Lote de água Crystal é retirado do mercado após laudo identificar bactéria; entenda

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta quarta-feira (3/6), que um lote de água Crystal está sendo recolhido do mercado após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto.
A medida foi publicada nesta quarta-feira (3/6) e afeta exclusivamente o lote LZ1 VAL200127, fabricado pela Mineração Bom Jesus Ltda. em Luziânia, Goiás. De acordo com a nota publicada pela Anvisa, o recolhimento é feito de maneira voluntária pela empresa.
Segundo a fabricante, o lote reúne cerca de 374,4 mil garrafas de 500 ml que foram distribuídas no Distrito Federal, em cidades vizinhas de Goiás, no Tocantins e no interior de São Paulo. A maior parte das unidades foi enviada ao Distrito Federal, que recebeu mais de 230 mil garrafas.
Em nota, a Coca-Cola FEMSA Brasil afirmou que o recolhimento se deu de forma voluntária e preventiva e que o lote foi envasado fora da área de operação da empresa.
"A companhia tranquiliza seus consumidores e clientes ao reforçar que suas próprias fontes e unidades de produção operam com total normalidade", diz a nota.
A contaminação foi descoberta durante uma ação rotineira de monitoramento da Vigilância Sanitária do Distrito Federal. Uma amostra da água foi encaminhada ao Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), que identificou a presença da bactéria.
O resultado foi posteriormente confirmado em um teste de contraprova, procedimento previsto pelos protocolos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
Após a confirmação, a Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal determinou a interdição local do lote e comunicou o caso à Anvisa, que publicou a resolução informando o recolhimento voluntário do produto.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente encontrada no meio ambiente, incluindo solo e água. Sua presença em água mineral engarrafada é considerada uma não conformidade sanitária porque pode indicar falhas nos processos de captação, tratamento, envase ou controle de qualidade do produto.
Apesar da identificação da bactéria, a fabricante informou à Anvisa que não havia recebido reclamações de consumidores relacionadas ao lote afetado até o momento da divulgação da medida. A empresa também afirmou ter iniciado imediatamente o recolhimento do produto junto às distribuidoras e estimou que cerca de 99,2% das unidades já haviam sido retiradas do mercado ou não estavam mais disponíveis para venda.
A orientação para consumidores é verificar se possuem em casa unidades do lote LZ1 VAL200127, fabricado em 20 de janeiro de 2026 e com validade até 20 de janeiro de 2027.
Quem tiver garrafas desse lote não deve consumi-las e deve aguardar as orientações da empresa para devolução e reembolso.
Além do recolhimento, a resolução da Anvisa impede a comercialização, distribuição e uso das unidades afetadas. A agência ressaltou que, até o momento, as evidências apontam para uma ocorrência restrita ao lote identificado e que a investigação continua em andamento.
A fabricante informou ainda ter apresentado à Anvisa documentos sobre uma investigação interna para apurar as possíveis causas da contaminação e afirmou estar colaborando com as autoridades sanitárias.
Correção: A primeira versão deste texto informou que a Anvisa determinou a retirada de um lote de água Crystal do mercado. No entanto, a retirada é feita de maneira voluntária pela empresa fabricante do produto. A reportagem foi corrigida às 10h55 do dia 3/6.
O que é a bactéria e quais são os riscos?
A professora do departamento de Microbiologia da UFMG, Mônica Larucci Vieira, afirma que a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria altamente adaptável encontrada em ambientes como solo, água e plantas.
"Embora geralmente inofensiva para indivíduos saudáveis, pode causar desde infecções leves até fatais em pessoas mais suscetíveis, como com o sistema imunológico enfraquecido, doenças pulmonares crônicas, hospitalizadas ou com queimaduras graves", diz.
Segundo ela, o que torna essa bactéria uma preocupação na água mineral é que a ingestão ou exposição pode levar a graves problemas gastrointestinais, infecções generalizadas ou até mesmo sepse em pessoas em grupos de risco — como pacientes em quimioterapia, transplantados, com HIV, idosos e crianças, pacientes com doenças pulmonares crônicas (como fibrose cística) ou com feridas abertas e queimaduras.
Na pele, a bactéria pode causar dermatites e agravar feridas ou cortes já existentes.
"Como a Pseudomonas aeruginosa gosta de ambientes úmidos, roupas úmidas e não lavadas criam um ambiente ideal para a multiplicação da bactéria e o surgimento de infecções cutâneas em pessoas com o sistema imunológico debilitado."
Ela acredita que a contaminação da água potável engarrafada pode ter acontecido devido a alguma contaminação da água de origem, tanques ou bicos de injeção de água, ou tubulações do sistema de envase.
Também poderia ter ocorrido na limpeza ou armazenamento inadequados das garrafas e tampas antes do envase, ou falha em qualquer etapa da produção que permita o contato com a manipulação humana ou ar contaminado.
"O problema raramente está na fonte de água. Geralmente, a contaminação por bactérias ocorre no processo de envase ou falhas de higienização. No caso em questão, o fato de ser um lote específico sugere que houve um evento pontual de contaminação na linha de produção."




























