Sem Presente

janeiro 4, 2022

Sem Presente

O Tempo passa arrasa amansa

ecoa

e vagamos no deserto do passado

sem a referência

buscando o presente

inexistente

no caminho da diáspora

permanente

e no entanto

houve um olhar na juventude

com gosto de mel

e cântico de jasmim

que ousou crer

ser

23/09/21

Meus Mortos

janeiro 3, 2022

Meus Mortos

E surgem meus mortos

amados

pais irmão amores parentes amigos

vindos de espaços límbicos

trazidos pelo simum

até a imensa planície

árida

onde vestidos de chamas

bailam a Dança do Fogo de Falla

soltando faíscas

revoada de antigas paixões

não é noite não é dia

a angústia da saudade crava suas garras

e sangra o sopro

enquanto a música ressoa  na memória

e grava a insignificância de existir

no que já foi

29-08-21

Saudade das Cavidades

janeiro 2, 2022

Saudade das Cavidades

Em noites de tempestade

quando os uivos do vento balançam as teias de aranha

na mansão abandonada

o Tempo

capenga

descortina o passado

deixando-o cair de seus bolsos furados

e inexorável arrasta as lembranças

para o poço do olvido

onde sonâmbula a memória se afoga

e o Tempo desfiando a esperança

até acabar com o tecido da vida

e com o passar desse Tempo

as cores vivas da vontade

vão deferindo  o tom cinzento da solidão

e as cavidades vão sendo progressivamente

substituídas pelos cinco dedos da mão

e pelo cinismo

13-03-21   

O Perfume

janeiro 1, 2022

O Perfume

Uma noite de lua-cheia

madrugada de insônia

descobri um perfume

 envolto na membrana do passado

nas pregas da alma

tentei traduzi-lo à poesia para entendê-lo

tratei de vertê-lo à música para ouvi-lo

quis transmutá-lo em pintura para visualizá-lo

vãs tentativas

de uma mente inquieta que não conseguiu elucidar

o mistério do perfume da alma

denso como o silêncio

tão enigmático quanto a vida

28-09-21  

Demônios

dezembro 27, 2021

Demônios

Chegam com a noite

meus demônios

lúgubres

lívidos

esquálidos

vestidos de solidão

abafando com seus sussurros

meus gritos pelos amores

rasgados

esvaecidos

gastos

ou desgarrados

e prometendo para a próxima noitada

o dilacerar do não pertencer

atravessando o tempo do exílio

e o estigma de estrangeiro

29-11-21

Eternidade

dezembro 3, 2021

Eternidade

Onde estás Eternidade

que não ouço teu palpitar?

onde estás Eternidade

cujo vácuo me atordoa

antes de pensar?

onde estás Eternidade

drapeada de inexistência

que nem o bálsamo do Silêncio e do Nada

é capaz de aliviar minha vertigem?

onde estás Eternidade

que decompões minha existência

entre mitos asteroides e perguntas

sem me devolver o sabor do Absoluto

antes da aurora boreal?

11-11-21

Alguns Conceitos Cinematográficos

Alguns dos melhores filmes de todos os tempos:

