézar Lima do BBB15. Há outros mas me lembro, agora, desses dois. Reforço que ela ecoa Gizelly demais pra mim.

Mas não é o único clássico que ela emula. Tem outro. Que aí eu amo. E acho que é por isso que eu gosto demais dela (embora não torça pra ela). O jogo do BBB, pra mim, é um jogo de encenação. Você precisa de alguém pra contracenar. É preciso que um outro participante tenha essa generosidade (e sagacidade também). Quem não se lembra do professor de matemática, Rafael, tentando contracenar com alguém no flopado BBB6 e não conseguir. E quem se esquece de Pink e Jean? De Maria e Daniel? De Rafa e Manu? E quem não se desesperou de ver a Sara deixando Juliette a deriva? E o Gil a seguindo? Tem cacto que não perdoa o sensacional Gil do Vigor até hoje. Rodolffo e Caio evitaram o cancelamento por conta da eficiente dobradinha. Arranjar com quem contracenar é a função PRINCIPAL do jogador do BBB. O Max. Xarope demais. Não ganhou porque jogou muito. Ganhou porque contracenou bem demais com Priscilla e Fran. E poderia ter perdido pra Ana Carolina. Pra mim, a melhor jogadora da história do BBB. Que contracenou demais com Naná. A segunda melhor jogadora da história: Angela, BBB14. Armou as melhores jogadas que a versão brasileira já viu. Mas não conseguiu contracenar com ninguém. Arrumou um boy no jogo que era meio goiaba. E perdeu para Clara e Vanessa.

E aí temos um ponto. Minha professora de italiano, na época disse uma coisa. Que pensava que era a Clara que encantava. E se surpreendeu. Ela usou uma expressão na época. “Caí do cavalo”. Uma coisa assim. Eu já tinha caído antes. Pensei que na dupla Jean e Pink, a favorita era a Pink. Pode acontecer. Quando a cena está acontecendo entre iguais, podemos deixar que nossas preferências nos enganem.

Pensei que era Pink. Deu Jean.

Pensou que ia dar Clara. Deu Vanessa.

O que não pode acontecer. É não perceber a cena. Você até pode apostar em Sapato. Mas nunca pode achar que existiria um Sapato sem Amanda. Como não tem Vanessa sem Clara.

Essa é a lição do BBB. Quando dizem. Conte sua história. Tem muita gente tentando. Sarah tem bela amizade com Marvvila e Gabriel. Um romance com Alface. E aí? O que define? Que a amizade do Fred com a Domitila nos emocione mais do que a cumplicidade do Mosca com a Sarah?

Eu não sei. Tem algo de autencidade. Sim, provavelmente. Mas tem um domínio da cena. A Domitila vendo o louva deus. Sonhando. Sentindo-se sozinha. O Fred segurando o rosto dela com as duas mãos. Me convença.

Amanda e Sapato nunca sairam do personagem. Sempre se cuidaram. Amandinha, Tadeu. Arranca sorrisos até de quem os detesta. Eu vi o anjo compartilhado da Larissa com o Black. E o alívio do Sapato que a Amandinha ia ser imunizada porque seria a unanimidade.

E o Black. Que não contracena com ninguém. Dá o anjo pra Aline caso ela tenha um poder coringa que o salve. Jogadorzão. Não. Não é assim que se joga BBB. Salve alguém. Sofra por alguém. Faça algo COM alguém.

O Nicácio falou muito que o Black seria popular por aqui por causa do Rocco. O cachorro dele. Pois é. É assim que ganha BBB. Contracenando com o cachorro. Mesmo a distância.

Então. Esse jogo da Amanda é um clássico também. Contracenar. Proteger e aconchegar.

Lembro da Sabrina Satto também. Não se aplica tanto porque ela e Dhomini eram um casal. Mas a certeza que ela tinha. Ela falava simplesmente “você tem que ganhar de anjo ou ganhar de líder e fazer isso e isso”. Não tinha espaço para “eu respeito sua decisão”. É um tamo junto. A díade. Uma colega, psicóloga, me explicou. A díade é quando a individualidade desaparece numa dupla. É um perigo, na psicologia. No BBB também. A díade derruba todo mundo.

Essa é a edição de grupos. De muitas afinidades. De diversas proteções. Mas de apenas uma díade. Mi anjo su anjo.

Então, vamos numerar as obviedades:

1) Amanda se conecta com o público
2) Amanda formou a díade – sem ser de casal, que é mais potente

Mas há mais. Ela joga sim. Ela conversa de jogo. Ela cobrou na última festa. Que desde as expulsões ninguém mais falava de jogo. Ela vai bem em prova. Não ganha mas se dedica e quase chegou lá várias vezes. Ela percebeu o tema racismo e não tem aparecido nos vídeos ridículos da Larissa (Aline está em todos). Na treta fundadora do BBB23 ela está. Sim. O acontecimento mais importante do programa foi o Nicácio assistindo a conversa dela e do Sapato sobre mudar de quarto. E a mudança de assunto quando a Bruna chega.

Bem. Se esse acontecimento permeou a primeira parte do programa e ela ESTAVA nele. O que dizer sobre protagonismo? Além disso, indica que ela via as limitações do deserto. Que tinha 3 participantes inviáveis (Guimê, Boco Roso e Alface). Posteriormente, Alface recalculou a rota com sucesso. Acho que isso é inédito. E merece análise. Vamos pensar juntos se algum outro participante calculou a rota com sucesso.

Enfim. Ela erra menos do que gostaríamos (nós, torcedores da Domilita, que é de outra cepa, é outro post). Ela está fazendo um jogo clássico. E tem bons insights conforme o contexto se apresenta.

Larissa e Nicácio, cada a um a sua maneira, querem minar o favoritismo dela. É justo, ué. Todo mundo quer ganhar. Mas como fazer uma moça tão comum se deslumbrar com o favoritismo? Como quer Larissa. Como tirar uma planta da zona de conforto? Como quer Fred Nicácio. Me parece um contrassenso. Falar de Amanda insistentemente, agora, é regá-la. Tudo que uma planta no deserto precisa.

