Talvez um caminho se escreva nas pétalas da manhã Talvez um caminho se abra nas asas do arvoredo Talvez um caminho siga nos trilhos do vento cantante Talvez as águas ciciantes se lembrem de me sussurrar o caminho
Há distâncias forjadas Tão mar Habitáculos de cardos E ervas salgadas Águas em fogo Areias de gelo Pássaros calados Tão noite Tão sede Tão saudade…
Mas haverá ainda manhãs Tão mar De sítios tranquilos Radiantes De flores E perfumes. E das pedras sairão fontes Onde os pássaros feridos Se hão-de banhar.
Há uma Primavera (in)discreta que me espreita à janela Um cálido perfume a nascer dos raios de sol Uma luz serena de realidade donzela Uma sinfonia de cores breves no ar Um convite à utopia no jardim Um reflexo de vida nova a levitar E um sopro de brisa mansa nascente em mim
Debaixo da ponte correm pedras Natureza morta Que mata Pousio bravo Obstáculo de tropeço e arremesso Oceano irracional Pedestal sombrio Catedral do vazio Abismo Penedos pontiagudos Pedregulhos Areias e Seixos Calhaus Correm pedras debaixo da ponte