25 fevereiro, 2026

eu não suporto rotinas !!!!!

Como pode, algo que faz tão bem para o ser humano me incomodar tanto?

Nesses tempos morando em outro estado, tive que desenvolver formas de me organizar para preservar minha saúde e bem-estar, sem me tomar muito tempo. Com isso, acabo criando rituais para me ajudar.

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Durante a semana: 
Quando possível, acordo 4h30 e tento estudar, tomo banho, me arrumo e vou para o trabalho. Voltando do trabalho, tento fazer exercícios ou então aproveito para limpar meu quarto, lavar roupas e ir ao mercado.

Aos sábados:
Gosto de acordar cedo, estudar para minha pós-graduação, vou à feirinha de orgânicos e tenho a tarde mais livre. Estou aproveitando para planejar meus looks que vou usar no trabalho e isso me poupa tempo durante a semana.

Os domingos: 
Tem sido meus dias favoritos. Acordo cedo, me exercito, estudo, lavo meu cabelo, faço minhas unhas, ligo para o meu namorado. Umas 11h gosto de ir preparar meus almoços e cafés da manhã para a semana (tenho feito sempre arroz de forno com bastante legume e para o café faço overnight oats com cacau e alguma fruta que comprei no dia anterior). Aproveito as tardes para ficar em ligação com meu namorado, ou jogando ou vendo algum filme. Também planejo a minha semana seguinte e depois durmo. Para fazer tudo de novo.

É inexplicável a minha alegria quando tem alguma coisinha nova na rotina. Sou uma pessoa simples, gosto de mudanças pequenas que me deixam empolgada com o senso de novidade. Porém, essas últimas semanas tem sido tão exaustivas no trabalho que tenho só feito tudo no automático, como descrevi acima. Não tenho vontade de pensar em coisas novas para comer, quem dirá para fazer.

Sinto que é um pouco triste viver assim. Além de cansativo, me desmotiva bastante. A sensação que eu tenho vivendo assim é que não vou aguentar a vida de clt por muito tempo... eu sempre trabalhei em escala 6x1, porque é regime fabril, então eu tenho o trabalho apenas de segunda à sexta, mas fazendo 44 horas semanais. É bem desgastante. O meu sentimento no fim do dia é que estou desperdiçando a minha juventude ficando cansada demais a ponto de nem ter vontade de fazer nada de diferente nem depois do trabalho e nem nos fins de semana, esperando que ficar quieta no quarto vá curar meu desânimo. 

O pior é que eu sei que já estive muito pior, e isso que me dá medo. Tenho medo de isso tudo progredir. Tenho medo de ficar desanimada. Já me sinto bastante sozinha, isso por si só já desgasta bastante da minha mente. Espero ficar bem. Talvez valha à pena colocar a meta de fazer uma coisa fora da rotina por semana, como meta...

É isso! te convido à tentar também, se quiser. Semana que vem eu volto e conto o que fiz!


23 novembro, 2025

quem não sabe fazer copia mesmo, né

Esse é um post muito difícil para mim. É muito mais do que um texto de desabafo, como costumeiro. Esse é o início do fim de uma fase e um sentimento que me assombra desde que me conheço por gente. E ao fim da leitura, declararemos luto ao sentimento horrível que sinto quando percebo que alguém está me copiando.

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A terapia essa semana foi brava. Mais uma vez o tópico foi algum caso de alguém que fez algo depois de me ver fazendo e eu fiquei irritada com isso. Sei que pode parecer que sou egocêntrica, mas deixe-me apresentar o mundo da minha perspectiva. 

Eu cresci até os 4 anos em casa, como filha única. Era a única criança da família, 5 anos depois da minha prima mais velha. Eu não me considero mimada, mas obviamente, na época, tive algumas regalias. Em 2005, nasce minha irmã. Eu sempre quis muito uma irmã. Cresci vendo desenhos e parecia muito divertido ter alguém todos os dias com quem poderia brincar. Ela ganhou o nome da bruxinha loira do meu desenho favorito da época, o nome que eu escolhi. Meus pais me prepararam muito para recebê-la. Minha mãe me mostrava a barriga dela e sempre apontava para bebês recém-nascidos na rua e dizia: ''é assim que a sua irmã vai vir''. Mas eu escutei? Não. Imagine minha cara de frustração quando minha família voltou do hospital, me apresentou a criança e a primeira coisa que eu disse foi: ''Isso aí que é a Sabrina?''

kkkk eu amo essa história. Eu realmente achei que ela viria uma criança do meu tamanho, para brincar comigo.