PS: uma coisa que eu esqueci mas acho importante. Tem um Big Boss. Infelizmente. E ele determinou que duas pessoas iam entrar juntas. Amanda e Sapato. Sarah e Gabriel. Os únicos que sustentaram isso. Acho interessante de observar. Que foi sucesso pra quem bancou.

Pq eu detesto tanto o Scooby

Por inúmeros motivos. Mas nos últimos dias um deles começou a ficar mais claro pra mim. Eu acho que o que me incomoda demais no Scooby é a carioquice século XX que ele exala. Ele é o carioca consagrado no imaginário do século passado. Meio sangue bom. Meio marrento. Meio descolado. Meio encostado. Mas, principalmente, o carioca que se vendia como a síntese da democracia racial e social brasileira. Na praia todo mundo é igual. Aqui todo mundo é igual. No BBB todo mundo é igual.

Essa ideia do melhor do Rio de Janeiro ser a mistureba entre as classes e raças é muita presente nessa edição do BBB. E é uma ideia do século XX. Que só foi problematizada de maneira mais popular e eficiente no século XXI. Quando outros cariocas começaram a falar de si e contar sua própria versão da história que os cronistas da zona sul romantizaram à exaustão. Então, quando os jovens das favelas e periferias da cidade tem acesso às universidades e aos meios de comunicação alternativos, há uma espécie de tsunami multicultural e a própria noção de carioquice se amplia e se distende e se enriquece.

Vou dizer que o governo Lula é o contexto dessa transformação, claro. E aí me lembro de um filme de 2003 – Lisbela e o Prisioneiro. Nesse filme tem uma cena que me marcou bastante. Um cara vai numa cidadezinha do Nordeste e finge ser carioca, uma coisa assim. E isso pega bem demais lá. Porque ser carioca é um sonho pro morador do sertão. Esse filme é do início dos anos Lula. Antes, então, de que as outras vozes se tornassem cada mais audíveis e orgulhosas. E no BBB, soube essa semana, um dos participantes finge ser carioca. O PA é paulista de Santo André. E força o sotaque e a torcida pro Flamengo.

Foi nesse papo que me caiu essa ficha. Que essa carioquice como sintese da identidade nacional é o que está me matando quando assisto o Scooby. É como se a rede Globo voltasse a inventar o brasileiro. Que tinha dispensado a emissora dessa função. Que tinha se organizado depois do tenebroso período da ditadura. E o entorno é um entorno da democracia social via carioquice. O que é o Arthur? Um patrãozinho que fala bonito. E o pobre telespectador fica de queixo caído. Porque não tem mais voz. Um fala-bonito não se criava nos tempos em que as vozes se multiplicavam. Hoje é só a voz do Arthur que a gente ouve. A voz que explica o jogo pra gente. E a gente agradece. Mas o Scooby é mais importante. Porque ele é arquétipo dessa falsa igualdade. Ele é o meme disso. Ele é um atleta de alto rendimento. Que começa uma prova que exige resistência ou velocidade com a Jessy, por exemplo. Ou o Vyni. E uma espécie de ilusionismo faz com que a gente acredite (e ele também) que a prova foi justa. Ele fala o tempo inteiro que não precisa desse dinheiro, conta da rotina dele em cidades do mundo todo. O que é melhor em Los Angeles? O que é melhor em New York? E se diz um cara simples e afirma que todas as vivências são importantes. Quem tem mais de 40 anos sabe do que eu tô falando! Esse rico que come nos melhore restaurantes de Paris mas que diz que bom mesmo é comer churrasco no subúrbio! Essa era a quintessência do macho branquismo brasileiro na segunda metade do século XX.

O DG é uma voz dissonante. É uma voz do século XXI. Um cara negro, da favela, que se tornou evangélico, frequentou igrejas muito conservadoras (como a do Silas Malafaia). É uma biografia século XXI. Mas não sei se é essa a história que ele conta lá dentro. Nem sei se o perfil das redes sociais conta essa história também.

Enfim. Quando uma amiga no twitter me contou que o PA fingia ser carioca pra ficar mais enturmado com o Scooby me bateu isso aí. Que a carioquice apresentada no programa é uma identidade superarada, anos 50-60, elitista e que faz uso da ideia de democracia social e racial no pais.

E aí eu acho que isso explica porque o sofá adora o camarote carioca do BBB. Porque o sofá tem saudade desse Brasil. Que supostamente era unido e que o lulismo separou. Essa ideia de que havia unidade foi muito poderosa pra forjar essas forças de extrema-direita que trabalham numa chave de nostalgia pra conquistar eleitorado.

Obviamente nao estou dizendo que os participantes sao assim ou assado. Estou dizendo que eles evocam alguns elementos que estavam dispersos por aí. E por isso me irritam demais. Sao antes de tudo demodés.

A internet não entendeu o jogo da Jade

Tava conversando com uma amiga sobre a vida amorosa dela. Ela me disse que saiu no final do ano com uma artista plástica. Eu disse uau. Aí ela emendou dizendo “mas eu nunca vi um quadro dela“. A minha amiga desconfia que a moça gostava de se apresentar como artista plástica mas não tinha nada de concreto para entregar. Artista sem obra.

Acho que o Rodrigo foi o artista sem obra do BBB. Falou e falou que ia jogar. Avisou todo mundo que já estava, inclusive, jogando. Mas não apresentou um caso concreto. Falou demais, desperdiçou um colar de anjo com Eli. E saiu. As entrevistas com ele são chatas porque não existe um único episódio que tenha a assinatura dele e que a gente queira saber mais sobre.

Ontem, a Jade apresentou a obra. E a gente nem sabia que ela era artista. Ficou matutando no quarto e saiu com aquilo da cartola.

