Morales faz greve de fome por aprovação de lei eleitoral

O presidente da Bolívia, Evo Morales (foto de arquivo)
Legenda da foto, Morales protesta contra decisão da oposição que pode adiar eleições
    • Author, Marcia Carmo
    • Role, De Buenos Aires para a BBC Brasil
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O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta quinta-feira que está em greve de fome até que seja aprovada a nova legislação eleitoral do país, que prevê a realização de eleições antecipadas para presidente, vice-presidente e legisladores em 6 de dezembro.

Além de Morales, representantes de movimentos sociais também participam do protesto no palácio presidencial Queimado, em La Paz.

Morales fez o anúncio da greve de fome diante das câmeras de televisão, ao lado da Coordenadora Nacional pela Mudança (Conalcam, na sigla em espanhol) e da Central Operária Boliviana (COB).

"Diante da negligência de um grupo de parlamentares e de neoliberais, fomos obrigados a assumir esta medida de pressão para defender o voto do povo", disse o presidente.

O prazo de 60 dias para que o Congresso Nacional aprovasse a nova lei eleitoral venceu nesta quinta-feira. Chamada de Lei Transitória do Regime Eleitoral, a nova legislação foi ratificada no referendo popular sobre a nova Constituição do país, realizado em janeiro.

Lista

No entanto, a oposição, que controla o Senado boliviano, decidiu exigir uma revisão da lista de eleitores que votaram nas últimas eleições antes de aprovar a nova lei. A oposição diz que nas últimas eleições foram registrados nomes repetidos de eleitores ou votantes já falecidos e que isso teria favorecido Morales.

O governo nega essas acusações e afirma que a oposição "resiste" em reconhecer os votos na situação. No referendo de janeiro, mais de 61% dos eleitores votaram pelo "sim" à nova Constituição, defendida por Morales, e 38,6% pelo "não".

A revisão da lista de eleitores, segundo a Corte Nacional Eleitoral, levaria pelo menos um ano, tornando impossível a realização das eleições presidenciais em dezembro. Morales afirma que a exigência da oposição é uma tentativa de "evitar" que a eleição presidencial seja realizada em dezembro, como previsto.

Analistas bolivianos dizem que Morales deverá ser candidato à reeleição, e pesquisas sugerem que ele seria reeleito caso o pleito fosse realizado hoje.

Além de exigir a revisão da lista de eleitores, o Senado também adiou, sem data marcada, o pleito para governadores e prefeitos, previsto para 2010, e congelou o referendo previsto para julho do ano que vem em cinco dos nove departamentos do país.

Crise

Esse impasse gerou uma nova crise política na Bolívia. Parlamentares do Movimento ao Socialismo (MAS), base governista, teriam assinado renúncia coletiva, de acordo com a imprensa local, diante do impasse com a oposição.

Morales teria pedido, segundo a emissora de televisão Telesul, que eles desistissem da ideia e, em seguida, anunciou a greve de fome.

O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, que também é presidente do Congresso Nacional, passou a noite e a manhã desta quinta-feira no Parlamento, na tentativa de aprovar o projeto de Lei Transitória do Regime Eleitoral.

Segundo a Rádio Fides, a ministra de Justiça, Celima Torrico, afirmou que todo o ministério poderá aderir à greve de fome iniciada por Morales até que o projeto de lei eleitoral seja aprovado.

O anúncio de Morales levou o senador da oposição Walter Guiteras, do partido Podemos, a declarar que os parlamentares estão "sendo alvo de chantagem".

"O presidente e as organizações sociais não podem submeter o Parlamento a um sistema de chantagens e pressões", disse Guiteras.