Minha irmã foi crescendo e naturalmente, fazia muitas das coisas que eu fazia também. O problema é que nossas criações foram um pouco diferentes. Minha irmã teve uma complicação no parto, então nos seus primeiros anos de vida, foi necessária maior cautela com ela. Naturalmente, eu fui deixada um pouco de lado para priorizarem a saúde dela. Estou chorando escrevendo isso porque acho que irmãos mais velhos entendem um pouco esse sentimento de que tinha tudo e agora você não é mais a prioridade. Com isso, a minha reação foi ir atrás de me desenvolver. Tinha as responsabilidades da escolinha e não queria me sentir um peso para meus pais, então fui me virando sozinha. Buscava tirar minhas dúvidas, fazer minhas tarefas de casa e me comunicar com quem precisasse sem pedir ajuda. Acabou que a minha vida acadêmica inteira foi se desdobrando dessa maneira. Lembro do meu pai me dizendo: ''Acho legal porque eu nunca precisei te ajudar na escola, Você sempre fazia as coisas sem que te pedissem''. Acho que era pra ser um elogio, mas isso me doeu muito.

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Minha mãe foi conversando comigo enquanto minha irmã crescia, dizendo: ''você é um espelho da sua irmã. Ela vai te ver fazendo as coisas e vai querer fazer igual, ela vai seguir o seu exemplo''. Isso é bem duro de se ouvir aos 6 anos de idade. Minha irmã não demorou a querer fazer as coisas que eu fazia e querer ter coisas que eu tinha. Sempre odiei isso. Eu já não tinha muita atenção, e agora ela queria ser como eu? 

Na escola eu não me livrei disso. Eu não era a melhor das alunas. Tinha muita dificuldade com o sistema educacional, mas se tem algo que eu sempre tive aptidão, isso eram as aulas de artes. Eu amava me expressar pela cores. Amava o sentimento imersivo que criar sempre me trouxe. Ainda tenho isso em mim! Os coleguinhas que viam isso também aparentemente gostavam bastante e não tardaram a reproduzir minhas ideias em seus trabalhos. Eu costumava sentir bastante raiva nessa época.

No ensino médio, comecei a desenvolver minhas crises de ansiedade pois estudava em uma escola focada em estar no ranking de melhores preparatórias para o enem. A pressão me veio com muita força e em 2018 tive minha primeira crise. Eu não sabia o que era aquele sentimento, então fui conversar com o meu professor favorito que também era o vice-diretor. Lembro das palavras exatas dele dizendo: ''eu te vejo como uma pessoa muito insegura''. Foi bem chocante para mim porque eu via muitos vídeos sobre auto confiança e não imaginei que eu fosse insegura. Foi quando percebi que confiança não é somente sobre aparência (tópico esse que nunca foi um grande problema para mim). 

Quanto mais eu me observava, mais notava que eu não gostava da minha personalidade, por isso era tão insegura. Lembro do sentimento horrível de concluir que se eu fosse uma pessoa separada do meu corpo, eu nunca seria minha amiga. Isso doeu em mim por anos. No terceiro ano do ensino médio resolvi ir atrás de resolver isso. Chega de me sentir assim. Busquei me conhecer melhor, primeiro reconhecendo meus pontos fortes. Percebi que sou uma pessoa que é boa em respostas rápidas e, em certas circunstâncias, isso fazia de mim uma pessoa engraçada. Comecei a me envolver em ativismos como feminismo e foi quando também me tornei vegetariana. Descobri que amo criar, tanto arte quanto artesanato, o que me ajudou a escolher a faculdade de design de produto. Esse foi um ano importante para mim. Fiz amigos que tenho comigo até hoje. Mas me aproximei de pessoas que me causaram um grande mal...