No discurso de eliminação do Gil, ano passado, o Leifert perguntou “quanto vale entrar para a História?”. E embora saibamos que o Gil já faturou 15 milhões de reais, o que fica da pergunta é uma pulga atrás da orelha de todo mundo. Ninguém quer ser planta. Ninguém quer estar numa edição flopada.

Ninguém. Mas o quarto lollipop (+Artur) se preocupa de verdade com isso. Eu entendo. Ser ex-BBB, nas duas últimas edições, virou passaporte carimbado para a carreira de influencer no instagram. E parece que é o sonho das pipocas Laís e Bárbara. Olhando para esse elenco pressão baixa, elas se desesperam com a possibilidade de serem esquecidas em agosto. Encontraram em Jade uma aliada adequada. Uma das maiores influencers do Brasil, chegou onde chegou produzindo o tal do conteúdo.

Bem. Se você é/quer ser produtora de conteúdo e não consegue produzir tendo recursos globais e a atenção do país inteiro. Vai produzir como? Pra Laís e Bárbara é o atestado de que não servem para isso. Para Jade, humilhação nacional.

Então, Jade foi lá e fez. A coisa mais irritante dessa edição é que o elenco joga escorado. Todo mundo vota na Natália. Todo mundo vota na Jessi. Todo mundo vota no Artur. Eles escolhem um alvo. Malham sem parar. E chega pra votar domingo com preguiça e previsibilidade. Nessa semana, um complicador. Eles não poderiam mais votar em Natália e Jessi, para nao parecer perseguição. Mas estavam tranquilos. Iam se escorar no Artur. Ela apenas removeu a estaca de sustentação. O que se seguiu foi um dos momentos mais constrangedores (e históricos) do programa. Douglas passando vergonha. Eli ganhando o título honorário de pateta. Viny perdido. E a Jade não fez um grande movimento. Alterou os fatores. Apenas.

E produziu conteúdo. Intuição corretíssima de que o jogo de escora é irritante. A primeira parte da votação de ontem já é o melhor momento do BBB até aqui.

No confessionário, o plano dos grupos se desenrolou. As comadres foram em PA. As Lollis foram no Douglas. Graças à combinação do sorteio, as Lollis levaram a melhor. E fizeram o big 4. Emparedaram a Naiara por consequencia. O Artur pelo líder. O Lucas no desempate. E o Douglas na votação. Elas colocaram QUATRO pessoas no paredão.

Depois, no quarto do líder, Jade fingiu que ia agradecer a Deus mas acabou agradecendo a si mesma. Elas riram dos votos covardes no aberto. Abriram ices. E são o grupo a ser batido na edição. Para mim, são vilãs. E, pessoalmente, não gosto da Jade. Acho esnobe etc.

Mas mandaram no jogo. Produziram o tal conteúdo. Protagonizaram uma votação que não será esquecida pelos fãs do programa e podem, ainda, demolir a Disney, se o Douglas sair.

Concordo que o Lucas está fazendo hora extra e que de lá não sai nada. Mas gostei da formação final. Se a Naiara sair, vou me chatear. Ela é minha participante favorita até o momento. Mas acho que ainda não é tempo de alguém fazer tanta falta assim. Não acho que alguém esteja realmente apaixonado por algum participante.

Se o Douglas sair, vai se sentar ao lado de Mahmoud (BBB18). Participante que não soube ler os votos no paredão em que foi indicado e eliminado. O voto de Douglas em Viny. Com a justificativa de que votaria em alguém que não teria votos, querendo se abster do paredão, entra também para os anais de jogadas atrapalhadas. Enquanto ele jogava voto fora, as lollis faziam a autópsia no confessionário. Menção honrosa para Scooby, seu principal aliado, votando em Linn (!).

O BBB, faz tempo, é um jogo de repercussão. Viih Tube se reinventou lindamente e até hoje é uma participante interessante. Que fez coisas reprováveis mas muito interessantes. Jade sempre terá essa história para contar. Com a eliminação prematura, amanhã, de um participante importante, mudou os rumos da edição. Participantes produtores de conteúdo trazem isso. Boninho inventa moda aqui fora e eles inventam moda lá dentro.

Só não dá pra dizer que o programa, hoje, está pior que ontem. Não está. Mesmo que saia minha fav. O que temos agora é bem mais interessante de assistir.

Jade não jogou pouco. Jogou muito. O programa é dela e das lollis até agora. Mexam a bunda comadres, disney e franco-atiradores. Quem, até agora, tem uma obra para nos mostrar é Jade Picon.

Sobre a chapa Lula/Alckimin (pitacos)

Eu não sou especialista na área. Então, esse texto é um palpite baseado nas minhas preocupações como cidadã e em algumas leituras que fiz como socióloga. Mas sempre tangenciando o assunto, nunca tendo ele no centro de qualquer análise. Minha questão é sobre o pacto da Nova República. E como ele estaria se esgotando e possivelmente entraremos numa nova fase da história brasileira. Isso me suscita reflexão desde que ouvi uma aula do professor Paulo Arantes dizendo que o processo de redemocratização aqui nunca aconteceu de fato. Ele diz que nós cultivamos o mito de que derrotamos a ditadura. Mas não foi isso. A redemocratização foi conduzida pelos militares e pelas elites e não pelo povo. E que a ditadura não foi um hiato de violência na tranquila sociedade brasileira, ela é o modo recorrente de organização nacional. Recomendo demais essa aula.

Sabe aquilo de que temos que mudar para que nada mude? Tenho pensado se esse modelo, fundamental no país, se esgotou. Porque as elites, no pós-impíti, tem se mostrado muito afoitas. Como se tivessem abandonado a tal “revolução passiva” (encampar a agenda das massas para conduzir as mudanças em banho-maria). Para mim, parece que as elites aceleraram. O que é inédito e apavorante. Mas enfim. Tentando ler sobre isso, acabei nesse texto da Margarete Keck. E eu gosto demais de ler brasilianistas, aviso. Gosto do olhar ~distanciado~. Não sei ao certo como os brasilianistas são vistos hoje na academia brasileira. Quando eu fiz faculdade, nos anos 90, pegava mal ler brasilianistas. Hoje, vejo uma preocupaçao desses intelectuais em emprestar a voz ao invés de nos explicar para nós mesmos. Mas eu não sei mesmo qual o status geral.

