Nos tempos que correm,
há silêncios que nos cortam a garganta,
brancos de cal
navalhas de barro,
de pó seco,
que nos sufocam as palavras,
ansiosas por respirar,
sem conseguirem libertação.
Desfilo quase oração
como esteiro enigmático,
claro e escuro,
de ruídos silenciosos,
em que desaguo, tantas vezes,
os rios tempestuosos que me percorrem.
Fragilidade feita força
para que não naufrague o barco
em mares de vagas bravas.