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Tinha essa menina, vamos chamá-la de Atena. A Atena era muito engraçada e confiante. Ela era uma pessoa que sempre admirei. Muito bonita e cheia de carisma. Porém, ela também era instável. Não dava para saber como estaria seu humor a cada manhã de aula. Apesar disso, ela era alguém legal de se ter por perto. Entretanto, ela tinha o péssimo hábito de pegar raiva dos amigos com frequência. Se um dia estávamos bem e eu fizesse algo que a incomodasse, ela me jogava de escanteio e se aproximava de outra pessoa. Depois a gente ''se perdoava''. Passei a ignorar minhas opiniões e coisas que queria dizer ou fazer por medo de ela não gostar e me afastar dela. Na minha cabeça isso era o certo. Queria ser uma boa amiga para ela. Sabia que Atena tinha algumas questões pessoais. Quero culpar aqui a Riley de Garota conhece o Mundo, o seriado amaldiçoado da Disney. Essa praga também sofria com a melhor amiga e em um episódio ela romantiza que está tudo bem ser o saco de pancadas e receber os sentimentos confusos da sua amiga, por mais que te machuque, Eu era uma adolescente confusa. Assistir aquilo fez parecer o certo. Cici do passado, me desculpe por isso.

Acontece que terminei o ensino médio em 2019 e o ano seguinte a pandemia veio. Era meu primeiro ano de faculdade. Estava muito animada e cheia de esperança, porém a pandemia não me permitiu fazer muitas amizades. Eu era caloura e conhecia meus colegas apenas pela voz, porque ninguém ligava as câmeras nas aulas remotas. Continuei amiga da Atena, e me aproximei de outra menina da minha sala, vamos chamá-la de Frida. Fazíamos sempre todos os trabalhos juntas, mas ela era muito boa em se comunicar, então acabava tendo mais destaque nas apresentações. Ela também tinha alguns sentimentos conflitantes e acabava descontando em mim.

Em 2021 eu comecei a sentir sentimentos um tanto quanto sáficos pela Atena e ela correspondeu. Acabamos tendo um caso que virou um namoro em 2022. Durou literalmente um mês. Ela me deixou porque ''o problema não é você, sou eu''. Doeu muito perdê-la. Em parte porque gostava muito dela, principalmente como amiga. Mas principalmente, o que mais me feriu foi ver que o esforço que tanto tive para cuidar dela e mantê-la por perto não serviu de nada. Isso me deu força para entender que tanto o relacionamento com a Atena quanto com a Frida eram tóxicos. Foi complicado, mas me afastei da Frida quando as aulas presenciais voltaram. 

Em conclusão, esses dois casos me fizeram notar que eu queria a atenção delas. Quando elas reproduziam algo que eu fazia, me magoava porque elas já eram tão maneiras. Me sentia um nada perto delas.

Algumas coisas que aprendi na terapia com esses casos, especificamente são:

1) pessoas confusas realmente magoam pessoas incríveis;

2) pessoas que crescem sem muita atenção tendem a se tornarem resolvedoras dos próprios problemas. Porém, para se sentir inclusas nos grupos de amigos, elas sentem que precisam ser úteis naquele meio. Naturalmente, essas pessoas acabam atraindo pessoas com muitos problemas e se sentem no dever de ajudar a cuidar e curar aquela pessoa. Não é sua responsabilidade cuidar do outro. Não tem porquê se sentir culpada em não ajudar. Seus amigos não andam com você porque você é útil (mas se sim, talvez seja melhor repensar essa ''amizade'').