Mas então. É um capítulo de um livro clássico sobre o PT. Nesse capítulo, ela analisa o comportamento da oposição, PMDB, na derrocada da ditadura brasileira. E compara com a Espanha pós-Franco. E na Espanha, em dois anos, tudo estava resolvido. Novas leis, constituinte, eleições diretas. E aqui ficamos uma década. Pra presidente, só votamos em 89. As eleições pra governador tinham sido em 82, pelamordedeus. Ela usa a palavra “ambíguo” umas duzentas vezes no texto. Recomendo demais, o livro todo. É um livro que serve, também, aos não acadêmicos. Porque parece que é isso que ainda estamos vivendo. Ninguém quer confrontar. Com um retoque aqui e ali, é assim que os agentes políticos ainda se comportam.

Isso tem sido bastante debatido quando fazemos a análise dos governos do PT. E, principalmente, quando falamos do Lula. Não chega a ser uma novidade debater isso. O que é novidade, para mim, é ela dizer que quando se iniciou a abertura, o PMDB fazia discursos inflamados ao mesmo tempo que negociava com os militares a sua chegada ao poder. “O pressuposto, reforçado pelos ganhos do partido em sucessivas eleições desde 1974, era o de que o curso natural das coisas levaria o PMDB ao poder”, ela diz.

Eu gosto muito dessa visão sobre o PMDB, e acho que é mais perene que a do Marcos Nobre. Me parece que a tese do Nobre vem perdendo a potência depois de 2016 e não consegue mais dar conta do baile partidário brasileiro pós-golpe de 16. Não que a visão da Keck dê conta. Ela fala de outro período. Mas acho que muita coisa que atribuímos aos últimos anos dos governos petistas é, na verdade, uma tensão que vem do período da “transição brasileira”. Inclusive essa. Do PMDB se sentir meio como aquele que nunca recebeu de fato o que merecia.

E aí o que eu acho importante. Ela afirma que o PT estragou a festa da redemocratização negociada. Foi a água no chopp da abertura. Não foi pobre no aeroporto que acendeu a ira. É anterior. O que foi acordado não aconteceu. Os motivos disso são variados mas, talvez, o mais importante é que os agentes políticos estavam envolvidos em fazer política institucional para garantir as mudanças necessárias e se esqueceram da política de base, que era o que o PT vinha fazendo. Então, a gente viu no Brasil uma coisa que deve ser inédita. Ulisses Guimarães, líder do partido de oposição à ditadura, não tinha povo para votar nele em 1989 e nem sequer o partido inteiro mais (o PSDB disputou as eleições com o Covas). Quem tinha povo era o PT. E as elites escolheram outro caminho. Isso é muito interessante porque aqueles que criticam o movimento de conciliação do PT, hoje, parecem não perceber que eles mesmo não tem povo. Eu acho interessante esses movimentos todos. Por exemplo, esse revival do PCB. Mas precisa de povo. É preciso de base. As bases, antes, estavam nas igrejas e nos sindicatos. Hoje, temos as igrejas evangélicas que são muito populares mas que parecem ter uma outra agenda. Mas não é sobre isso que estou pensando.

Estou pensando no pacto da Nova República. Vi uma discussão no twitter (@coalacroata) de que a aliança entre Lula e Alckimin seria uma maneira de resgatar esse pacto. Eu gostei muito de ler isso. Mas fico pensando se é isso mesmo. Se considerarmos que o PT não estava no pacto original da Nova República, inclusive foi um partido que se opôs a muita coisa na Constituição de 88. Se o PT forçou sua entrada no jogo político pós-ditadura, como poderíamos resgatar o pacto? Pra mim, parece o contrário. Parece recolocar as peças a partir da merda que deu. Os pmdebistas progressistas já tinham saído do PMDB para tentar outra coisa (PSDB). E os petistas se tornaram uma força até então imprevista. E imprevista não quer dizer revolucionária. Agora, o PT está nesse local de saber mover as peças institucionais (o que ele não sabia antes de ocupar a presidência, tinha o povo apenas) e alguns políticos democratas (mas não esquerdistas) querem varrer alguns entulhos. E, principalmente, corrigir algumas distorções que nos trouxeram a esse governo horrendo e a esse Congresso destrutivo. Para mim, zerado o jogo. A luta recomeça. E imagino que o Alckimin quer ser presidente e ainda vai mudar de partido algumas vezes etc.

Aqueles políticos que trataram da transição não estão mais aqui. Nem sei se existe mais uma força assim. De um grupo de “grandes homens” que decidem os destinos da república. Tentaram com o Temer mas parece que terminou em stand up comedy. O que a gente vê são as elites acelerando. Interesses muito privados sendo negociados em troca de apoio. Um Lira não é um político que se senta para decidir o Brasil. Ele se senta para conseguir enviar trator pra região dele. Talvez essa movimentação, por parte do Alckimin e do Kassab, seja no sentido de reacender um pmdbismo raiz, não sei. É uma impressão. De repente sacaram que estão a reboque de Serjo Moro e general Não Sei das Quantas. Aí pode ser. Que seja um reviver do pacto. Mas com PT na mesa. Coisa que é inédita.

Podem falar mil vezes que o PT se sentou com quem não devia. E é a pura verdade. Mas é verdade também que o PT nunca foi aceito. E quem acompanha política percebia isso. Que não era orgânica a relação. Sempre foi aquele que atrapalha. E não porque é comunista ou radical. Mas porque é popular.

Claro que eu quero que se fodam os “grandes homens” que decidem a Repúblia. Mas acho que é o momento de pacto pela democracia. Feito o pacto, já disse, a luta continua. E pode ser um pouco desestimulante isso tudo, do ponto de vista de transformações profundas. Mas provavelmente a política é isso. Negociar e refundar pactos. Estamos quase sem nenhum. Depois de 2018, havia a impressão de que tudo podia acontecer. Impressão cada vez mais fraca à medida que os pactos são firmados.