3° Homem. O, de Carol Reed

8 ½, de Federico Fellini 

2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick

Acossado, de Jean-Luc Godard

Amacord, de Federico Fellini

Amantes, de Louis Malle

Ana e os Lobos, de Carlos Saura

Anjo Exterminador, O, de Luis Buñuel

Ano Passado em Marienbad, O, de Alain Resnais

Árvore dos Tamancos, A,de Hermanno Olmi

Baile, O, de Ettore Scola

Barco – Inferno no Mar, O, de  Wolfgang Petersen

Barry Lyndon,  de Stanley Kubrick

Bela da Tarde, A, de Luis Buñuel

Belo Antonio, O, de Mauro Bolognini

Blow-up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni

Blue Jasmine, de Woody Allen

Brutos Também Amam, Os, de George Stevens

Canção da Estrada, A, de Satyajit Ray

Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly

Casanova e a Revolução, de Ettore Scola

Cavalo de Turin, O, de Béla Tarr

Cidadão Kane, de Orson Welles

Cidade Está Tranquila, A, de Robert Guédiguian

Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore

Cinzas no Paraíso, de Terrence Malick

Climas, de Nuri Bilge Ceylan

Corpo Que Cai, Um, de Alfred Hitchcock

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder

Cria Cuervos, de Carlos Saura

Declínio do Império Americano, O, de Denys Arcand

Dodeskaden, O Caminho da Vida, de Akira Kurosawa      

Dogville, de Lars von Trier

Dois Destinos, de Valerio Zurlini

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar

Electra, A Vingadora, de Michael Cacoyannis

Elvira Madigan, de Bo Widerberg

Enigma de Kaspar Hauser, O, de Werner Herzog

Época da Inocência, A,de Martin Scorsese

Espírito da Colmeia, O, de Victor Erice

Estrada da Vida, A, de Federico Fellini

Eternidade e um Dia, A, Teo Angelopoulos

Eu, Daniel Blake, de Ken Loach

Filme Falado, Um, de Manoel de Oliveira

Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick

Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman

Guarda-chuvas do Amor, Os, de Jacques Demy

Hannah Arendt, de Margarethe von Trotta

Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais

História Oficial, A, de Luis Puenzo

Homem Que Matou o Facínora, O, de John Ford

Homem Que Sabia Demais, O, de Alfred Hitchcock

Homem sem Passado, O, de Aki Kaurismäki

Ifigênia, de Michael Cacoyannis

Ilha Nua, A, de Kaneto Shindo

Inocentes, Os, de Jack Clayton

Invasões Bárbaras, As, de Denys Arcand

Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock

Johnny Vai à Guerra, de Dalton Trumbo

Jules e Jim – Uma Mulher Para Dois, de François Truffaut

Kaos, de Paolo e Vittorio Tavani

La La Land, de Damien Chazelle 

Leopardo, O, de Luchino Visconti

Lili, de Charles Walters

Ludwig, de Luchino Visconti

Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas

Luzes da Ribalta, de Charles Chaplin

Madre Joana dos Anjos, de Jerzy Kawalerowicz

Malpertuis, de Harry Kümel

Malvada, A, de Joseph L. Mankiewicz 

Manhattan, de Woody Allen

Manuscrito de Saragoça, O, de Wojciech Has

Mar Adentro, de Alejandro Amenábar

Martírio de Joana d´Arc, O, de Carl Theodor Dreyer

Meia-Noite em Paris, de Woody Allen

Mensageiro, O, de Joseph Losey

Minha Noite com Ela, de Éric Rohmer

Moça com a Valise, A, de Valerio Zurlini

Morte em Veneza, de Luchino Visconti

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, de Pedro Almodóvar

No Tempo das Diligências, de John Ford

Noite, A, de  Michelangelo Antonioni

Noite de São Lourenço, A, de Paolo e Vittorio Taviani

Noites de Cabíria, de Federico Fellini

Norma Rae, de Martin Ritt

Nós Que nos Amávamos Tanto, de Ettore Scola

Olhar a Cada Dia, Um, de Teo Angelopoulos

Onibaba – A Mulher Demônio, de Kaneto Shindo

Otelo, de Orson Welles

Outros, Os, de Alejandro  Amenábar

Paisagem na Neblina, de Teo Angelopoulos

Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera, de Kim Ki-duk

Primeira Noite de Tranquilidade, A, de Valerio Zurlini

Poderoso Chefão, O (Trilogia), de Francis Ford Coppola

Processo, O, de Orson Welles

Processo de Joana D´Arc, O, de Robert Bresson

Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder

Queimada, de Gillo Pontecorvo

Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti

Rua Chamada Pecado, Uma, de Elia Kazan

Sacrifício, O, de Andrei Tarkovsky

Sedução, de Fernando Trueba

Sétimo Selo, O, de Ingmar Bergman

Sinfonia de Paris, de Vicente Minnelli

Sonhos, de Akira Kurosawa

Spartacus, de Stanley Kubrick

Teorema, de Pier Paolo Pasolini

Terra do Sonho Distante, de Elia Kazan

Terra e Liberdade, de Ken Loach

Terra em Transe, de Glauber Rocha

Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle

Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar

Última Tentação de Cristo, A,de Martin Scorsese

Vagas Estrelas da Ursa, de Luchino Visconti

Viagem do Capitão Tornado, A, de Ettore Scola

Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen

Vidas Amargas, de Elia Kazan

Violência e Paixão, de Luchino Visconti

Vivos e os Mortos, Os, de John Huston

Volver, de Pedro Almodóvar

Z, de Costa-Gavras

#

O melhor musical de todos os tempos:

Os Guarda-chuvas do Amor, de Jacques Demy

#

Os dois melhores westerns  de todos os tempos:

Os Brutos Também Amam, de George Stevens

O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford

#

Os dois melhores filmes de terror  de todos os tempos:

Os Inocentes, de Jack Clayton

Os Outros, de Alejandro Amenábar

#

O melhor filme político de todos os tempos:

Queimada, de Gillo Pontecorvo

#

A melhor metáfora sociopolítica de todos os tempos:

Ana e os Lobos, de Carlos Saura

#

O melhor libelo contra a guerra de todos os tempos:

Johnny Vai à Guerra, de Dalton Trumbo

#

Alguns dos filmes plasticamente mais belos de todos os tempos:

A Árvore dos Tamancos, de Ermanno Olmi

Barry Lyndon, de Stanley Kubrick

Primavera, Verão Outono, Inverno e… Primavera, de Kim Ki-duk

Sonhos, de Akira Kurosawa

#

Algumas grandes atrizes ou estrelas que impactaram a arte cinematográfica com seu talento, personalidade marcante, mistério, beleza ou sensualidade:

Aimée/Anouk

Cardinale/Claudia

Chaplin/Geraldine

Falconetti/Maria (uma lenda, um enigma)

Fonda/Jane

Garbo/Greta

Girardot/Annie

Hayworth/Rita

Hepburn/Katharine

Huppert/Isabelle

Lamarr/Hedy

Leigh/Vivien

Magnani/Anna

Mangano/Silvana

Masina/Giulietta

Maura/Carmen

McDormand/Frances

Monroe/Marilyn

Moreau/Jeanne

Otowa/Nobuko

Papas/Irene

Redgrave/Vanessa

Riva/Emmanuelle

Rowlands/Gena

Schneider/Romy

Schygulla/Hanna

Seberg/Jean

Seyrig/Delphine

Signoret/Simone

Smith/Maggie

Strip/Meryl

Sukova/Barbara

Ullmann/Liv

Valli/Alida

Alguns grandes atores que deixaram a marca de seu talento e personalidade na arte cinematográfica:

Auteuil/Daniel

Bardem/Javier

Bates/Alan

Cooper/Gary

Fernán Gómez/Fernando

Ferzetti/Gabriele

Freeman/Morgan

Harvey Keitel

Hoffman/Philip Seymour

Lancaster/Burt

Lindon/Vincent

Lonsdale/Michael

Mastroiani/Marcello

Montand/Yves

Newman/Paul

Noiret/Philippe      

Penn/Sean

Piccoli/Michel

Reed/Oliver

Reilly/ John C.

Rey/Fernando

Robbins/Tim

Salvatore/Renato

Sanders/George

Trintignant/Jean-Louis

Volontè/Gian Maria

07-09-21

Quando Zarpa o  Navio de Tânger?

Ibn Battuta

o sábio

grande viajante de Tanjah

diga-me

a que horas sai o próximo barco de Tânger?

meu irmão quer partir

para a América do Sol

virar guerrilheiro

conhecer Angelopoulos e Kieslowski

e ganhar algum dinheiro

por que quer ele fugir?

se seu único crime é apenas ser

filho de um anarquista apátrida?

amado menino tanjaoui

puro como o pai

que culpa tem ele?

vem mano vem

vem ouvir a Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach

antes de pegar o barco de Caronte

vem voltar para  se curar  da infância  

diga-me Ibn Battuta

quando sai o próximo navio para Tânger?

29-09-21  

Pai Superior

setembro 1, 2021

Pai Superior

Raro fulgor

de uma estrela

iluminando a miséria

maquinista

lia Dostoievsky

mosaísta

lia Cervantes

mestre de obras

lia Shakespeare

motorista

lia Nietzsche

preso político

lia García Lorca

refugiado apátrida

lia Stefan Zweig

meu pai

mi padre

mon père

bbaa

my father

nas minhas línguas

que perdi no exílio

e carrego

pai

a glória insepulta de teu sangue

de teu pensamento

de tua sagrada Liberdade

de tua ética

de tua generosidade

que me fizeram entender a tua grandeza

e carrego

pai

a dor indelével de vislumbrar as alturas

de teu desenvolvimento no silêncio e no mutismo

e a percepção do mundo rasteiro mesquinho vulgar

miserável mundo onde não havia lugar para ti

mundo achatado que não preenchia tua medida

sim pai

sufoquei no tenebroso raquitismo da sociedade

mas em ti creio

16-08-2021

Sopa à Luz de Uma Vela

agosto 19, 2021

Sopa à Luz de Uma Vela

Receita

1 tomate

1 cebola

1 dente de alho

1 folha de louro

1 dúzia de pés de galinha

1 pitada de sal

1 colher de óleo

1 pedaço de pão

1 pai

1 filho

1 outro filho

1 mãe

forte serena discreta

remendando com fios celestes o dia a dia

e sem palavras agradecendo a Deus

por ela ter conseguido colocar comida na mesa

nessa mesa com uma vela

– falta luz elétrica por falta de pagamento –

trêmula chama da esperança

sobrevivendo ao ranger cotidiano

03-06-21