Agora, vivo uma situação parecida, com uma das meninas que mora comigo, a ''Yuki''. Contei sobre a Yuki no post passado, mas essa semana ela estava impossível. Ela me pediu minhas coisas emprestadas várias vezes, sendo que obviamente estávamos meio brigadas, acho que foi para chamar minha atenção. Desde que nos mudamos, eu mostro coisas e dou dicas de coisas que eu acho que podem ser úteis para ela também. Porém a diva sempre fica observando tudo que eu faço. Ela pergunta muito sobre tudo. Quando, nas primeiras semanas que nos conhecemos, eu contei que faço pós em moda, ela quis saber onde era, para fazer também. Essa semana ela falou ''olha, misturei colares prata e dourado igual você''. Ela costuma comprar comidas como as minhas, das mais variadas. Hoje mesmo, ela me viu fazendo strogonoff e comprou brócolis para fazer também. Outro dia, ela achou de bom tom me falar:

- vi que você compra bastante cogumelo.

- sim... (tentando cortar o assunto).

-... não sei se você sabia, mas cogumelo não tem proteína.

- eu não ligo para esse tipo de informação nutricional. eu como o que tô afim. (e lacrei)

Morar com ela é difícil. Principalmente essa parte, que sei que é boba, mas ela me incomoda muito, pelos motivos que citei. Minha psicóloga me fez refletir sobre alguns pontos que acho que ainda vou levar um tempo para absorver:

  1. Muito provavelmente, se a pessoa me copiou, ela na verdade ficou inspirada por algo que eu fiz. Eu sou uma pessoa inspiradora.
  2. Não é porque eu fiz algo primeiro e outra pessoa reproduziu que o que eu fiz não é válido. Isso não me anula e nem me torna inútil naquele grupo, muito pelo contrário. Sou uma referência positiva naquele meio.
  3. As pessoas gostam de mim. Enxergar isso com um olhar de que as pessoas só me querem por ser útil é uma mentira. Eu sou uma pessoa legal de se ter por perto.
Hoje eu quero fechar aquela cicatriz da Cici do ensino médio insegura e cheia de ansiedade. Eu ainda sou um pouco insegura, mas sei que consigo evoluir muito. 

Querida Cici,
Você é bem maneira sabia? É bem legal como você tem facilidade para criar o que quiser, quando bem entende. Amo como você é curiosa e inquieta sobre as coisas que te interessam. Amo como você cuida das pessoas e quer vê-las bem. Você tem uma das almas mais gentis que já conheci. Você não tem medo de lutar pelo que acredita e ama. Você defende o que acredita. Isso é muito difícil, mas você é muito foda por conseguir fazer isso. Falando em ser foda, é muito sensacional ver o quão longe você chegou com só 24 anos de idade. Seus dois únicos empregos da vida foram em marcas muito grandes de calçados. Como designer de produtos. Você se formou e no mesmo ano iniciou uma pós graduação porque não suporta a ideia de ficar sem aprender coisas novas. Você busca deixar o mundo mais colorido e amo como sempre se esforça para colocar sua personalidade em tudo. O que muitas pessoas teriam vergonha de fazer, você faz porque sabe que vai ser divertido. É muito legal como você não tem a menor vergonha na cara de elogiar um estranho na rua, puxar assunto com os caixas de supermercado ou só sorrir para um desconhecido. É incrível como você luta pelo que acredita. Ser vegetariana até hoje é uma vitória muito foda. Ser uma pessoa que busca ser cada dia mais sustentável e menos consumista é muito foda.

 Apesar das dores do passado, se virar sozinha te fez se tornar autodidata em várias coisas. Se você não sabe, você vai atrás de aprender. É muito maneiro como você encara os problemas como desafios. Você reclama, mas faz acontecer. Por isso e muito mais, não importa o que as pessoas façam. Se elas te veem fazendo algo e reproduzem, que bom! Olha o impacto positivo que você trouxe para a vida de alguém! As pessoas gostam de você. Não se deixe pensar que você é descartável. Você é essencial. Se você está onde está hoje, é porque o Universo acredita que você deve e merece estar vivendo isso. Então olhe com os melhores olhos possíveis. Cada dia é único, e apesar das dificuldades, tem sido uma ótima fase da sua vida. Eu acredito muito em você. Acredite em você por nós! Te amo muito!

Obrigada por estar aqui! E se possível, faça terapia!


Pessoas incríveis demais (meus ingredientes secretos):