Torço para que seja assim. Mas torço, também, para que apareça uma alternativa pujante que chegue cheia de povo. Mas eu não vejo isso para 2022. Fora desse pacto Lula/Alckimin parece que temos generais querendo ser os “grandes homens” que decidem nosso caminho. Tem que brecar.

Ah, não precisa votar alegre nessa chapa“. Então. Eu acho que precisa. Eu acho que tem que ser enorme. Tem que ser festivo. Tem que ser inclusivo. Tem que tomar as ruas. Tem que ser um AQUI NÃO, MILICADA imenso. Para continuar o mito de que vencemos, como diz o Paulo Arantes? Pode ser. Mas, eu acho, que para que a gente possa tentar alguma coisa. Estamos combatendo um governo autoritário e já fortemente militarizado.

Temos que começar de algum lugar. Espero que seja daí.

O BBB21 tratou do mundo que é possível agora

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O BBB21 teve várias coisas originais e que provavelmente se tornarão paradigmáticas. Vou falar um pouco delas (pq quero deixar registrado no blog o que EU assisti). A primeira foi a “memória” das primeiras semanas. Que não conseguiu ser revertida. Algumas pessoas, por exemplo, acham que a Juliette deveria ter ido para a final com o Gil. Sem considerar que foram mais de 10 semanas dela sendo acolhida pelo Jardim. O mesmo acontece, hoje, enquanto a votação está em andamento. Acham mais justo que a torcida do Gil vote pela Camilla, ignorando que o maior parceiro do Gil, na temporada, foi o Fiuk. A “memória” que temos do programa nao reflete o que foi o programa. E isso é muito interessante. Porque mostra essa coisa que falavam tanto. De ser multiplataforma etc. E agora o público realmente conta a história que quiser sobre a edição. E a direção do BBB parece muito à vontade com isso. Com Rafael Portugal, principalmente, contando a história que o público conta através do humor.

Outra coisa inédita foi a torcida da Juliette. Que fez um uso político-eleitoral das redes sociais. Não me lembro de uma torcida ter esse discurso de plataforma. Acho que foi mais uma torcida de valores do que de afetos. Acho as duas abordagens um pé no saco. A Máfia Dourada foi o primeiro fenômeno de torcida no BBB. Não acompanhei muito o BBB10 porque a torcida realmente me fez mal. Era uma coisa meio tropa de choque. Acho eu que difere da torcida da Juliette que apelou mais para uma moral cívica. As Clanessas, o outro fenômeno de torcida, tinham uma vibe completamente diferente dessas duas outras porque nunca quiseram constranger ou assediar os torcedores de outros participante. Pelo contrário, funcionavam quase que desdenhando dos potenciais “eleitores”. Era uma bolha autossustentável. Acho que a administração do perfil da Juliette muda pra sempre a forma de torcer do BBB. E os participantes devem entrar com as identidades visuais prontas e com os valores que pretendem representar etc.

[EDIT] Vale mencionar, também, a entrada de torcedores famosos na arena com ainda mais força do que na edição passada. Curiosamente, isso não ajuda os participantes mas as próprias arrobas verificadas. Foi uma briga de foice para conseguir engajamento às custas das paixões que o BBB desperta. É um pouco irritante de assistir. Mas todos comentaram BBB esse ano. Jornalistas esportivos, comentaristas políticos, influencers, artistas. Irritante. Imagino mesmo como é um pé no saco pra quem não acompanha.

Uma coisa inédita, pra mim, foi que não me apaixonei nesse BBB. E acabei preferindo um homem (Fiuk), pela primeira vez. Não comprei os personagens da Juliette e do Gil no jogo. Consegui “ver” o personagem da Juliette, atrelado ao marketing eleitoral. Por exemplo, a briga do cuscuz. Pra mim, obviamente uma cena que casava com o que ela sabia que estava sendo feito aqui fora. As músicas que ela cantava também. Enfim. Excelente jogadora. Viu o que ninguém viu. E adorável também. Mas excessivamente montada para o meu olhar de telespectadora.

Com o Gil foi diferente. Embora ele também tenha entrado sabendo mais ou menos o que ia fazer, me emocionava com as cenas dele. Mas jogou mal demais. Não conseguiu ler o jogo que se desenhava e entregou uma aliança sólida com Sarah e Juliette (com pontos de conexão com o Jardim) por uma parceria cretina com os bastião. Super-interpretou muito os sinais externos e acabou vivendo um caos, cheio de decisões erradas. Mas foi também uma participação que quebrou paradigmas de comportamento dentro da casa. Fez um BBB para adultos, sensualizou o programa, teve os melhores momentos todos da edição. E fechou uma parceria inusitada com Fiuk. Desde o começo. O que os vídeos da briga dele com Arthur provam à exaustão.

Fiuk foi um personagem que passou por vários momentos distintos. Uma jornada de subjetividade aflorada, retraída, leve, densa. Começou buscando um alinhamento politicamente correto com o grupão. Não aguentou o peso do autoritarismo dele e se retraiu com Lumena, apenas. Depois, virou um zumbi. Chato com as pequenas coisas mas não o suficiente para ser alvo. Algumas alianças não apareceram durante o programa e ficamos a par só na reta final. Quando Camilla, por exemplo, se recusava a votar nele. Depois do paredão apareceu mais no jogo. E foi o melhor coadjuvante para os dois protagonistas. Contracena bem com ambos. Uma amiga no twitter (@alesie) disse que o Fiuk sinalizava fisicamente o seu estado de espírito. E foi uma das coisas mais impressionantes da edição, pra mim. Ganhou minha torcida por isso. Ficará marcado, entretanto, por uma cena pavorosa, em que ele fala coisas estúpidas e cruéis para Juliette na cozinha. Deu tempo de pedir desculpas para ela. Mas é uma cena emblemática.

