Possível volta de Zelaya aumenta tensão em Honduras

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Hondurenhos tentam se atualizar lendo notícias nos jornais
Legenda da foto, Mídia televisiva e impressa informa pouco sobre golpe

O suspense em relação a uma possível volta do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país se reavivou desde o último contato telefônico dele com uma emissora de rádio local.

Zelaya disse que retornará ao país, mas esperará o prazo de 72 horas pedido pelos mediadores da crise para retomar o debate.

<span xml:lang="pt-br"><paragraph>Na capital hondurenha, moradores não escondem o cansaço e o descontentamento com as incertezas desde o golpe militar do último dia 28 de junho. A dúvida sobre o regresso de Zelaya se tornou um exercício de adivinhação.</paragraph><paragraph>"Dizem que aterrissará no aeroporto de San Pedro Sula", dizem uns. Que venha! Aqui mesmo vão acabar com ele", dizem outros. "Virá mas por terra, clandestino", é outra versão. "Dizem que entrará no país por Choluteca."</paragraph><paragraph>A cobertura da imprensa tampouco parece ajudar os hondurenhos a entender os fatos.</paragraph><paragraph>"Na TV só tem cadeias oficiais. Se alguém quiser assistir à TV por assinatura, tiram os canais de notícia. Os jornais diários não dizem nada. O toque de recolher não acaba", reclamou uma mulher que esperava o ônibus em Tegucigalpa.</paragraph><paragraph><link type="page"><caption> Leia também na BBC Brasil: Hillary Clinton tem conversa telefônica 'dura' com o líder interino de Honduras</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090720_honduras2_rc.shtml" platform="highweb"/></link></paragraph><paragraph><b>Justiça</b></paragraph><paragraph>O presidente do Conselho Hondurenho da Empresa Privada (Cohep), Amílcar Bulnes, disse à BBC que se Zelaya retornar deverá comparecer perante a Justiça.</paragraph><paragraph>"As autoridades estão totalmente de acordo com que regresse ao país, desde que se coloque à disposição da Justiça", afirmou.</paragraph><paragraph><span xml:lang="pt-br"/>"Ele tem a garantia de um julgamento justo, segurança completa, com a presença de observadores de organismos internacionais. Essa é a posição das autoridades legítimas do país", disse o líder empresarial.</paragraph></span>

Ele disse que mantém a confiança na economia hondurenha sob o atual regime, apesar de sanções financeiras, como o anúncio da União Européia de suspender aportes financeiros no total de US$ 90 milhões."O aparato do Estado está trabalhando a todo vapor com o setor privado, as exportações se mantêm, o setor bancário tem muitos recursos e as linhas de crédito estão vigentes. Acho que a situação tende a se normalizar nos próximos dias", afirmou.

Muitos países consideram Zelaya o líder legítimo de Honduras.
Legenda da foto, Muitos países consideram Zelaya o líder legítimo de Honduras.

Nenhum país reconheceu o governo interino de Honduras e tanto os Estados Unidos como a ONU e a OEA afirmaram reconhecer Zelaya como o presidente legítimo do país.

<span xml:lang="pt-br"><paragraph><b>Seguimos</b></paragraph><paragraph>Do outro lado do espectro ideológico, os dirigentes do Bloco Popular, que aglutina os setores da sociedade civil que respaldam Zelaya, disse que aumentará a pressão social contra o governo de Roberto Micheletti.</paragraph><paragraph>"Na quinta e sexta-feira desta semana haverá ações grandes nas diferentes regiões do país para continuar com a nossa agenda de resistência", disse o organizador de uma mobilização em frente ao Congresso Nacional nesta segunda-feira, Carlos H. Reina.</paragraph><paragraph><link type="page"><caption> Leia também: Após fracasso de negociações, partidários de Zelaya prometem 'resistência' em Honduras</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090720_honduras_segunda_pu.shtml" platform="highweb"/></link></paragraph><paragraph>Ele também comentou o fracasso das negociações entre governo e oposição na Costa Rica, no fim de semana.</paragraph><paragraph>"A mediação (do presidente costa-riquenho Oscar Arias) era um processo que visava a ganhar tempo. Sabíamos que ia ser boicotado pelo governo golpista."</paragraph><paragraph><italic>* Com informações de Eric Lemus, repórter da BBC Mundo em Honduras</italic></paragraph></span><bold><span xml:lang="pt-br"/></bold><span xml:lang="pt-br"/>