O Jardim. Me interessei mais pelo jogo da Viih Tube. Que também pode se tornar paradigmático. Nunca tivemos um personagem que faz as coisas que ela fez com consciência da malandragem. Faltou combinar com o público, concordo com o Leifert. E acho que pode render nas próximas edições. Ela perdeu a chance de viver mais o programa, no sentido vigorento da coisa, mas fez tramóias divertidas e não magoou ninguém lá dentro. Gostei demais da participação dela. Se eu tivesse sacado esse jogo logo no início, provavelmente teria a minha torcida. Thaís não fez nada na edição. Impossível comentar a participação dela. O triângulo dela com Ju e Viih não foi um assunto e consumiu muita energia das três. Sorte da Juliette que a essa altura já era favorita. Senão poderia ter sido devorada pelas samambaias. Azar da Viih, que perdeu o terceiro lugar nessa não-situação.

Camilla e João são fofinhos mas fazem o anti-jogo clássico. Não gosto. Prefiro uma jornada outsider (fiuk, viih, pocah) que o jogo deles. Tiveram um grande momento, de denúncia de racismo, mas ficou como episódio, sem consequências para o jogo. Carla Dias foi a pior jogadora da edição e perdeu até a blindagem do jardim. A recusa dela em entregar as informações do quarto a tirou da semifinal e anulou um plot que a gente adora (paredão falso). O romance com Arthur não interessou a ninguém. Ele inclusive foi melhor sem ela.

Karol, Lumena, Nego Di e Projota foram as grandes decepções. Uma arrogância insuportável de assistir. Lucas ferveu antes da hora. Quase embananou a edição. Mas deu tempo de salvar as coisas. O ódio das torcidas à Karol me incomoda até hoje. E acho que é reflexo do que vivemos no país. Embora rejeição não seja uma novidade em BBB. O BBB21, entretanto, foi decidido por eles quatro.

Arthur e Pocah foram bem no programa depois de realinharem o jogo mil vezes. Arthur chegou a ser muito divertido com Gil. Pocah foi divertida com todos. Mas as escolhas iniciais tornaram impossível um realinhamento de voto. Arthur recebia votos Giuk mesmo estando mais com eles que com os outros. Mesma coisa da Pocah com a Juliette. Claramente não era mais um voto por afinidade, mas acabava acontecendo por falta de opção. Gosto de assistir essas reinvenções que alguns personagens fazem.

Os bastiões e a bastiana foram aquilo lá mesmo. Com destaque para o Caio, que jogou bastante e manteve aberta possibilidades de alianças com todos. Exceto com o Jardim. Principalmente por causa da Camilla, que fechou essa porta pra ele. Taí. Uma boa jogada da Camilla na temporada. Rodolffo não fez nada, era uma planta com R retroflexo. E aparece na retrospectiva fazendo duas piadas preconceituosas. Sarah foi a favorita do início do jogo. Acho que o bolsonarismo acabou com eles. Mas, no caso da Sarah, foram as péssimas escolhas também. A liderança do Rodolffo subiu à cabeça do núcleo goiano e acabou por chamuscar o Gil. É uma participante interessante que rodou na pista. Até a derrocada dela, hoje, é menos interessante do que parecia na época.

Kerline e Bill caíram de pára-quedas nas tretas de Lucas e Karol, respectivamente. Os dois vampiros da temporada. Sem nota. E ia quase me esquecendo deles para ser sincera.

Por que a Juliette deve vencer?

Por causa mesmo das primeiras semanas. Ela entrou pra fazer uma coisa e quase não conseguiu, porque foi muito atacada. Me lembro de ficar completamente solidária a ela, torcendo mesmo por ela, e mesmo assim considerá-la meio boçal. Ela não conseguia dizer o que queria dizer. Ela abria a boca e falava coisas desconexas. Não articulava. Depois, vendo ela recuperar a incrível capacidade retórica é que me dei conta do quanto foi violento o que aconteceu com ela. Na verdade, não me dei conta. Eu sabia enquanto assistia. Ela foi ao fundo do poço e subiu. Arrumou bons parceiros de jogo. O Jardim, que cuidou dela. O Gil, que se arrependeu das rupturas e tentou consertar as coisas, com uma capacidade de auto-crítica fora de série. Fiuk, que teve um jogo aberto com ela, mesmo as hostilidades iniciais foram face a face. Aí ela fez parcerias de fato e deixou de ser excluída. É chatíssimo de ver ela requentando isso. Mas, no início do jogo, roubaram até a voz dela. Ela não conseguia falar, cara. Por ter passado por isso, merece solidariedade e carinho, mas não o milhão. Por ter recuperado a voz e conseguido transformar essa experiência em visão de jogo, merece demais. Uma brilhante participante. Brilhante.

Por que o Gil deveria ter vencido?

Porque ele é o outro mundo possível. Um mundo de ternura e erotismo. Um mundo que tem corpo. O corpo dele é um grito de libertação. Como ele grita, como ele mexe as mãos, como ele insinua a cachorrada. Um mundo em que um menino pobre de Pernambuco chega ao PHD na Califórnia e isso não é nem de longe o maior feito dele. Foi tão especial que isso tenha acontecido durante o programa. A Juliette aponta a vitória de uma Justiça dentro das possibilidades. O Gil nos daria o mundo do desconexo, do incerto, do decolonizado. Cachorrada, Califórnia, beijo de língua, gritos de indignação. Ele amou o rapaz da periferia, a loira minion, o rapaz mimado. Tudo misturado. Um mundo que renasce depois da poda, que desabrocha e transborda. Um outro mundo. Que não foi possível. Não agora, para nós.

Misericórdia, Fernandópolis

Sagrado, nessa quarentena, é o momento em que a prefeitura divulga os novos casos do dia.

Um minuto depois, dezenas de comentários podem ser contabilizados. Muitos reclamam das festinhas domésticas e da falta de consciência das pessoas. Alguns bolsonaristas reclamam da “metodologia” e bradam pelos curados.

Muitos clamam a Deus. Daí o nome do post e o apelido da página. Minha irmã sai do consultório e pergunta: “como tá o Misericórdia, Fernandópolis?”.

Ela quer saber das informações recentes. Chamamos de Misericórdia, Fernandópolis porque há dezenas de comentários que dizem apenas isso “misericórdia”. Alguns vem acompanhado do emoji de uma mãozinha rezando. É de longe o comentário mais comum.

Eu comento. Diariamente. Geralmente recrimino meus conterrâneo. “Ah, que beleza, continuem fazendo peixadas”.

Peixada é uma expressão com significado local. Houve uma peixada aqui que contaminou 7 pessoas. Daí virou senha pra recriminação. Até o prefeito usou a expressão específica pra falar sobre a falta de comprometimento da população.

Pessoal fica fazendo peixada. Ao invés do popular “pessoal fica fazendo churrasco”.

Em Ituiutaba, cidade que acompanho com atenção, as pessoas usam “corona fest”. Pras reuniões clandestinas na pandemia. Aqui a gente usa “peixada”. Gosto.

Eu comento todos os dias na página da prefeitura. Geralmente em dobradinha com uma prima querida. É uma diversão interna.

Treto também. Já chamei de enxerida uma mulher que cobrou a lista com o nome dos mortos e contaminados. Hoje, mandei um professor de educação física fazer polichinelo. Ele tinha mandado uma advogada, que criticou o veto do Borsito às máscaras, ler mais.

Assim ficamos. Reclamando. Dedando quem está aglomerado na esquina (muitos comentários sobre isso). E no meio das tretas todas, há essa pausa. Misericórdia.

O que eu acho que aconteceu no BBB20

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Eu estava quase me acostumando aos fandoms. Vou dizer que me enche bastante esse negócio de mutirão e de engajamento de torcida. Porque a gente passa a não ter ideia de quem vai sair ou ficar. E a própria dinâmica do jogo fica prejudicada.

Vimos, por exemplo, Mari ir adiante sem que tivesse feito algo pra merecer (e eu sempre a adorei lá dentro mas sabemos que, né).

Enfim, então tivemos uma audiência absurda. Algo que não acontecia, acho, desde o BBB10. Ótimo elenco e quarentena e bingo.

Com isso volta um tipo de torcedor insuportável. Aquele que escolhe pela história de vida FORA da casa. E, pior, tenta premiar aquele que é considerado mais pobre. Foi o voto que manteve Babu na casa e que deve premiar Thelma (volto a isso).

As estrelas do programa, porém, são Rafa, Marcela e Prior. Cada um montou um grupo e tentou emplacar a sua verdade etc etc.

(E Manu. Por conta do jogo absurdamente original. Considerava que tinha feito jogo solo. Hoje, fiquei em dúvida. Me parece que ela foi fundamental para a cooptação da Thelminha. Rafa puxou Babu. Pode ser q eu esteja sendo injusta com a Manu)

Mas Rafa. Ela não apenas venceu os outros dois. Ela levou o grupo dela INTEIRO pra final. Acho que desde selva x praia não se vê um negócio desses.

Marcela foi maravilhosa. Ouviu o Hadson. Pensou. E armou a narrativa da temporada. Venceu. E sobrou Prior. Que conseguiu mostrar que 1) ele era amigo do Hadson e do Lucas mas não falou aquelas coisas, 2) que Marcela, Gizelly e cia eram hipócritas pq fechavam os olhos para os aliados e apontavam o dedo para ele e Babu, 3) que elas eram arrogantes quando diziam que ele, Felipe, tinha melhorado muito etc.

Quando Pyong sai (jogador importante mas que ficou acovardado na aba da narrativa da Marcela), a sirene toca na cabeça da Rafa e da Manu. E a Rafa faz a aliança com o Babu. Uma aliança que nós, telespectadores, só fomos perceber quando o Babu se indispõem com Prior porque nela ele NÃO votaria. Vou repetir.

A principal aliança do jogo. A aliança inesperada e que mudou totalmente o rumo dos paredões foi armada pela Rafa e pelo Babu sem que nem a gente percebesse com clareza!!! Meu deus!!! Isso é uma jogada sensacional demais, dê o milhão pra essa mulher.

(Mas, Mary, você vai dizer. Por que a jogada é da Rafa e não do Babu? Porque a Rafa que foi na frente. Ela que deu um jeito de avisá-lo que nele não votaria. O Pyong achou que estava dividindo os votos das mulheres entre Babu e Prior. Pra colocar os dois no paredão. E não percebeu. Que a Rafa não estava dividindo os votos. Ela estava se recusando conscientemente a votar no Babu. Pyong não notou. Eu demorei pra notar. Mas o Babu notou. E a Rafa usou o jogo da discórdia pra mostrar isso. Colocando ele no pódio. E aí pq a Rafa e não Manu é a líder do grupo dissidente)

Mas fujo do assunto, nesse afã de elogiar rainha Rafa. Bem, ela tem ali, então, o Babu. E Daniel e Ivy cometem o erro dos erros da edição. O monstro pra Thelma. Que já vinha cansada do grupo. Que tinha um forte compromisso com Babu. Mas que não poderia trair as meninas. O pódio dela. Com o movimento do monstro, Gavassi avisa a comunidade hippie do mal estar da Thelma (vimos hoje na edição). A comunidade se movimenta errado. E forma-se o quarteto fofura.

Por que o Babu perdeu? Acho que porque a história desse BBB não era a dele, como disse bem o Leifert. Espero que, também, por ter conversado com a almofada. O que é besta demais e pode abrir precedente em todas as edições. E acho que por causa da torcida também. Uma torcida agressiva e machista. Que acabou estragando um pouco a nossa experiência. E acho que o tuíte ofendendo a Thelma teve. Um papel importante. Mas veja que somando Thelma e Rafa teríamos 43% dos votos. Não sabemos que torcida tirou o Babu. Eu intuo que é a da Rafa. Mas tô ficando cada vez mais desconfiada.

Sempre achei que a Rafa tinha a maior torcida. Jogou muito bem e tem perfil sofá. Gavassi tem sofá também e tem os adolescentes. A Thelma tem a história de vida (que parece ser um componente importante na edição) e uma trajetória impecável. Inclusive perspicácia de pular pra canoa mais sólida e feliz na hora certa. Ela tem também, a torcida da classe artística. O que contraria tudo que a gente pensava (que seria da Manu).

Mas eu não acho que isso ganha jogo. O que ganha BBB é votar. E votar. E votar. Os fandoms que fazem isso.

Pelo que eu acompanhei dos paredões, acho que Manu leva. Rafa se apagou muito nas últimas semanas. E perdeu mesmo a centralidade. Acho que a Manu mobiliza mais. De ontem pra hoje, entretanto, tenho visto muita torcida da Thelma. Então, tô achando que pode ser dela, sim. Pela minha timeline, seria.

Mas aí vale a lição da minha amiga Xris. Uma das poucas pessoas que entende mais de BBB que eu (a outra é minha mãe). A xris ensina que quando vemos muita torcida na timeline, é porque as pessoas não estao votando. Estão no twitrer. E twittar não vira voto etc etc.

Ps: pra constar mesmo. Teve um outro grupo nessa edição. E que nao colou de jeito nenhum. Boca Rosa, Guilherme, Victor Hugo e Gabi. Nota de rodapé dessa histórica edição.

Rafa Kalliman has a cold

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Só se acontecer algo. Mas Rafa é minha favorita de um jeito que poucas foram.

Então, precisamos de ideias para salvá-la. Sabemos. Desde que bate boca de maneira completamente inesperada com Flayslane, ela afundou.

Daí veio o voto da Thelminha no Babu. Thelma não imagina. Mas a Rafa sabe, da repercussão. E acho que ela preferia mesmo ter sido até indicada. Jogadora de xadrez, está um lance adiantada. O tsunami que a Thelma vai viver aqui, Rafa antecipou lá. Grande erro. BBB se vive lá dentro.

Aí a liderança da Manu acrescentou um ingrediente. Rafa deixou de liderar a casa. Mais, acho eu, pela culpa dos gritos com a Flay (e de ser pivô da treta mor no black twitter).

Então, ela adoeceu. E precisamos salvá-las. Minhas ideias são:

1) pegar a liderança amanhã e voltar a se sentir favorita

2) ser indicada ao paredão e voltar consagrada

3) uma ou outra roda de oração. Ela curte

Mais de tudo. A liderança. A boa notícia da dobradinha manu e babu não é a GRANDE notícia da semana.

Rafa está triste e teve até febre. É essa a notícia dos últimos dois dias.

Não sabendo que vencera Marcela, Prior foi lá e escolheu Manu

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E perdeu, como vimos ontem. Na única jogada covarde do Felipe durante todo o jogo. Medo de escolher a Marcela. Votar na Marcela. Por isso ele brigou com o Babu, que dava pra ele a opção “vamos votar na Marcela”. E depois, na entrevista com a Keulla, se mostrou surpreso que ela não é a favorita “dentro da casa ela é”, explicou, “todo mundo lá acha que ela vai ganhar”.

A ironia, no caso dele, é que ele tinha vencido a Marcela. Ela é a dona do jogo. Por que? Porque a história que ela criou na segunda semana derrubou quase todo o elenco masculino do programa. Ela formou um grupo que tem devoção a ela. Capturou tudo. Menos Felipe Prior. Que começou uma jornada exaustiva para se descolar do lugar que ela havia imposto a ele. E conseguiu. Mas na hora agá, vacilou. Antes, já tinha tido medo de indicar Daniel, o consorte da rainha. No domingo, ele achou que teria caminho fácil com a Manu.

Não teve. Ela jantou o Prior quando elencou no que ele podia melhorar. Ele não teve tempo de pensar numa resposta e ficou acusando a garota errada de não se empenhar nas provas. Convenhamos.

Mas no fundo ele achou que era um embate menor. Porque não percebeu os movimentos da casa. Que nos levam aos dois outros favoritos. Babu e Rafa.

Não é fácil fazer movimentos bruscos no BBB. Ainda mais quando estamos do lado favorito. Então a Rafa se destaca. Porque é aquilo. Quem vence é a Marcella. E a Rafa se descolou. E conseguiu fazer um outro grupo. Teve embate com a Boca Rosa, que deu em nada. Teve não-alinhamento com Pyong. Teve não-voto no Babu. E foi levando com ela a Manu, a perdida Gabi e, de vez em quando, a Thelma (que tem dificuldade de romper com Marcela). Hoje, considero a favorita absoluta ao milhão. (Mas como disse no Twitter, acho, sim, que esse engajamento de quarentena pode ter dado o favoritismo à Manu).

Babu. Quando todo mundo já sabia que os homens da casa eram escrotos e estavam queimados, Babu se aproximou deles. Um pouco porque não suportava as nove mulheres. Um pouco porque tem que mexer nesse jogo senão é sentar a bunda e esperar a Marcela pegar o prêmio. Humanizou o Prior e o trouxe até aqui. Agora ensaia com Rafa e Thelma uma jogada que pode ser doce e leve. Vai depender dos nervos. Dele e delas.

Enfim. Sorry. Eu também não gosto. Mas o BBB é da Marcela sim.

E do Felipe.

E do Babu.

E da Rafa.

E agora chega flanando a Manu. Quatro possibilidades. Porque, sabemos, que a Marcela não ganha mais. Foi vencida, só não foi eliminada.

Ps: uma coisa interessante é que Prior venceu a Marcela aqui fora mas perdeu pra ela lá dentro. Ela que convenceu a Gizelly a votar nele. “Para ele não ter chance de bate e volta”, explicou.

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